At Swim, Two Boys de Jamie O’Neill
Scribner. London, 2001, 643 págs. B.
Praised as a work of wild, vaulting ambition and achievement by Entertainment Weekly, Jamie O’Neill’s first novel invites comparison to such literary greats as James Joyce, Samuel Beckett and Charles Dickens. Set during the year preceding the Easter Uprising of 1916–Ireland’s brave but fractured revolt against British rule–At Swim, Two Boys is a tender, tragic love story and a brilliant depiction of people caught in the tide of history. Powerful and artful, and ten years in the writing, it is a masterwork from Jamie O’Neill. Jim Mack is a naive young scholar and the son of a foolish, aspiring shopkeeper. Doyler Doyle is the rough-diamond son–revolutionary and blasphemous–of Mr. Mack’s old army pal. Out at the Forty Foot, that great jut of rock where gentlemen bathe in the nude, the two boys make a pact: Doyler will teach Jim to swim, and in a year, on Easter of 1916, they will swim to the distant beacon of Muglins Rock and claim that island for themselves. All the while Mr. Mack, who has grand plans for a corner shop empire, remains unaware of the depth of the boys’ burgeoning friendship and of the changing landscape of a nation.
Orgulho e Preconceito de Jane Austen Relógio d’ Água Editores. Lisboa, 2014, 358 págs. B. 𓂃🖊 Prefácio Virginia Woolf
A chegada de vários jovens marca uma profunda transformação na vida de uma família de classe média rural, os Bennets, e em particular na das suas filhas.
Um desses jovens é Darcy, membro da alta sociedade que se distingue pelo seu orgulho. Desenvolve-se uma série de desafios, de equívocos, de julgamentos apressados, que conduzem à mágoa e ao escândalo, mas também ao auto-conhecimento e amor.
Inominável de Samuel Beckett.
Assírio & Alvim. Lisboa, 2002, 189 págs. B.
Colecção: Imaginário
Neste livro, Samuel Beckett coloca a si próprio questões inomináveis, sobre a existência ou a sua impossibilidade, sobre os lugares ou a sua ausência, sobre o carácter dos objectos, sobre o homem.
«Estas coisas que digo, que vou dizer, se puder, já não são, ou ainda não são, ou nunca foram, ou nunca serão, ou, se foram, se não, se forem, não foram aqui, não são aqui, não serão aqui, mas noutro lugar qualquer.»
Inés da Minha Alma de Isabel Allende DIFEL. Lisboa, 2006, 342 págs. B.
Inés Suárez é uma jovem e humilde costureira, oriunda da Extremadura, que embarca em direção ao Novo Mundo para procurar o marido, extraviado pelos seus sonhos de glória no outro lado do Atlântico. Anseia também por uma vida de aventuras, vedada às mulheres na sociedade do século XVI.
Na América, Inés não encontra o marido, mas sim uma grande paixão: Pedro de Valdivia, mestre de campo de Francisco Pizarro, ao lado de quem Inés enfrenta as incertezas da conquista e fundação do reino do Chile.
Neste romance épico, a força do amor prevalece sobre a rudeza, a violência e a crueldade de um momento histórico inesquecível. Pela mão de Isabel Allende, confirma-se que a realidade pode ser mais surpreendente que a ficção, e igualmente cativante.
Cartas de Heloisa e Abelardo de Pierre Abelard Editorial Estúdios Cor. Lisboa, 19[?], 200 págs. B. Colecção: Serpente | 6 𓂃🖊 Prefácio Franco de Sousa
“…são as vozes de Abelardo e de Heloisa que se fazem ouvir ainda hoje.
Que representam estes textos, a que género pertencem, que tipo de leitores seriam os seus destinatários? Estas e muitas outras questões se colocam. No entanto, é de extrema importância, independentemente do estudo que se queira realizar sobre estes textos, não ignorar o sentido óbvio das palavras, o individualismo, a introspecção, o amor-paixão, os remorsos, o arrependimento, as recordações obsessivas e a procura lúcida de apaziguamento mediante uma realização na escrita do contacto íntimo do amor, do revelar ao mesmo tempo de uma alma e de um intelecto na procura de um melhor conhecimento de si mesmo.”
Cadernos de Malte Laudris Brigge de Rainer Maria Rilke
Editorial Inova. Porto, 1975, 215 págs. B. Colecção: Metaformoses | 15
Tradução e prefácio de Paulo Quintela. “Há muitas pessoas, mas há ainda muitas mais caras, pois cada uma tem várias. Há pessoas que usam uma cara anos seguidos; gasta-se naturalmente, suja-se, quebra nas rugas, alarga como as luvas que se usaram em viagem. São as pessoas simples, poupadas; não mudam de cara, nem a mandam lavar. Serve muito bem, afirmam elas; e quem é que lhes pode provar o contrário? (…) Outras pessoas põem as suas caras com uma rapidez medonha, uma após outra, e gastam-nas. Parece-lhes a princípio que lhes chegam para sempre, mas, mal chegam a quarenta – eis a última. Isto tem naturalmente o seu trágico. Não estão habituadas a poupar caras; a última gastou-se ao cabo de oito dias, tem buracos, está em vários sítios delida e fina como papel, e, a pouco e pouco, vai aparecendo a pasta de baixo, a não-cara, e é com essa que andam”.
