Autópsia dos Estados Unidos de L. L. Matthias
Editora Ulisseia. Lisboa, s.d., 321 págs. B.
De todas as obras publicadas nos últimos dez anos sobre os Estados Unidos, este estudo de L. L. Mathias é indiscutivelmente o que atingiu uma celebridade ímpar à escala mundial e se tornou, pela multiplicidade de aspectos focados e pelo escrúpulo da informação, um livro-chave da análise do homem americano.
O prestígio da obra ultrapassou os círculos especializados e atingiu de há muito a grande massa da opinião pública, podendo dizer-se que não há actualmente estudo ou ensaio acerca do problema que não cite ou não se fundamente na assombrosa visão de L. L. Mathias.
Elaborada num contacto directo de mais de uma dezena de anos com a realidade que traduz e referenciado por uma infinidade de elementos exclusivamente americanos, AUTOPSIA DOS ESTADOS UNI-DOS tem o rigor dos documentos objectivos e a sedução dos grandes relatos vividos em que a experiência se alia a uma interpretação sociológica para nos dar a estrutura de um padrão de vida e o perfil de um tipo de homem nos seus aspectos singulares.
Abismo de Lincoln Child
Editora Ulisseia. Lisboa, 2008, 336 págs. B.
Ao investigar o assassínio do holandês Piet Jansen, Yusuf Khalifa, protagonista de O Exército Perdido e O Labirinto de Osíris, constata uma série de coincidências com o primeiro caso de que se ocupara há treze anos, quando uma israelita de nome Hannah Schlegel fora encontrada morta em Karnak. Contra a opinião dos seus superiores hierárquicos, o inspector Yusuf decide reabrir esse primeiro caso, mas para o fazer é obrigado a colaborar com um antipático detetive israelita, Arieh Ben-Roi, o qual, por sua vez, depende das informações que lhe são fornecidas por uma jornalista palestiniana de Jerusalém. Esta receberá uma carta anónima, cujo autor afirma estar na posse de dados suscetíveis de alterar a balança de poder no Médio Oriente, e se propõe oferecer-lhe o maior furo jornalístico da sua carreira, relacionado com um estranho manuscrito medieval. Compreende-se assim, aos poucos, que a identidade do assassino de Hannah Schlegel está ligada a um mistério que envolve um antigo tesouro religioso roubado de Castelombres, em França, e ao destino de alguns velhos simpatizantes do nazismo.
A Espuma dos Dias de Boris Vian.
Ulisseia Editores. Lisboa, 1983, 222 págs. B. Clássicos do Romance Contemporâneo | 23
«Chamaram-lhe, alguns, a obra-prima do autor. E num prefácio que andou durante muito tempo colado ao seu Arranca-corações, Raymond Queneau não hesitava perante um rótulo hierarquizante e audacioso: “o mais pungente dos romances de amor contemporâneos”. Nos anos sessenta, A Espuma dos Dias circulou com estas difíceis responsabilidades.
Enfrentou-as mostrando a singularidade de um universo ainda não conhecido com tanto talento na literatura; que se comprazia a impor aos homens e aos objectos leis novas, interdependentes. De facto, os objectos que lá existiam tinham um comportamento emotivo e implacavelmente ligado aos estados de alma de quem os utilizava. O que já antes parecia sugerido por Edgar Allan Poe em A Queda da Casa Usher, assumia ali uma evidência despudorada que corria em dois sentidos, de sol e sombra, e nos informava muito mais sobre o interior das personagens do que qualquer alusão directa que o texto chegasse a fazer.»
Vagueando Pela América de Erskine Caldwell. Editora Ulisseia. Lisboa, 1966, 198 págs. B. Colecção: Vária | 11
«Acompanhado de sua mulher, Erskine Caldwell percorre mais de 25000 milhas do grande país americano. Evitando os lugares turísticos, mergulha directamente na vida de um povo paradoxal, captando-lhe os contrastes e o significado. Mais do que um exercício de estilo, dá-nos o relato fidedigno de uma viagem plena de descobertas.»
Focus de Arthur Miller.
Editora Ulisseia. Lisboa, 1957, 324 págs. B.
Um reticente gerente de pessoal que vive com sua mãe, Newman compartilha preconceitos de seu tempo e de seus vizinhos – e nem uma mulher hispânica abusada do lado de fora de sua janela nem a perseguição ao dono da loja judeu de quem ele compra seu jornal são da sua conta. Até que Newman começa a usar óculos e outros começam a confundi-lo com um judeu.
Bairro de Lata de John Steinbeck
Editora Ulisseia. Lisboa, 1958, 225 págs. B. Colecção: Sucessos Literários | 7
Cannery Row, em Monterey, na Califórnia, é um pobre bairro costeiro, de poucos quarteirões, onde se acumulam fábricas de enlatar sardinhas, restaurantes de má qualidade, bordéis e mercearias atravancadas. Os seus habitantes, dependendo da frincha pela qual se espreita, são prostitutas e batoteiros, mártires e homens bons, cujas histórias encerram lições de sobrevivência. É entre eles que se encontra o jovem biólogo marinho que todos tratam por Doutor, que aí conjuga o trabalho de recolha e análise dos animais da baía com o melancólico acompanhamento das almas infelizes – e que inesperadamente acabará por encontrar a verdadeira felicidade. Publicado pela primeira vez em 1945 e inspirado pelos habitantes reais de Monterey, Bairro da Lata é um romance onde John Steinbeck recupera o cenário do seu primeiro grande êxito, O Milagre de São Francisco, escrevendo com um misto de humor e comoção sobre a aceitação da vida como ela é, no seu jogo entre um sentido de comunidade e a solidão da existência, entre a tragédia e a generosidade.
