Livraria Moura

Livraria Moura, Rio de Janeiro

Livrarias d’outras eras: Livraria Moura, Rio de Janeiro

O pulso da cidade

Há ruas que são mais do que ruas. São memórias colectivas, palcos onde uma cidade se reconhece a si própria.
A Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro de finais do século XIX, era uma dessas ruas. O médico e escritor Joaquim Manuel de Macedo descrevia-a, com afecto irónico, como “a mais passeada e concorrida, e mais leviana, indiscreta, bisbilhoteira, esbanjadora, fútil, noveleira, poliglota e enciclopédica de todas as ruas”. O historiador Delgado de Carvalho chamava-lhe “o pulso da cidade”. Um viajante anónimo, de passagem pelo Brasil em meados de oitocentos, registou nas suas notas uma frase que tudo resume: O Rio de Janeiro é o Brasil e a Rua do Ouvidor é o Rio de Janeiro.

Uma rua com alma de livraria

Entre perfumistas franceses, modistas e cabeleireiros que ali foram abrindo portas a partir de 1820, havia também livrarias. Porque toda a rua que se preza tem uma livraria. Uma livraria não vende apenas livros: vende a possibilidade de ser outra pessoa durante algumas horas, de habitar outras latitudes, de conversar com os mortos e com os ainda não nascidos.
No número 145 existiu, durante alguns anos, a Livraria Moura.

O livro que sobreviveu

Não sabemos exactamente quando abriu. Não sabemos quando fechou. Sabemos apenas que existiu, que teve balcão e prateleiras e cheiro a papel, e que alguém, em algum momento, saiu de lá com um livro debaixo do braço. Esse livro chegou até ao Manuseado.

Os livros não morrem

É isto que nos move: a ideia de que um livro não tem uma história, tem muitas. A história de quem o escreveu, a de quem o imprimiu, a de quem o comprou, a de quem o ofereceu, a de quem o abandonou numa estante e o esqueceu por décadas, e a de quem o encontrou de novo, num alfarrabista qualquer, e sentiu que estava ali à sua espera. Os livros não morrem. Mudam apenas de mãos.

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