O Príncipe com Orelhas de Burro de José Régio
Círculo de Leitores. Lisboa, 1986, 215 págs. E.
O PRÍNCIPE COM ORELHAS DE BURRO não pode ser considerado em paralelo com qualquer outra obra do nosso tempo, em Portugal […], é uma obra destinada a ficar como uma grande data da nossa literatura. José Régio encheu o seu livro de quadros e retratos em que se revela toda a sua lucidez de moralista, e também toda a força da sua criação poética; quadros e retratos em que os mais diversos tipos de humanidade perpassam, mas que são sobretudos magníficos como sátira e como crítica de costumes. Régio pretendeu dar-nos um microcosmos em que cada paixão, cada tipo humano, tivesse a sua representação.
Histórias de Mulheres de José Régio. Brasília Editora. Lisboa, 1974, 324 págs. B.
Histórias de Mulheres é uma coletânea de textos ficcionais (conto e novela) cujas personagens centrais são mulheres, o que desde logo confere a este livro uma identidade extraordinariamente original.
Aqui encontramos, entre outras, as histórias de figuras como Menina Olímpia e a sua criada Belarmina numa história de decadência social e física, a História de Rosa Brava, que nos apresenta uma jovem lésbica cujo temperamento rebelde choca com os valores da sua família, ou ainda O vestido cor de fogo, história na qual um marido se vê oprimido pela sexualidade dominante da esposa.
Vestido Cor de Fogo de José Régio.
Fomento de Publicações. Lisboa, s.d., 48 págs. B.
Dirigida por Manuel do Nascimento, Colecção Novela, que “nasce como um protesto contra a maior parte das publicações baratas que enxameiam o mercado do livro. Baixo preço foi tomado como sinónimo de falta de qualidade, com a agravante de se atirarem às costas do público todas as responsabilidades, afirmando que ‘ele’, essa entidade vaga, não quer outra coisa. Acompanharão cada um dos pequenos volumes de ‘Colecção Novela’ uma pequena biografia do seu autor e uma bibliografia, prestando-se a uma séria iniciação literária.
El-Rei Sebastião de José Régio. Atlântida. Lisboa, 1949, 189 págs. B.
A cena representa uma antecâmara nos paços onde habita El-Rei Sebastião. É noite; e só a luz fosca do luar entra por uma janela de balcão aberta ao fundo. Esta janela está escancarada para o céu. Não se vê a lua. No rectângulo da luz esbranquiçada, fria, que entra pela janela e dá na alcatifa do chão, dois vultos se recortam em silhueta: Estão um de cada lado da janela, quase voltando costas ao público, em atitude de quem ficou transido a ouvir. Toda a restante cena abafada em penumbra.
Benilde ou a Virgem Mãe é uma das obras nucleares na produção dramatúrgica de José Régio.
Esta peça de teatro causou grande escândalo na altura da sua primeira encenação, tendo gerando paixões entre os que a criticavam e a aplaudiam.
A crítica, por sua vez, recebeu calorosamente esta obra, tendo mesmo Jorge de Sena considerado que neste tipo de literatura estava o que de melhor José Régio fazia.
Salvação do Mundo: Tragicomédia em Três Actos de José Régio. Editorial Inquérito. Lisboa, 1954, 304 págs. B.
“Salvação do Mundo” é uma peça relevante para o estudo da literatura portuguesa e da história social e política do país, destacando a capacidade de José Régio de retratar a complexidade humana e os desafios da sociedade com humor e crítica.
📕 1ª Edição.
✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
O segundo romance do ciclo A Velha Casa, As Raízes do Futuro (1947), medeia entre o retorno de Lelito (Manuel Trigueiros, o segundo de quatro filhos do casal Maria Teresa e Martinho Trigueiros) e a morte de madrinha Libânia, a matriarca da família e a proprietária efectiva da casa. Se Uma Gota de Sangue não dava qualquer pista que permitisse compreender a época em que decorria a acção romanesca, o segundo informa que se estava em 1920. Esta indicação não é despicienda para a compreensão da trama narrativa. Está-se no início dos chamados loucos anos 20. Não é que numa aldeia rural, Azurara, do concelho de Vila do Conde haja referência existencial ao modo de vida que a expressão consagra, mas de uma maneira ou de outra o Zeitgeist haveria de encontrar maneira de ali se reflectir, ainda que de forma imperceptível para os próprios habitantes.
Líricas Portuguesas (1ª Série) de José Régio. Portugália Editora. Lisboa, s.d., 408 págs. B.
Apreciada antologia, cuja selecção esteve a cargo de José Régio, Cabral do Nascimento, Jorge de Sena e António Ramos Rosa. No dizer de Sena: “Não há qualquer comparação possível entre estas três séries da ‘Líricas Portuguesas’ a não ser ser a relativa subordinação de três personalidades intectualmente a artìsticamente muito diversas — os antologizadores — a um editorial desígnio comum.
Encruzilhadas de Deus de José Régio. Portugália Editora. Lisboa, 1960, 212 págs. B
Com o livro de estreia – Poemas de Deus e do Diabo (1925) – José Régio apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade; a consciência da frustração de todo o amor humano; o orgulhoso recurso à solidão; a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante si mesmo.
Após a publicação deste livro, José Régio tem em mente dar continuidade à temática religiosa. Para tal, vai reunindo poesias em dois cadernos que intitula de Novos Poemas de Deus e do Diabo. O projecto sucessivamente alterado, nunca se concretizou.
Muitos desses poemas vão dar origem à obra As Encruzilhadas de Deus, livro tido como a sua obra-prima, onde atingiu os momentos mais altos da sua poesia, torrencial e reflexiva, lírica e dramática ao mesmo tempo.
📕 4ª Edição.
📝 Assinatura de posse.
👨🏻🎨 Ilustrações de Manuel Pavia
Chaga do Lado: Sátiras e Epigramas de José Régio. Portugália Editora. Lisboa, 1956, 91 págs. B.
José Régio (1901-1969) é um escritor fundamental da história da literatura portuguesa. Impondo-se como o principal mentor do movimento presencista, Régio criou uma nova postura estética e ética que dominou o panorama nacional durante longos anos. Estreando-se com o livro Poemas de Deus e do Diabo, desde logo se afirmou como uma voz única, que tem na irreverente independência criadora do poema «Cântico Negro» um sinal da sua actualidade, ao ponto de o seu «… não vou por aí!» ter entrado na linguagem comum, no que será um dos casos raros na nossa história literária.
«Diverso e uno», deixou-nos uma obra que se estende pelos vários meios da expressão literária, indo da poesia, do romance, da novela e do conto, ao teatro, ao ensaio e à crítica, passando pela obra íntima, o que faz dele o nosso mais imprescindível escritor e autor em cada género que abordou. Títulos como Poemas de Deus e do Diabo ou Biografia, na poesia; O Príncipe com Orelhas de Burro ou A Velha Casa, na ficção; Benilde ou A Virgem Mãe ou Jacob e o Anjo, no teatro; Ensaios de Interpretação Crítica, no ensaio, ou Confissão dum Homem Religioso, nos escritos íntimos, poderão ser apontados como alguns dos títulos regianos a incluir urgentemente em qualquer biblioteca.
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