Jogos de Azar de José Cardoso Pires. Editora Ulisseia. Lisboa, 1976, 245 págs. E.
Jogos de Azar, de José Cardoso Pires, reúne nove contos escolhidos pelo autor: Carta a Garcia, Amanhã, se Deus Quiser, Os Caminheiros, Dom Quixote, as Velhas Viúvas e a Rapariga dos Fósforos, Uma Simples Flor nos Teus Cabelos Claros, Ritual dos Pequenos Vampiros, Estrada 43, Week-end e A Semente Cresce Oculta.
Nestas histórias, o olhar atento de Cardoso Pires examina um mundo desigual e os peões que nele se movem. Esta colectânea é «uma oportunidade de confronto e de meditação, sobre o artesanato do escritor, sobre o jogo de fortuna e azar em que se lança alguém quando descreve um pouco do seu tempo.»
Excursão de Luxo de Frederic Wakeman. Editora Ulisseia. Lisboa, 1960, 505 págs. B.
Num tom crítico e observador típico de Frederic Wakeman, Excursão de Luxo, acompanha um conjunto de personagens que embarca numa viagem organizada de luxo, onde o conforto e o exotismo prometidos contrastam com tensões pessoais, ambições e desilusões. Ao longo do percurso, a convivência forçada revela fragilidades humanas, jogos sociais e o vazio por trás do consumo e do estatuto, compondo um retrato irónico da classe média abastada do pós-guerra.
O Desprezo de Alberto Moravia.
Editora Ulisseia. Lisboa, 1967, 230 págs. B.
Num casamento aparentemente perfeito, o olhar crítico começa a induzir uma distância que acabará por se degradar e tornar-se desprezo, a ponto de destruir o amor que até ali existia. Situado em Roma e Capri, este romance de um dos maiores escritores italianos do séc. XX, e que Jean-Luc Godard tão brilhantemente adaptou ao cinema, é, como nos diz Pedro Moura e Sá no prefácio a esta edição, “a história da despoetização de uma relação amorosa”.
Crónica dos Pobres Amantes de Vasco Pratolini. Editora Ulisseia. Lisboa, s.d., 419 págs. B.
«Crónica dos Pobres Amantes» – Sinfonia de Amor e Heroísmo – é a comovente e humana recordação de um escritor e dos seus anónimos irmãos de ontem, ao mesmo tempo que nos descreve a crise moral e psicológica da Itália de antes da guerra. Via del corno é um pequeno mundo simbólico onde decorre a acção desta «crónica» de Vasco Pratolini – um dos escritores mais conhecidos da moderna literatura italiana.»
O Império do Petróleo de Harvey O’Connor. Ulisseia Editora. Lisboa, s.d., 293 págs. B. Documentos do Tempo Presente | 19
Neste livro, Harvey O’Connor dá-nos uma panorâmica viva e profunda da maior e mais importante indústria dos Estados Unidos, alargando a sua análise desde
a maneira como se procura e realiza a exploração do petróleo, suas formas
de utilização e venda, até às manobras financeiras e políticas
das grandes sociedades petrolíferas do mundo inteiro.
Servido por uma completa e significativa documentação, O IMPERIO DO PETRÓLEO mostra-nos ainda os conflitos internacionais (Suez, a revolta árabe, o Saará, etc.) que tal indústria tem produzido ao longo da sua história.
A Piedade Inútil de Guido Piovene. Editora Ulisseia. Lisboa, s.d., 303 págs. B.
Romance do escritor italiano Guido Piovene, publicado pela primeira vez pela editora Bompiani em 1946, sendo uma obra literária que explora temas de compaixão e suas manifestações em contextos complexos, sendo um marco na literatura italiana pós-guerra
Filho Nativo de Richard Wright. Editora Ulisseia. Lisboa, 1960, 493 págs. B.
Filho Nativo denuncia a condição dos negros na América através da história de Bigger, um jovem que mata acidentalmente uma mulher branca. A partir desse momento, a opinião pública de Chicago volta-se contra os negros, conduzindo à sua captura e execução. Dramática e realista, a obra de Richard Wright é um clássico da literatura americana e um poderoso retrato da opressão racial.
❗ Capa e lombada com um pequeno reforço em fita-cola.
Nó do Problema de Graham Greene.
Editora Ulisseia. Lisboa, 1956, 318 págs. B.
Em O Nó do Problema, Graham Greene mergulha nas profundezas da consciência humana através de Scobie, um agente da polícia que serve num estado da África Ocidental durante a guerra. Honesto até ao limite e incapaz de ser corrompido, Scobie vive dividido entre o dever e a compaixão. Quando o amor surge de forma inesperada, vê-se preso num dilema moral que o leva a trair os seus próprios princípios. Entre a fé, a culpa e o desejo, Greene constrói um retrato intenso de um homem que, ao tentar fazer o bem, desencadeia a sua própria destruição.
Cabra Cega de Roger Vailland.
Editora Ulisseia. Lisboa, 1959, 269 págs. B.
«Uma das mais marcantes leituras do final da minha adolescência. Outros tempos na nossa Terra que o romance, apaixonante, de Roger Vailland, de alguma forma evocava. A valentia, a dignidade, a coragem, o desejo, a traição, num turbilhão de empolgante leitura. Um livro que é também um retrato de Vailland, intelectual, libertino, resistente, militante clandestino nos anos de brasa da ocupação alemã. Um homem que mesmo na fase em que foi comunista nunca deixou de pensar pela sua cabeça e de ser um homem de liberdade. Uma leitura que recomendo muito vivamente.» – João Barroso Soares
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