Poesias Eróticas, Burlescas e Satyricas de Manuel Maria Barbosa du Bocage.
S. E., Bruxellas, 1860, 223 págs. E.
Esta antologia clandestina reúne alguns dos poemas mais irreverentes de Bocage, onde o humor mordaz, a sátira social, o erotismo e o tom burlesco revelam o lado mais provocador do poeta. Entre sonetos, odes, epístolas e elegias, surgem textos ousados e libertinos que desafiaram os costumes da época e contribuíram para a aura polémica da sua obra. Publicado sem editor identificado e com um falso local de impressão para escapar à censura e à apreensão pelas autoridades, este volume testemunha não só a liberdade criativa de Bocage, mas também os riscos associados à circulação de literatura considerada escandalosa no seu tempo.
Mar Morto de Jorge Amado Publicações Europa-América. Lisboa, 1966, 279 págs. E.
Romance de grande força lírica, Mar Morto conta histórias de velhos marinheiros, de mestres saveiros, de pretos tatuados e de malandros que contam e cantam essas histórias da beira do cais da Bahia.
«O povo de lemanjá tem muito que contar», dizia Jorge Amado.
Um dos mais populares romances de Jorge Amado, não só no Brasil como em muitos outros países.
Mar Morto inspirou a conhecida telenovela Porto dos Milagres.
Desaparecido e outros Poemas de Carlos Queiroz Edições Ática. Lisboa, 1957, 143 págs. E.
Não se pode dizer deste livro o que é vulgar dizer-se, elogiosamente, de um primeiro livro, sobretudo de um jovem: — que é uma bela promessa. O livro de Carlos Queiroz não é uma promessa, porque é uma realização. Cumpriu, sem ter prometido, sem ter tido que prometer.
Assim se deveria fazer sempre, ou quase sempre. Pertence ao mais íntimo da probidade literária e artística o não se apresentar ao público sem ter plena consciência de que na obra apresentada está tudo quanto em nós haja de forte. Não escrevia Milton um soneto sem que o fizesse como se desse soneto dependesse toda a sua fama futura.
E que prazer o de se poder escrever isto sem que a amizade que tenho pelo poeta, que é muita, uma só palavra me dite; sem o que o gosto de incitar quem é jovem, e tenho esse gosto, me faça sublinhar uma só frase; de poder escrever isto sem mais entendimentos que com a justiça, sem mais combinações que com a verdade.” — em Textos de Crítica e de Intervenção, Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1980. – 223.
📕 3ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
A Vigésima Quinta Hora de V. Gheorghiu. Livraria Bertrand. Lisboa, s.d., 420 págs. E. 𓂃🖊 Tradução de Vitorino Nemésio
Escrito durante o cativeiro do autor — preso pelas tropas americanas no fim da Segunda Guerra Mundial —, “A 25ª hora” conta a história de Iohann Moritz, um camponês romeno que é equivocadamente denunciado como judeu por um polícia que lhe cobiça a esposa. Moritz cai nas garras dos nazis, iniciando um périplo por diversos campos de concentração da Europa. Ao fugir com outros presos para a Hungria, país “onde a vida é menos dura para os judeus”, acaba detido como espião romeno e é torturado. Deportado para a Alemanha, na condição de “trabalhador húngaro voluntário”, é examinado por um médico nazi que o considera um espécime excepcional da linhagem ariana. Ambientado num cenário irrespirável, “A 25ª a hora” revela-se uma condenação não só do nazismo, como de todo tipo de totalitarismo.
Sino da Montanha: Cadernos de um Escritor de Fernando Namora. Publicações Europa-América. Mem Martins, 1968, 297 págs. E.
Uma nova faceta do grande escritor é-nos revelada nesta obra. Aqui, Namora assume a personalidade literária do autor que se confessa, que discute consigo próprio e com os outros, enquanto nos vai retratando gentes e terras com a independência, a honestidade e a mestria que caracterizam toda a sua obra. Um livro que lhe permitirá saborear momentos únicos da melhor literatura portuguesa.
📕 1ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Tristezas à Beira-Mar de Manuel Pinheiro Chagas Livraria Progresso. 1956, 174 págs. E.
