Morreste-me de José Luís Peixoto
Quetzal Editores. Lisboa, 2021, 67 págs. E.
Morreste-me, texto que deu a conhecer o jovem escritor José Luís Peixoto, é uma obra intensa, avassaladora e comovente: é o relato da morte do pai mas, sobretudo, o relato do luto, e ao mesmo tempo uma homenagem, uma memória redentora.
Toda o livro é um diálogo com o pai e a sua ausência, apelando tanto aos motivos da recordação como da necessidade de sobreviver à perda.
Foi durante esse doloroso luto, mergulhado em sofrimento mas, também, transportado por uma melancolia salvadora, que José Luís Peixoto escreveu um livro que se tornou referência para leitores em todo o mundo que, partilhando ou não a sua experiência, se reconhecem numa obra intensa, poderosa, cheia de ternura e compaixão. Raramente a literatura portuguesa produziu um livro tão partilhado.
O Caminho Imperfeito de José Luís Peixoto Quetzal Editores. Lisboa, 2017, 189 págs. B.
Entre Banguecoque e Las Vegas, José Luís Peixoto regressa à não-ficção com um livro surpreendente, repleto de camadas, de relações imprevistas, transitando do relato mais íntimo às descrições mais remotas e exuberantes. O Caminho Imperfeito é, em si próprio, a longa viagem a uma Tailândia para lá dos lugares-comuns do turismo, explorando aspetos menos conhecidos da sua cultura, sociedade, história, religiosidade, entre muitos outros.
A sinistra descoberta de várias encomendas contendo partes de corpo humano numa estação de correios de Banguecoque fará que, com consequências imprevisíveis, a deambulação se transforme em demanda. Todos os episódios dessa excêntrica investigação formam O Caminho Imperfeito e, ao mesmo tempo, constituem uma busca pelo sentido das próprias viagens, da escrita e da vida.
Galveias de José Luís Peixoto. Quetzal Editores. Lisboa, 2014, 278 págs. B.
Galveias está entre os grandes romances alguma vez escritos sobre a ruralidade portuguesa.
O universo toca uma pequena vila com um mistério imenso. Esse é o ponto de acesso ao elenco de personagens que compõe este romance e que, capítulo a capítulo, ergue um mundo.
Como uma condensação de portugalidade, Galveias é um retrato de vida, imagem despudorada de uma realidade que atravessa o país e que, em grande medida, contribui para traçar-lhe a sua identidade mais profunda.
Manhã Submersa de Vergílio Ferreira Quetzal Editores. Lisboa, 2008, 187 págs. B.
O despertar para a vida de uma criança, entre a austeridade da casa senhorial de D. Estefânia, a sensualidade da sua aldeia natal e o silêncio das paredes do seminário. Um jovem seminarista de 12 anos, é obrigado a ir para o seminário. E a história desenrola-se em torno das vivência e sentimentos que o jovem seminarista vai experimentando. Num ambiente negro, triste, ríspido e severo do seminário, o jovem descobre-se e descobre o mundo que o rodeia: a repressão na educação, a pobreza da sua terra, as desigualdades sociais, o desejo do seu corpo, a camaradagem, a amizade, o amor.
Remorso de Baltazar Serapião de Valter Hugo Mãe
Quetzal Editores. Lisboa, 2008, 174 págs. B.
Prémio José Saramago, 2007
As mulheres assistem ao mundo como presas dos homens. A história do mundo revela tempos em que a mulher mais não é do que um instrumento da vida do homem. Neste romance, valter hugo mãe torna impossível ignorar este facto.
Criador de uma linguagem exuberante, e deitando mão à mais rica imaginação, o autor explica o amor a partir do ponto de vista tremendo do machismo. Esta é a aventura de um homem que, casando com a moça mais bonita da sua terra, se deixa corromper pelo preconceito e pela pobre tradição.
Entre ser divertido e cruel, o remorso de baltazar serapião é um marco fundamental na literatura portuguesa contemporânea.
A Vida no Céu de José Eduardo Agualusa Quetzal Editores. Lisboa, 2013, 186 págs. B.
«Depois que o mundo acabou fomos para o céu.» Assim começa este romance. Na sequência de um desastre de proporções bíblicas – o Dilúvio -, os ricos das grandes cidades constroem enormes dirigíveis e vão viver para o céu. Os pobres improvisam balões, que prendem uns aos outros, ligados a redes, formando imensas aldeias flutuantes. Carlos Tucano nasce numa destas aldeias. É, portanto, um filho do céu. Esta é a sua história. Carlos deixa a aldeia onde nasceu e parte à procura do pai, desaparecido numa tempestade. Ao longo desta peregrinação, vai-nos dando a ver a vida no céu, com os seus prodígios, os seus mistérios, e também os seus desa- certos, ao mesmo tempo que estabelece ligações com toda uma galeria de personagens extraordinários – uma curandeira e sonhadora profissional sul-africana, um pirata indonésio arrependido, um navegador solitário cego, além de uma jovem adolescente rebelde, Aimée, que conhece no mais belo dirigível do mundo – o Paris.
