A Arte de Dormir Sozinha de Sophie Fontanel. Guerra e Paz Editores. Lisboa, 2014, 156 págs. B
A autora deste livro insubordinou-se. Aos 27 anos, o seu corpo e a sua cabeça juntaram-se e decidiram a mesma coisa: por perda do desejo recusaram-se a ter vida sexual. Durante 12 anos, uma jornalista francesa, uma atractiva mulher parisiense, escolheu a abstinência sexual.
E como é que o mundo à volta dela reagiu? Com desconfiança e em estado de choque.
É essa experiência que Sophie Fontanel testemunha neste livro. O mundo dela é um mundo de glamour, um mundo de homens apetecíveis e disponíveis.
Mas Sophie deixou de ter vontade e descobriu, nessa ausência de desejo, um outro mundo de liberdade e de sensualidade. Este é um livro perigoso: as suas convicções sobre o amor, o sexo e o casamento vão sofrer um abalo.
Dos aspectos físicos aos comportamentos quotidianos, da atitude até à idade, Helena Sacadura Cabral revela-nos, na primeira pessoa, mas também através da voz de muitas mulheres portuguesas, alguns dos mais bem guardados segredos femininos.
Porque ainda hoje são misteriosos os caminhos que levam uma determinada mulher a interessar-se por um determinado homem. Será apenas uma questão física, ou serão os comportamentos e a comunhão de gostos e interesses que comandam esse mútuo impulso?
Com a sua experiência de vida e sensibilidade, a autora aponta rotas possíveis para a insondável fórmula da atracção e do amor, numa tentativa de perceber aquilo que as mulheres, especialmente as portuguesas, gostam nos homens. Não esquecendo, aliás, o levantamento sociológico, que a leva a interrogar-se sobre se haverá, de facto, um “novo homem” português, ou sobre se continuará a existir o eterno sonho feminino de uma viagem feita a dois.
Um livro que vale a pena ler, porque fala de nós, de todos nós, homens e mulheres. Edição ilustrada.
69 Contos Urbanos de Vícios Privados de Daniela Oliveira. Guerra e Paz. Lisboa, 2010, 198 págs. B.
Contadas de forma descontraída, mas vividas com uma intensidade inebriante, as 69 histórias de Daniela Oliveira falam das vivências e devaneios característicos de uma sexualidade livre, sem preconceitos.
Com princípio, meio e fim, homens e mulheres cruzam-se, trocam olhares e conversam antes de partilharem o prazer carnal.
Um livro para ler com uma atitude positiva, que lhe proporcionará momentos de muito boa disposição ao relembrar um episódio vivido, uma confissão de uma amiga ou, quem sabe, um ímpeto secreto há muito contido.
Pessoas Felizes Lêem e Bebem Café de Agnès Martin-Lugand. Guerra e Paz. Lisboa, 2014, 207 págs. B.
Depois da morte do marido e da filha num brutal acidente de automóvel, Diane fecha-se em casa durante um ano, imersa em recordações, incapaz de reagir. Mas, quando já nada parece poder mudar, é precisamente uma dessas recordações que a faz escolher Mulranny, uma pequeníssima aldeia na Irlanda, como destino.
Instalada numa casa em frente ao mar, Diane é gentilmente recebida por todos os habitantes – todos menos um. Será Edward, o bruto e antipático vizinho, a resgatar Diane da apatia em que parece estar novamente a mergulhar. Primeiro, pela ira e pelo ódio. Mas depois, contra todas as expectativas, pela atracção. Como enfrentar este turbilhão de sentimentos? O que fazer com eles?
Mitos da Economia Portuguesa de Álvaro Santos Pereira. Guerra e Paz. Lisboa, 2011, 222 págs. B.
Escrito num estilo deliberadamente informal, este livro pretende diagnosticar os males da economia nacional, de uma forma acessível a todas as pessoas – e não apenas aos economistas. Aqui se analisam factos que se podem considerar autênticos mitos contemporâneos – vivemos mesmo “a maior crise da história”?, o que é e como se demonstra “a paixão pela educação”?, “o perigo espanhol” é real ou imaginário?, “a independência da Madeira” é viável e benéfica para o país?, Portugal é “um país sem futuro”?, entre outros. O livro encontra-se dividido em quatro partes: Os Incentivos, As Causas e Consequências do Mal-Estar, A Miragem das Soluções e O País à Beira-Mar Plantado. No desenvolvimento, o autor aprofunda temas tão interessantes quanto a razão de os economistas falharem (quase sempre) as suas previsões, os motivos pelos quais os portugueses chegam sempre tarde aos seus compromissos (excepto à missa ou ao futebol) ou os fundamentos para termos salários mais baixos que os alemães, mas mais altos que os chineses. E há conclusões insólitas. Por exemplo: a crise actual foi a melhor coisa que nos poderia ter acontecido, devíamos exportar os nossos gestores e sindicatos, e precisamos de mais ucranianos e brasileiros. Mais do que apontar as soluções para os nossos problemas económicos, pretende-se antes dar um contributo para a compreensão daquilo que está em causa, descodificando muitos dos debates que aparecem filtrados pela linguagem técnica.
Viagem ao Fim do Coração de Ana Casaca. Guerra e Paz. 2014, 327 págs. B.
Num romance toda a nossa vida: como a queremos, como às vezes não a queremos.
Luísa ainda era uma adolescente. Tiago já era um jovem adulto. Conheceram-se na solidão de uma pequena praia, na margem de um rio. Tinham em comum uma relação familiar traumática. Num caso, o trauma do amor dos pais. No outro, o trauma do ódio dos pais. Conheceram-se num dia que pareceu conter uma vida inteira. Mas teriam ficado separados para sempre, se a invisível linha de uma doença que rói o corpo e anuncia a morte não os tivesse voltado a ligar, dezasseis anos depois. Luísa e Tiago podem até redescobrir o amor, mas apenas se a silenciosa presença das metástases não se alastrar aos seus corações.
Viagem ao Fim do Coração é mais do que uma comovente história de amor. É a recriação de um admirável mundo de pais e mães, filhos e irmãos, ódios e amores. Revela os pesadelos de um cancro injusto, mas não abdica do que é humano e essencial, o sonho.
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