Inominável de Samuel Beckett.
Assírio & Alvim. Lisboa, 2002, 189 págs. B.
Colecção: Imaginário
Neste livro, Samuel Beckett coloca a si próprio questões inomináveis, sobre a existência ou a sua impossibilidade, sobre os lugares ou a sua ausência, sobre o carácter dos objectos, sobre o homem.
«Estas coisas que digo, que vou dizer, se puder, já não são, ou ainda não são, ou nunca foram, ou nunca serão, ou, se foram, se não, se forem, não foram aqui, não são aqui, não serão aqui, mas noutro lugar qualquer.»
«A arte é a apoteose da solidão» escreveu Samuel Beckett num ensaio dedicado à obra de Marcel Proust. Na verdade, tal afirmação é perfeitamente aplicável à generalidade da obra do próprio Beckett. Não será de Samuel Beckett a voz mais expressiva, mais contundente, mais desencantada da solidão, da angústia que subverte toda a possibilidade de esperança, do desespero impotente profundamente enraizado mesmo na chamada «sociedade da abundância»?
O tão apregoado pessimismo de Beckett não será extremamente relativo? Não terá ele acima de tudo o valor de um grito de raiva, de revolta contra situações estabelecidas mas inaceitáveis, no fundo consolidadas apenas provisòriamente e a um passo da derrocada final?
Inclui as peças: À espera de Godot (tradução de A. Nogueira Santos); Fim de Festa (tradução de F. Curado Ribeiro); A última Gravação (tradução de Rui Guedes da Silva).
Dias Felizes de Samuel Beckett. Planeta DeAgostini. Espanha, 2001, 84 págs. E.
Esta é a história de Winnie, a patética, aquela que, enterrada no solo, daí comanda o seu mundo de objectos e ilusões e neles integra o seu amor perdido, o seu amor nunca ganho. Winnie, a que está ali, ilusoriamente resistindo à passagem do tempo. Samuel Beckett opera a desconstrução da coerência das personagens – e seria mais apropriado falar da personagem – até ao extremo de uma grotesca imagem explosivamente reveladora da realidade. A linguagem, sucessão de encadeamentos, de fragmentos e repetições, vai progressivamente apurando uma musicalidade rítmica, indutora de uma elementaridade fértil, simples, mas muito longe de ser simplista.
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