Segundo o Dicionário dos Nefelibatas, incluído no livro, as nuvens (água em estado onírico) são o alfabeto do céu.
Este romance ajuda-nos a decifrá-las.
📕 1ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Livro de José Luís Peixoto Quetzal Editores. Lisboa, 2010, 263 págs. B.
Este livro elege como cenário a extraordinária saga da emigração portuguesa para França, contada através de uma galeria de personagens inesquecíveis e da escrita luminosa de José Luís Peixoto. Entre uma vila do interior de Portugal e Paris, entre a cultura popular e as mais altas referências da literatura universal, revelam-se os sinais de um passado que levou milhares de portugueses à procura de melhores condições e de um futuro com dupla nacionalidade. Avassalador e marcante, Livro expõe a poderosa magnitude do sonho e a crueza, irónica, terna ou grotesca, da realidade. Através de histórias de vida, encontros e despedidas, os leitores de Livro são conduzidos a um final desconcertante onde se ultrapassam fronteiras da literatura. Livro confirma José Luís Peixoto como um dos principais romancistas portugueses contemporâneos e, também, como um autor de crescente importância no panorama literário internacional.
📕 1ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Doença como Metáfora de Susan Sontag Quetzal Editores. Lisboa, 2010, 188 págs. B.
Em 1978, quando convalescia de cancro, Susan Sontag escreveu A Doença como Metáfora, um notável ensaio sobre a utilização alegórica, e frequentemente culpabilizante, da doença na nossa cultura. Tornou-se num clássico que a revista Newsweek considerou “Um dos livros mais libertadores do seu tempo”. O objectivo da autora consiste em retirar ao cancro o estigma alegórico que sobre ele pesa e mostrar que é apenas uma doença. Neste livro, Susan Sontag defende que a maneira mais autêntica de enfrentar a doença – e a maneira mais saudável de estar doente – é resistir a esse pensamento metafórico.
Trevas de Luz de Richard Zimler Quetzal Editores. Lisboa, 1998, 195 págs. B.
Trevas de luz é a história de Bill Ticino, um jornalista que mora em San Francisco, e de seu encontro consigo mesmo – com seus valores, crenças e fantasias. Depois que sua mulher Alexandra deixa a casa e o casamento chega ao fim, Bill entra em pânico. Volta-lhe o medo de dormir no escuro, ouve sons inquietantes, vislumbra sombras na escuridão da casa em que vive só. Lembranças do passado, do pai autoritário e da mãe omissa visitam-no todas as noites. Jay, seu único irmão, com quem ele não tem a menor afinidade, é uma presença que o exaspera. À medida que sua solidão interna e externa aumenta, Bill vai caindo num terror em que teme se perder. É então que ele resolve alugar uma parte da casa: desse modo terá alguém por perto, uma companhia. É assim que Peter aparece na vida de Bill. Peter é funcionário do consulado brasileiro em San Francisco. Criado numa colônia portuguesa da África, morou muitos anos no Brasil antes de se mudar para os Estados Unidos. Tudo o que cerca a vida de Peter intriga Bill: o modo como ele se comporta, seu sensibilíssimo olfato, os objetos que guarda em seu quarto, o pássaro de estimação – Maria -, as histórias quase fantásticas que ele conta, seus amigos… Para Bill, a convivência com Peter é tranqüilizadora de um lado e inquietante de outro. Ela mexe com todos os seus sentidos, perturba seu cérebro lógico, onde não há espaço para as sutilezas de Peter. Embora Bill relute, resista e até adoeça, finalmente ele embarca numa viagem que o levará bem mais longe do que poderia imaginar no momento da partida.
O Que Não Pode Ser Salvo de Pedro Vieira.
Quetzal Editores. Lisboa, 2015, 286 págs. B.
Um triângulo amoroso que liga França, o Norte rural português, Lisboa e a margem sul. Uma jovem francesa, filha de emigrantes portugueses, que vem viver para a terra a que não pertence; um rapaz que luta para sair do meio devorador em que nasceu; um miúdo burguês, canhestro, com uma família de fachada; e um quarto elemento que completa o elenco de uma tragédia contemporânea de ressonâncias clássicas: história de amor, racismo, ciúme, traição, vingança e inquietação, qual Otelo de Shakespeare e de fancaria na era do rap, do Facebook e do call center. O Que Não Pode Ser Salvo é também o retrato dos males sociais e culturais que afligem um país enfraquecido pela crise económica e a falência dos valores.
✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados. 📕 1ª Edição.
Hoje Estarás Comigo no Paraíso de Bruno Vieira Amaral Quetzal Editores. Lisboa, 2017, 363 págs. B.
Em Hoje Estarás Comigo no Paraíso, Bruno Vieira Amaral, desenha uma investigação do assassínio do primo João Jorge – morto no bairro em que ambos viviam no início dos anos 80 – e usa essa investigação como estratégia de recuperação e construção da sua própria memória: a infância, a família, o bairro e as suas personagens, Angola antes da Independência e nos anos que se lhe seguiram, e a figura (ausente) do pai.
