• Apontamentos de Raphael Bordallo Pinheiro sobre a Picaresca Viagem do Imperador de Rasilb pela Europa

    Apontamentos de Raphael Bordallo Pinheiro sobre a Picaresca Viagem do Imperador de Rasilb pela Europa

    Raphael Bordallo Pinheiro

    30,00 

    Apontamentos de Raphael Bordallo Pinheiro sobre a Picaresca Viagem do Imperador de Rasilb pela Europa de Raphael Bordallo Pinheiro.
    Bedeteca. Lisboa, 1996. B.

    Esqueçamos as cronologias onde se espartilham as vidas dos artistas. Esqueçamos os enquadramentos históricos que podem ajudar a perceber as personagens. Esqueçamos, finalmente e por um só instante, os argumentos dirimidos por quem sabe e que dão estes Apontamentos como a primeira das histórias aos quadradinhos narrada por um talento português. Deixemos tudo para trás e entremos, com a surpresa na mala de mão, nesta viagem do Imperador que só tem dezasseis mil e duzentos réis para ver o mundo». Logo a viagem deixa de ser desse Imperador de chinelos. Um estilo aparentemente – e só na aparência! – solto e descuidado puxa-nos pelos olhos para uma girandola vertiginosa. Como se não bastasse o ritmo com que dispara farpas de inesperada agressividade a academias, o?a-vontade com que faz estilhaçar em gargalhadas os temas de alta política ou as pequenas observações de quotidiano, ou um texto cheio de sabor e engenho com que nos mantém em vibração, tudo é servido por uma genial mestria gráfica que se mantém hoje, aqui e agora, vivaz. Pois. Em 1872, um Raphael Bordallo Pinheiro de dimensão ainda completamente por reconhecer concedia-se a libertinagem de forçar todos os meios para cumprir o seu fim de dizer um mundo novo: usar os paréntesis numa história em imagens, mudar de estilo, imitar desenhos infantis, inventar sinais icónicos, quebrar regras de leitura. ou imprimir cadências tão diferentes que ora conta uma discussão inútil em seis cenas ora percorre numa só quatro países e várias regiões. A estes podiam facilmente somar-se outros exemplos para provar que estamos perante um caso maior de uma grande arte narrativa. Bordallo, como ninguém, define com o seu prazer de contar, a sua pressa em opinar, a sua estética nervosa as linhas com que se cose uma linguagem. Moderna, porque não lhe chegam palavras e imagens em separado para lançar tão explosivas emoções. – João Paulo Cotrim

    Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.