Leonor e Madalena, irmãs a quem uma fatalidade deixou órfãs, foram separadas na infância, ficando a primeira na pequena vila da Ericeira ao cuidado do avô de ambas, e a segunda na cidade de Lisboa ao cuidado de uma tia. A vida corria suave para Leonor; tornara-se noiva de Jorge, uma das poucas pessoas com quem lidava, e o futuro parecia-lhe, se não risonho, pelo menos seguro. Até que um dia Madalena é obrigada a regressar à Ericeira, transtornando involuntariamente o sossego da sua irmã e do seu avô…
Villette ou num Colégio de Raparigas de Charlotte Bronte. Portugália Editora. Lisboa, s.d., 511 págs. E.
Alegadamente a mais refinada e profundamente sentida obra de Brontë, Villette inspira-se na sua profunda solidão, após a morte dos seus três irmãos: Lucy Snowe, a narradora de Villette, foge a um triste passado em Inglaterra para começar uma nova vida como professora em Villette, uma capital cosmopolita. Em breve os esforços de Lucy para se tornar independente são ensombrados pela sua amizade com um elegante médico inglês e os seus sentimentos por um autocrático professor. A heroína extraordinariamente moderna de Brontë deve decidir se entre os seus conhecimentos existe um homem com quem possa viver continuando a ser livre. Marcadamente autobiográfico e resultado de uma dor de existir, o livro de Brontë marca-nos pela vital paixão e sabedoria. A experiência dolorosa é transformada num romance que tem um final construído de forma comoventemente feliz; e as prováveis conexões com a experiência pessoal da autora não constituem o elemento mais importante do romance. É a bonita história de amor entre a heroína e o seu professor, as admiráveis personagens femininas com dimensão poética, o desenvolvimento orgânico de uma narrativa cativante e a profundidade no tratamento das personagens que garantem a qualidade estética do livro.
«A sua obra fecha um ciclo que a Peregrinação do Fernão Mendes Pinto abrira. E inicia outro que os nossos filhos verão cumprir-se. Ao otimismo expansivo do Mendes Pinto, os Emigrantes opuseram a reflexão pungente que a abordagem do real hoje suscita. À ascensão, a depressão. Aos damascos opulentos, a lã ancestral dos tosquiadores de Viriato.»
Mário Sacramento
Dupla Restauração de Angola (1641-1648) de A. da Silva Rego. Agência Geral das Colónias. LIsboa, 1948, 274 págs. E.
TODOS OS portugueses sabem o que vulgarmente se quer dizer quando se fala em <campanhas da Restauraçãon.
São lutas contra o jugo castelhano ou holandês, após a revolução nacionalista de 1640, a fim de reganhar o antigo império perdido durante o duro «cativeiro de Babilónia» de 1580 a 1640. Estas lutas assumem ainda significado diverso, quando se trata de lutas na metrópole ou de lutas no Oriente. Na história angolana, porém, as «campanhas da restan- ração apresentam outra significação. Os Portugueses, embora expulsos da costa, estavam firmemente estabelecidos em Muxima, Massangano, Cambambe e Ambaca e, em vista disto, nunca perderam os seus direitos sobre a velha possessão africana. Por conseguinte, a conquista de Luanda pelos Holandeses, embora tivesse representado grave quebra de prestigio para os antigos senhores de toda aquela costa, não abalou em nada os dados fundamentais da presença portuguesa em Africa. Deve, pois, falar-se em «restauração de Luanda» e não em «restauração de Angola».
“A Empresa Nacional de Publicidade (…) tem a imensa satisfação de anunciar hoje um verdadeiro acontecimento literário duma nova e grandiosa obra do eminente escritor Ferreira de Castro. Falamos dum grande acontecimento literário, que o é sem nenhuma espécie de exagero, pela categoria mundial do seu autor, pela vastidão e enorme interesse do seu tema…
Versos de Adolfo Casais Monteiro. Editorial Inquérito. Lisboa, 1944, 257 págs. E..
Edição de grande cuidado gráfico, com retrato do autor por Cícero Dias, impresso em separado.
Figura central da modernidade literária portuguesa, Adolfo Casais Monteiro ocupa um lugar singular na poesia do século XX. Entre o lirismo inquieto e a rutura formal, a sua escrita dilui fronteiras entre prosa e poesia, antecipando caminhos decisivos do verso moderno. Como sublinharam Óscar Lopes, Gastão Cruz e Eugénio Lisboa, trata-se de uma obra marcada pela tensão entre pensamento e emoção, liberdade rítmica e rigor intelectual.
Só de António Nobre. Livraria Tavares Martins. Porto, 1959, 214 págs. E.