Na reconstituição da personalidade e do percurso da vítima, da noite em que tudo aconteceu, na apropriação que o narrador faz de uma ligação com João Jorge (mais ou menos forjada pelos mecanismo da memória) – e de que faz parte essa busca mais ampla das dobras do tempo e do esquecimento – são utilizados os mais diversos materiais: arquivos da imprensa da época, arquivos judiciais, testemunhos de amigos e familiares, e a literatura, propriamente dita – como uma possibilidade de verdade, sempre.
✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados. 📕 1ª Edição.
Última Paragem Massamá de Pedro Vieira. Quetzal Editores. Lisboa, 2011, 207 págs. B.
Esta é a história de um homem e de uma mulher, Lucas e Vanessa. Do seu amor trágico, como são todos, e de uma Cidade com vista para muitas vidas. Também é a história de uma doença e de uma saída de cena, de uma frustração que não se cura. Ontem, na Floresta de Teutoburgo, onde fracassaram as legiões de Públio Quintílio Varo, hoje, em Massamá, onde acaba de ruir uma hipótese de redenção. Nos dois casos, o mesmo desenlace, com mais ou menos Império em pano de fundo. No lugar do traidor Armínio, motivado pela ambição, apresenta-se João, portador de um evangelho com saída para lugar nenhum. A estação de comboio, o trabalho, o vaivém daqueles que vivem de par em par com aquilo que lhes está destinado. O acaso. Crónica de uma, duas mortes anunciadas, a segunda por decisão natural de Vanessa, mulher investida de toda a autoridade. Faltam dois minutos e picos, 127 segundos, pouca-terra, pouca-terra, é só o que ela pede. Ou pelo menos que lhe seja leve.
Sangue Romano: Um Mistério na Roma Antiga de Steven Saylor. Quetzal Editores. Lisboa, 2003, 428 págs. B.
Este é o primeiro volume da série policial “Roma sub-Rosa”, cuja acção se desenrola na Roma Antiga. A acção desenrola-se na Primavera de 80 a.C., quando Gordiano o Descobridor é chamado à casa de Cícero, um jovem advogado e orador que se prepara para o seu primeiro caso de relevo. O cliente de Cícero é Sexto Róscio, um proprietário da Úmbria, acusado da morte do próprio pai. Gordiano vai deparar-se com uma nefasta teia de traições, falsidade e conspiração, típica daquela sociedade. E terá que se preparar para um espectacular desfecho deste terrível e intrincado caso…
AS PRIMEIRAS COISAS DE BRUNO VIEIRA AMARAL Quetzal Editores. Lisboa, 2013. 301 págs. B.
Primeiro romance de Bruno Vieira Amaral, Prémio José Saramago 2015 [entre outros]. Ambientado no Bairro Amélia, um bairro da Grande Lisboa, a narrativa fragmentada reúne múltiplas histórias de personagens cujos destinos se entrecruzam: mortes, desaparecimentos, vinganças, amores, crimes e uma humanidade inteira que arde na comunidade retratada com um olhar ao mesmo tempo duro e compadecido.
────────────────── Características do Exemplar
✅ Sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Peso: 300g
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O Mundo Branco do Rapaz Coelho de Possidónio Cachapa.
Quetzal Editores. Lisboa, 2009, 260 págs. B.
Num mundo coberto de neve e gelo, Alice agarra-se à vida enquanto o seu passado se vai materializando aos poucos. Longe dali, um rapaz-coelho desespera pela consumação da sua pulsão erótica por Miss Turtle, tentadora e maliciosa como toda a rapariga-manga. Por cima de ambos, sobrevoam figuras negras em busca dos mais fracos, para os consolar na morte.
Um romance intenso, repleto de personagens fascinantes que habitam um universo à beira da destruição.
Cola de Irvine Welsh Quetzal Editores. Lisboa, 2004, 618 págs. B.
“Cola” conta, no estilo de culto de Welsh, a história de quatro rapazes que crescem nas ruas e bairros sociais de Edimburgo,cuja construção na década de 70 abriu caminho à pobreza, desemprego e crime que assolou aquela cidade escocesa entre as décadas de 80 e 90. É desde o início dos anos 70 até ao novo milénio que o leitor vai acompanhando a vida delirante destes rapazes: Terry Lawson, calão e tarado sexual; Carl Ewart, DJ; Billy Birrell, boxer; e Andrew Galloway, toxicodependente a quem é diagnosticada SIDA. Uma viagem ao mundo da criminalidade, do sexo, das drogas, passando pelo “punk” até ao “house”, pelo “techno” até ao “underground”. Cada um dos protagonistas tenta safar-se como pode debaixo do insustentável peso cultural, social e familiar que carregam consigo. Aquilo que os une é uma amizade enraizada no bairro e na escola e na vontade de fugir de ambos, mantendo sempre entre si um código moral à prova de bala.
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