Texto à Acção: Ensaios de Hermenêutica de Paul Ricoeur Rés Editora. Porto, s.d., 407 págs. B.
Fenomenologia hermenêutica. Crítica hermenêutica do idealismo husserliano. No rasto de Schleiermacher e de Dilthey. Da epistemologia à ontologia – Heidegger e Gadamer. A função hermenêutica da distanciação. Hermenêutica filosófica e bíblica. Da hermenêutica dos textos à hermenêutica da acção. Hegel. Habermas. Para uma hermenêutica crítica.
Amor e Justiça de Paul Ricoeur. Edições 70. Lisboa, 2010, 103 págs. B. Colecção: Biblioteca de Filosofia Contemporânea | 40
A causa é geralmente entendida: é “o amor ou a justiça,” mas não “o amor e a justiça.” Em linguagem corrente, e até mesmo a um nível superior de reflexão, a fortiori quando os dois conceitos são apresentados como estando em conflito, não há, não pode haver, pontes entre a prática individual do amor ao próximo e a prática colectiva da justiça que estabelece a igualdade e equidade. Favoreça-se um ou outro, a ênfase incide na desproporção entre amor e justiça. Qualquer pensamento de Paul Ricoeur tende a demonstrar a proporção, as ligações, a dialéctica profunda, a tensão viva e fecunda entre amor e justiça que emerge no momento da acção, e que ambos reivindicam. Ambos estão contidos numa economia da dádiva, que excede a ética de que se pretendem as figuras e pela qual se sentem responsáveis. A lógica da superabundância está constantemente a desafiar, sem nunca se ter tornado menos necessária, uma lógica de equivalência.
Vivo até à Morte de Paul Ricoeur
Edições 70. Lisboa, 2011, 116 págs. B. Colecção: Biblioteca de Filosofia Contemporânea
Foi em 1996 que Paul Ricoeur, na altura com 83 anos, se perguntou: «Que posso dizer da minha morte?» «Como fazer o luto de um querer-existir depois da morte?» Esta longa reflexão sobre o morrer, sobre o moribundo e a sua relação com a morte, e também sobre o após-vida (a ressurreição) passa por duas meditações: as de textos de dois sobreviventes dos campos de concentração (Jorge Semprún e Primo Levi) e pela confrontação com o livro de um grande exegeta como Xavier Léon-Dufour, sobre a ressurreição.
A segunda parte do livro é composta por textos escritos em 2004 e 2005, que o próprio Ricoeur intitulou «fragmentos» (sobre o «tempo da obra» e o «tempo da vida», sobre o acaso de ter nascido cristão, sobre a controvérsia, sobre Derrida, sobre o Pai Nosso…). Textos curtos, escritos por vezes com mão trémula. O último, da Páscoa de 2005, foi escrito um mês antes da sua morte.
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