Publicado em Paris, em abril de 1892, na casa Léon Vanier, Só surpreenderá os leitores e críticos nacionais com o carácter inesperado dos temas e com a novidade das opções formais e estilísticas. Integrado na geração de poetas da década de 90, Nobre revela o desejo de renovação da linguagem poética próprio de uma estética finissecular, integrando temas e registos de língua cujo acesso à expressão poética estivera outrora vedado. Em termos temáticos, destaca-se o pessimismo profundo da sua visão do mundo; em termos formais, a presença da linguagem popular e a utilização expressiva das marcas da coloquialidade
Sinfonia do Vento de Sarmento de Beires. Edição Seara Nova. Lisboa, 1924, 101 págs. E.
Livro de poesia de José Manuel Sarmento de Beires (1892-1974) foi oficial do exército português e pioneiro da aviação mundial. Licenciado em Engenharia Civil pela Universidade do Porto em 1916, termina em 1917 o primeiro Curso de Pilotagem da Escola de Aviação de Vila Nova da Rainha, onde teve como instrutor Sacadura Cabral. A 13 de maio de 1920 realizou o primeiro voo noturno em Portugal e a 18 de outubro do mesmo ano, com Brito Paes, realizou o primeiro voo até à ilha da Madeira, onde não aterrou, devido ao nevoeiro. Em 1924, realizou com Brito Paes e Manuel Gouveia o primeiro raide aéreo Lisboa-Macau, que originou o livro De Portugal a Macau. Em 1927, com Jorge Castilho e Manuel Gouveia, realizou o mais longo voo noturno da história da aviação até à época, atravessando o Atlântico Sul desde a Guiné até Fernando Noronha, no Brasil, apenas com navegação astronómica. Sobre ele escreveu a narrativa Asas que naufragam, cuja reedição está em curso. Ligado ao Grupo da Seara Nova, foi um forte opositor ao regime instaurado em 1926, tendo sido preso em 1933 e exilado no Brasil. Amnistiado em 1951, foi reintegrado na Reserva como Major e promovido a Coronel por distinção (1972). Herói nacional, foi agraciado com altas condecorações do Estado português.
Obras de José Saramago. Lello & Irmão Editores. Porto, 1991, 2 vols. E.
Editada pela Lello & Irmão na década de 90, está obra de José Saramago, que reúne os títulos abaixo apresentados, foi impressa em papel bíblia, ostentando uma bela encadernação de capa dura com letras gravadas a ouro, num formato de 13 por 20 cm.
Volume 1
Poesia: Os Poemas Possíveis; Provavelmente Alegria; O Ano de 1993
Teatro: A Noite; Que Farei com Este Livro?; A Segunda Vida de Francisco de Assis, 1987
Crónicas: Deste Mundo e do Outro; A Bagagem do Viajante; As Opiniões que o DL Teve; Os apontamentos.
Volume 2:
Viagens: Viagem a Portugal,
Contos: Objecto Quase; O Ouvido
Romances: Manual de Pintura e Caligrafia; Levantado do Chão.
Volume 3
Romances: Memorial do Convento; O Ano da Morte de Ricardo Reis; A Jangada de Pedra; História do Cerco de Lisboa.
Filhos de D. João I de Oliveira Martins. Parceria A. M. Pereira. Lisboa, 1922, 409 págs. E.
Obra historiográfica de Oliveira Martins, enquadrável no género da biografia histórica, de que foram publicados alguns capítulos na Revista de Portugal, de Eça de Queirós, entre 1889 e 1890. Na esteira dos trechos biográficos contidos na História de Portugal, de 1879, Oliveira Martins propõe-se retratar os caracteres exemplares dos filhos de D. João de Avis, a fim de deduzir desses retratos uma lição de heroísmo e nacionalidade.
Tragédia da Rua das Flores de Eça de Queiroz. Moraes Editores. Lisboa, 1980, 468 págs. E.
«Era no Teatro da Trindade, representava-se o Barba Azul.»
Este é o cenário em que se inicia a acção de A Tragédia da Rua das Flores, romance de Eça de Queiroz que ele mesmo qualificou como «livro cruel» e que permaneceu inédito durante mais de um século. Escrita entre 1877 e 1878 e apenas publicada em 1980, esta é a história da paixão fatal de Vítor e Genoveva, que Eça acabaria por deixar por corrigir e editar, mas que serviu de ponto de partida para que em 1888 os leitores recebessem aquela que é a sua obra-prima, Os Maias.
A presente edição de A Tragédia da Rua das Flores recupera e corrige o texto da primeira edição, com fixação e notas de João Medina e A. Campos Matos.
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