Não se trata de um livro de história ou de geografia, nem tão-pouco de um inventário das terras portuguesas ou de um prontuário de curiosidades lo- cais. Como nos diz o autor, este Itinerário Português é, antes de mais, um caminho público, um percurso real, a viagem que qualquer um de nós pode fazer. Aceitemos a sugestão: viagemos; tomemos a estrada deste livro e descubramos um Portugal onde, de norte a sul, no interior ou no litoral, no velho continente ou nas ilhas do Atlântico, as cidades se tornam de repente lugares de descoberta, de memória e de reflexão sobre o passado e o presente de um povo. Deixemo-nos conduzir por este guia excepcional, este comunicador singular que, do início ao fim da viagem», faz falar as cidades, levanta questões nunca antes suscitadas, propõe soluções para a decifração de um passado que é o nosso.
Ao longo do caminho descobriremos, fascinados, os lugares que desconhecíamos, recordaremos com saudade outros que há muito visitámos e decerto reconheceremos, sóbrios e atentos, a terra onde moramos. Mas a visita será sempre um novo olhar cheio de revelações surpreendentes; e a cidade, no fim da estrada (como nas viagens verdadeiras), um lugar de fascínio e contemplação: um tempo para pensar.
Ditos Portugueses de José Hermano Saraiva. Publicações Europa-América. Mem Martins
Cruel depoimento da sociedade do século XVI, esta compilação de ditos alheios retrata com mordacidade a sociedade em que o autor viveu, revelando os aspectos mais secretos e, por vezes, escandalosos das vivências quotidianas. Vem à superfície o Portugal íntimo e profundo, das situações comezinhas, das mesquinharias, da invenja, num tomo irreverente que acusa uma velada preocupação com a situação que se vivia.
Numa linguagem desbragada e eivada de sarcasmo, denuncia-se um país fendido pela intolerância e pela cupidez, onde se assiste ao naufragar das estruturas morais e ao esboroar das estruturas económicas. Como escreveu José Hermano Saraiva, «é a paciente e dolorosa análise do quadro sombrio que Camões definiu numa síntese célebre: a Pátria metida no gosto da cobiça e na rudeza de uma austera, apagada e vil tristeza».
Hoje o sebastianismo tem principalmente o valor de tema literario. Serve de ingrediente para especulações mais ou menos brilhantes e engenhosas sobre algo que não se sabe bem 0 que é, mas se costuma designar por caracteristicas, ou dimensões fundamentais, ou marcas originais da alma por tuguesa. Posição que talvez represente ainda uma forma pedante e letrada do sebastia nismo nacional. E uma ma neira cómoda de falar do povo sem fazer nada por ele. E um alibi que prefere interpretar como um mito poético ou aceitar como tema de ensaio uma atitude cujas verdadeiras raizes são o subdesenvolvi. mento, a credulidade, a con formação que nem sequer há a coragem de se confessar aberta mente, porque se ilude a si mesma com a esperança de uma libertação gratuita, vinda de fora, descida do céu, ofere cida de algum dos lados do nosso dividido mundo. Mas sempre uma libertação em que não tenhamos de correr gran des riscos, abdicar seja do que for, assumirmo-nos a nós pró prios ou à nossa verdade. Que nos dispense, em suma, de sermos nós o D. Sebastião.
«Muitas vezes, e em muitas circunstâncias, me pediram que indicasse numa História de Portugal abreviada, livro que não demorasse muito tempo a ler, mas desse uma imagem global da evolução histórica do povo português. Livro que não contivesse mais do que o essencial, mas não ficasse pelo nível elementaríssimo dos vários epítomes escolares.
Foi esse o livro que pretendi escrever.»
Formação do Espaço Português de José Hermano Saraiva.
Ministério da Educação Nacional. Lisboa, 1970, 179 págs. B.
A Colecção Educativa, criado no Estado Novo, almejava servir de apoio à educação de adultos, procurando ao mesmo tempo sublinhar os valores e lealdade pátrios: cada volume continha uma citação do Chefe da Nação, Salazar. Dividia-se em séries temáticas: A – Doutrina, B – Informação e Propaganda, C -Educação Supletiva de Adultos, D – História Pátria, E – Geografia de Portugal, F – Arte Portuguesa, Etnografia e Folclore, G – Literatura e Pensamento Português, H – Educação Moral e Cívica, I – Educação Familiar, J – Educação Sanitária, Educação Física e Desporto, L – Aperfeiçoamento Profissional, M – Organização, Previdência Social e segurança e no Trabalho, N – Agricultura, Pecuária, Indústrias Caseiras e Artesanato e, por fim, O – Livros Recreativos.
Acção e Doutrinação de José Hermano Saraiva. Centro de Estudos Político-Sociais. Lisboa, 1947, 152 págs. B.
REUNIMOS neste pequeno volume alguns escritos de índole política.
São todos, com excepção do último, textos de discursos proferidos em sessões de propaganda eleitoral promovidas pela União Nacional. Versando temas diferentes, apresentam todos a característica comum do intuito da doutrinação política; isto é: em todos houve a preocupação de, para além da referência aos problemas pendentes no momento em que foram realizados, acrescentar considerações sobre alguns pontos elementares, mas cuja vulgarização temos por importante, do pensamento político.
✍🏻 Edição autografada pelo autor. 📖 Exemplar por abrir
Para proporcionarmos a melhor experiência possível, utilizamos tecnologias como cookies para armazenar e aceder a informações do dispositivo. O consentimento permite-nos processar dados como o comportamento de navegação ou identificadores únicos neste sítio. Não consentir, ou retirar o consentimento, pode afectar negativamente certas funcionalidades.
Funcional
Sempre ativo
O armazenamento ou acesso técnico é estritamente necessário para o fim legítimo de permitir a utilização de um serviço expressamente solicitado pelo assinante ou utilizador, ou para o fim exclusivo de efectuar a transmissão de uma comunicação numa rede de comunicações electrónicas.
Preferências
O armazenamento ou acesso técnico é necessário para o propósito legítimo de armazenamento de preferências não solicitadas pelo assinante ou utilizador.
Estatísticas
O armazenamento ou acesso técnico utilizado exclusivamente para fins estatísticos anónimos. Sem uma intimação, sem a colaboração voluntária do seu fornecedor de serviços de Internet, ou sem registos adicionais de terceiros, a informação armazenada ou recuperada apenas para este fim não permite, em geral, identificá-lo.O armazenamento técnico ou acesso que é usado exclusivamente para fins estatísticos anónimos. Sem uma intimação, conformidade voluntária por parte do seu Fornecedor de Serviços de Internet ou registos adicionais de terceiros, as informações armazenadas ou recuperadas apenas para esse fim geralmente não podem ser usadas para identificá-lo.
Marketing
O armazenamento ou acesso técnico necessário para criar perfis de utilizador, enviar publicidade ou rastrear o utilizador num ou em vários sítios para fins de marketing.