O Estrangeiro de Albert Camus Livros do Brasil. Lisboa, 2006, 127 págs. B.
Meursault recebe um telegrama: a mãe morreu. De regresso a casa após o funeral, enceta amizade com um vizinho de práticas duvidosas, reencontra uma antiga colega de trabalho com quem se envolve, vai à praia – até que ocorre um homicídio.
Romance estranho, desconcertante sob uma aparente singeleza estilística, em O Estrangeiro joga-se o destino de um homem perante o absurdo e questiona-se o sentido da existência. Publicado originalmente em 1942, este primeiro romance de Albert Camus foi traduzido em mais de quarenta línguas e adaptado para o cinema por Luchino Visconti em 1967, sendo indubitavelmente uma das obras-primas da literatura francesa do século XX. Esta edição foi revista de acordo com o texto fixado pelo autor.
Possessos de Albert Camus. Edição Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 289 págs. B.
O malogrado autor cuja obra «Livros do Brasil tem publicado (A Peste, A Queda, O Estrangeiro, O Exílio e o Reino, O Avesso e o Direito) não só foi dramaturgo em Caligula, O Equivoco, Os Justos e Estado de Sitio, mas deixou uma vasta série de adaptações de textos dramáticos, originalmente peças de teatro ou romances, a que atribuía excepcional valor, não à história ou anedota, mas às verdades profundas que as acções convencionais e as formas literárias escondiam sob a sua roupagem tradicional. Para Camus, o entrecho é menos importante que a sua ressonância. Assim ele criou imagens cénicas novas para obras de Lope de Vega, Faulkner, Ésquilo, Calderon e finalmente para Dostoievski, que Camus considerava o maior profeta do nosso tempo, um criador cuja influência se mostrou mais determinante que a do próprio Marx. A escolha dos Possèdès, essa grandiosa obra de Dostoievski, para exercer sobre ela a sua teoria do Teatro concentrado, nu e eficaz, não foi sem razão nem por mero exercício dramático. Nos Possessos (em russo Os Demónios) encontra-se prevista a aventura de um povo que desconhecendo os princípios sociais caminha para a perdição julgando salvar-se.
O Primeiro Homem de Albert Camus.
Livros do Brasil. Lisboa, 2018, 252 págs. B.
O manuscrito por terminar de O Primeiro Homem foi descoberto nos destroços do acidente de automóvel que vitimou Albert Camus, em 1960. Embora tenha permanecido inédito durante mais de trinta anos, tornou-se um bestseller imediato quando finalmente foi publicado em 1994.
O «primeiro homem» é Jacques Cormery, um rapaz que vive uma vida sem igual. O escritor francês, Nobel da Literatura em 1957, convoca o panorama, os sons e as texturas de uma infância circunscrita pela pobreza e pela morte de um pai, mas redimida pela beleza austera de Argel, pelo amor que Jacques tem à mãe e à avó, e por um professor que transformará a sua visão do mundo.
O mais autobiográfico de todos os romances de Camus – que lhe chamou o seu Guerra e Paz e é ele próprio Jacques Cormery – oferece ao leitor um olhar singular sobre a vida do autor e sobre os temas poderosos transversais a toda a sua escrita: a consumação brilhante da vida e obra de um dos maiores romancistas do século xx.
A Queda de Albert Camus. Livros do Brasil. Lisboa, 2008, 113 págs. B.
Num bar de marinheiros em Amsterdão, um homem que se apresenta como juiz-penitente enceta conversa com um desconhecido. Entre copos de genebra e deambulações pelas ruas daquela cidade de canais concêntricos, a fazer lembrar os círculos do inferno, recorda a sua vida passada como respeitável advogado parisiense, insuperável na defesa de causas nobres e nas conquistas amorosas. Mas à medida que a confissão se desenrola as ambiguidades acumulam-se, os motivos ocultos revelam-se, os triunfos desabam.
Narrativa mordaz, de uma ironia brilhante, A Queda descreve uma viagem de decadência até às mais obscuras infâmias do homem moderno. Publicado pela primeira vez em 1956, foi o último livro de ficção lançado em vida por Albert Camus.
« Deux siècles de révolte, métaphysique ou historique, s’offrent justement à notre réflexion. Un historien, seul, pourrait prétendre à exposer en détail les doctrines et les mouvements qui s’y succèdent. Du moins, il doit être possible d’y chercher un fil conducteur. Les pages qui suivent proposent seulement quelques repères historiques et une hypothèse de lecture….
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