Último Dia do Mundo, O

Paulo Nogueira

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O Último Dia do Mundo de Paulo Nogueira. Pergaminho. 1997, 228 págs. B.

Com que majestoso esplendor Lis boa celebrava o último Verão dos anos começados por mil! Nunca a capital portuguesa me parecera tão bela, tão hipnoticamente irresistível – nem mesmo nos tempos da rainha Santa Isabel, que Deus a tenha. A luminosidade do sol, quase ofuscante, banhava a cidade com uma pátina dourada, que reverberava nas vidraças das janelas antigas, nos pára-brisas dos carros diamantinos, nos ramalhetes aquáticos das fontes, até nos meandros negros e prateados dos modernos viadutos. O casario da Baixa Pombalina, avistado do Castelo de São Jorge, assemelhava-se a uma estatuária em topázio, com a graciosidade de um presépio, só que animado pela seiva da vida humana.

Os lisboetas, mas, oh, louvado seja o Altíssimo e que o Diabo seja surdo, sobretudo as lisboetas!, incomparável mente as lisboetas! – iam e vinham num frenesi benigno e contagiante, as mais jovens com os corpos sinuosos e elásticos bronzeados pelo disco solar e as alminhas febris impregnadas do êxtase da existência, as mais velhas sor vendo sabiamente a taça de mais uma estação e, sem dúvida, admitindo que, afinal de contas, os dissabores não tinham sido assim tão funestos, e que cada segundo, cada ronda do ponteiro, consiste numa dádiva inebriante.

Em suma, eu, Ariel, este vosso criado, era o anjo certo no lugar certo. Perdão: ex-anjo.

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O Último Dia do Mundo de Paulo Nogueira.
Pergaminho. 1997, 228 págs. B.

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