Aventuras do Capitão Hatteras de Julio Verne David Corazzi Editor. Lisboa, 1886, 231 págs. E.
A invocação, fascinante e poética, dos perigos e encantos das viagens polares. A demonstração de como o homem pode dispor dos mais variados recursos para resolver as mais diversas situações, com ajuda de algumas noções científicas e do engenho, da intrepidez e de um sentido ético.
Dafnis e Cloé de Longus de Lesbos Coisas de Ler Edições. Queluz, 2002, 141 págs. B.
Lesbos, reino de Ninfas e de riachos, de bosques verdes e de maravilhosos jardins. Dois pobres orfãos abandonados, Dafnis e Cloé, foram aqui recolhidos por um casal de pastores. São puros e inocentes. Só conhecem uma moral – a da natureza. Uma só lei se cumpre diariamente diante deles – o milagre da vida. E é assim que nasce o amor. Dafnis e Cloé viverão um amor inebriante, ao mesmo tempo sensual e pudico, terno e violento.
O Estrangeiro de Albert Camus Livros do Brasil. Lisboa, 2006, 127 págs. B.
Meursault recebe um telegrama: a mãe morreu. De regresso a casa após o funeral, enceta amizade com um vizinho de práticas duvidosas, reencontra uma antiga colega de trabalho com quem se envolve, vai à praia – até que ocorre um homicídio.
Romance estranho, desconcertante sob uma aparente singeleza estilística, em O Estrangeiro joga-se o destino de um homem perante o absurdo e questiona-se o sentido da existência. Publicado originalmente em 1942, este primeiro romance de Albert Camus foi traduzido em mais de quarenta línguas e adaptado para o cinema por Luchino Visconti em 1967, sendo indubitavelmente uma das obras-primas da literatura francesa do século XX. Esta edição foi revista de acordo com o texto fixado pelo autor.
Vinho Mágico de Joanne Harris Edições ASA. Porto, 2004, 295 págs. B.
Em Vinho Mágico a história é-nos contada por uma garrafa de Fleurie 1962, um vinho vivo e tagarela, alegre e um pouco impertinente, com um acentuado sabor a amoras.
Jay Mackintosh, em tempos um escritor de sucesso, encontra-se em crise, leva uma vida sem sentido e entrega-se à bebida. Até ao dia em que abandona Londres e se instala em França, na aldeia de Lansquenet (a mesma aldeia que serviu de cenário a Chocolate, o primeiro romance de Joanne Harris). A partir daí a sua vida vai modificar-se, nomeadamente por acção da solitária Marise (que esconde um terrível segredo por detrás das persianas fechadas) e das recordações de Joe, um velho muito especial que conheceu na infância e que lhe ofereceu precisamente essa garrafa de propriedades invulgares e misteriosas…
Uma Vida de Jesus de Shusaku Indo
Edições ASA. Porto, 1997, 233 págs. E.
“Uma Vida de Jesus” não é uma biografia, já que uma biografia, no sentido moderno do termo, seria impossível de escrever. Mas não é também um relato ficcionado: embora se sinta livre para especular acerca das motivações de Jesus e dos seus discípulos, Shusaku Endo não afirma nada para além daquilo que os Evangelhos contêm.
Endo – um dos mais destacados romancistas contemporâneos japoneses – escreveu-o para os seus compatriotas não-católicos, num esforço para explicar quem foi Jesus e dar a conhecer os ideais pelos quais se bateu. O resultado é uma obra que escapa aos limites das culturas e das línguas, uma história intemporal, tão estimulante para nós como o terá sido para aqueles que a ouviram nos tempos do Novo Testamento.
Ulisses de James Joyce Círculo de Leitores. Lisboa, 1983, 550 págs. E.
Obra-prima de Joyce, o melhor romance do século xx para muitos amantes de literatura, Ulisses revolucionou a escrita de ficção e tornou-se um dos mais idolatrados livros do século passado. Escrito entre 1914 e 1921, viajando de Trieste a Zurique e até Paris, foi na capital francesa que, depois de vários contratempos, o longo manuscrito de James Joyce conheceu a primeira edição, em fevereiro de 1922, precisamente no aniversário do autor. Como todas as obras-primas, alguns receberam-no mal no seu tempo: foi recusado por Virginia Woolf para publicação na sua editora – «aquelas páginas tresandavam a indecência» –, referido como «a coisa mais porca que alguém já escreveu», por D. H. Lawrence, proibido por muitos anos nos EUA. Hoje, Joyce é um autor consagrado, provavelmente o maior da literatura irlandesa, celebrando-se anualmente, a 16 de junho, o Bloomsday, em que se situa a ação do romance. Bebendo a sua inspiração da Odisseia de Homero, Ulisses regista um só dia na vida de Leopold Bloom, narrado com um lirismo e uma vulgaridade de esplêndidos extremos. No centenário da sua publicação, uma leitura obrigatória.
Três Histórias Extravagantes de Carlo M. Cipolla Edições Texto & Grafia. Lisboa, 2009, 77 págs. B. Colecção: Biblioteca | 10
Depois do êxito de Allegro Ma Non Troppo (na mesma colecção), segue-se outro conjunto de textos bem-humorados do célebre historiador italiano. São três histórias curiosas, divertidas e documentalmente verdadeiras que de imediato farão mudar de ideias todos os que ainda vêem a História como algo aborrecido. Bancos, caixeiros-viajantes, tratados e tratantes, as histórias que a História nos conta reservam-nos deliciosas surpresas e mostram-nos como, afinal, ela sempre se repete. Num estilo irónico, elegante e perspicaz, este é um livro ideal para as férias.
Submissão de Michel Houellebecq Alfaguara. Lisboa, 2015, 263 págs. B.
Paris, 2022: François, investigador universitário, cumpre desapaixonadamente o ofício do ensino enquanto leva uma vida calma e impermeável a grandes dramas, uma rotina de quarentão apenas ocasionalmente inflamada pelos relacionamentos passageiros com mulheres cada vez mais jovens. É também com indiferença que vai acompanhando os acontecimentos políticos do seu país.
Às portas das eleições presidenciais, a França está dividida. O recém-criado partido da Fraternidade Muçulmana conquista cada vez mais simpatizantes, graças ao seu carismático líder, numa disputa directa com a Frente Nacional. O país obcecado por reality shows e celebridades acorda por fim e toma de assalto as ruas de Paris: somam-se os tumultos, os carros incendiados, as mesas de voto destruídas. Afastado da universidade pela nova direcção, deprimido, François retira-se no campo, onde espera deixar de sentir as ondas de choque da capital. Regressa a Paris poucos dias depois do desfecho eleitoral e encontra um país que já não reconhece. É tempo de questionar-se sobre se deve e pode submeter-se à nova ordem. Submissão convida a uma reflexão sobre o convívio e conflito entre culturas e religiões, sobre a relação entre Ocidente e Oriente, sobre a relação entre cidadãos e instituições. Um romance que, como é habitual na obra do autor, adianta-se ao seu tempo e coloca questões prementes, hoje mais relevantes do que nunca. Michel Houellebecq confirma-se nestas páginas como um pensador temerário, capaz de detectar as grandes tensões do nosso tempo, interpretando-as com lúcida ironia.
Uma fábula política e moral surpreendente, Submissão é o romance mais visionário e simultaneamente mais realista de Michel Houellebecq.
Sapatos de Rebuçado de Joanne Harris
Edições ASA. Porto, 2007, 500 págs. B.
Sapatos de Rebuçado é mais uma viagem ao mundo encantado de Joanne Harris. Um (esperado) regresso a Chocolate.
Após ter abandonado a aldeia de Lansquenet-sur-Tannes, cenário de Chocolate, Vianne Rocher procura refúgio e anonimato em Paris, onde, juntamente com as suas filhas Anouk e Rosette, vive uma vida pacífica, talvez até mesmo feliz, por cima da sua pequena loja de chocolates. Não há nada fora de comum que as destaque de todos os outros. A tempestade que caracterizava a sua vida parece ter acalmado… Pelo menos até ao momento em que Zozie de l’Alba, a mulher com sapatos de rebuçado, entra de rajada nas suas vidas e tudo começa a mudar…
Mas esta nova amizade não é o que parece ser. Impiedosa, retorcida e sedutora, Zozie de l’Alba tem os seus próprios planos – planos que vão despedaçar o mundo delas. E com tudo o que ama em jogo, Vianne encontra-se perante uma escolha difícil: fugir, tal como fez tantas outras vezes, ou confrontar o seu pior inimigo…
Ela própria.
As Rosas de Atacama de Luís Sepúlveda Edições ASA. Porto, 2000, 143 págs. B.
Um dia, no campo de concentração de Bergen Belsen, na Alemanha, Luis Sepúlveda encontrou gravada numa pedra uma frase de autor anónimo que dizia: «Eu estive aqui e ninguém contará a minha história.» Essa frase trouxe-lhe à memória toda uma galeria de personagens excecionais que havia conhecido e cujas histórias mereciam ser contadas.
Assim nasceu o presente livro, As Rosas de Atacama. «Histórias marginais» (aliás, o título da edição original espanhola), e também histórias de marginais, os relatos que compõem esta obra têm todos os ingredientes a que Luis Sepúlveda habituou os seus leitores: a defesa da vida e da dignidade humana, a luta pela justiça, o elogio dos valores ecológicos, o exotismo como afirmação de que os sonhos são os mesmos em todos os lugares da Terra. Como em todos os livros de Sepúlveda, também neste a realidade supera a ficção.
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