Portugal um Pais parado no Meio Caminho (2000-2015) de Miguel Real
Publicações Dom Quixote. Lisboa, 2015, 214 págs. B.
Neste ensaio, Miguel Real reflecte sobre os efeitos da interrupção do processo de modernização europeia de Portugal nos últimos quinze anos e o que representam para diferentes grupos sociais antes e depois dessa interrupção figuras como Siza Vieira e Olga Roriz, Joana Vasconcelos, Cristiano Ronaldo ou José Mourinho.
Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa de Miguel Real
Planeta Editora. Lisboa, 2017, 244 págs. B.
Uma obra fundamental para todos os que se interessam pela história, cultura e identidade nacionais, e que nenhum estudante ou investigador desta área poderá ignorar.
A história de Portugal revisitada desde os seus mitos fundadores, antes da criação da nacionalidade.
Da autoria de Miguel Real, que para além de romancista se tem afirmado como um dos mais destacados estudiosos de temas da Cultura Portuguesa da última década.
Nova Teoria do Sebastianismo de Miguel Real
Publicações Dom Quixote. Lisboa, 2014, 262 págs. E.
Nova Teoria do Sebastianismo é um ensaio que reflecte sobre o mito sebastianista como alucinação racionalmente falsa mas sentimentalmente verdadeira e nos dá a conhecer os autores que trataram o tema, desde Bandarra e Padre António Vieira até aos filósofos contemporâneos, passando por Fernando Pessoa, António Quadros, António Sérgio e Eduardo Lourenço. O presente título insere-se numa colecção na qual foram já publicados dois outros títulos de Miguel Real: Nova Teoria do Mal e Nova Teoria da Felicidade enquanto propostas para uma ética do século XXI. «Ser sebastianista hoje […] significa, não a esperança no indefinido regresso de D. Sebastião, nem acreditar neste como o Messias regenerador da sociedade portuguesa, […] mas ter plena consciência de que em Portugal só se atinge um patamar próspero de vida se algo (uma instituição) ou alguém dotado de elemento carismático nos prestar um auxílio que nos retire, por meios extraordinários, do embrutecimento e empobrecimento da vida quotidiana: a subserviência rastejante ao Partido, a cunha do «Senhor Doutor», a crença no resultado do totoloto ou do euromilhões, a promessa a Nossa Senhora de Fátima ou santo congénere… Esse algo ou alguém, quando negado em Portugal, impele à emigração, forçando o português a buscar no estrangeiro o que, devido às políticas de autofavorecimento das elites, lhe é negado na sua terra natal.»
Introdução à Cultura Portuguesa (Séculos XIII a XIX) de Miguel Real. Planeta Editora. Lisboa, 2011, 307 págs. B. 𓂃🖊 Prefácio Guilherme d’ Oliveira Martins.
Introdução à Cultura Portuguesa é, sem dúvida, a mais importante súmula daquilo que caracteriza e distingue a nossa cultura, desde que em 1946 foi publicada essa obra marcante de António José Saraiva: Para a História da Cultura em Portugal.
Estabelecendo uma nova teoria definidora da cultura portuguesa desde o início da nacionalidade, Introdução à Cultura Portuguesa, (dotado de um sintético mas esclarecedor prefácio de Guilherme d’Oliveira Martins, outro grande especialista deste tema), divide a história da cultura portuguesa em quatro correntes de pensamento – messianista, racionalista, modernista e espiritualista – e cinco períodos temporais, destacando o primeiro período (de D. Dinis à epopeia dos Descobrimentos) como o grande momento enformador e cristalizador das dez categorias maiores da nossa cultura.
Com uma organização clara, que permite ao leitor apreender rapidamente a proposta do autor sobre a arquitectónica da história da literatura, da cultura e do pensamento portugueses, Introdução à Cultura Portuguesa, para além de apontar os «cinco pecados da cultura portuguesa», traz-nos ainda uma visão das relações culturais entre Portugal e o Brasil numa perspectiva nunca antes abordada.
Último Minuto na Vida de S. de Miguel Real.
Quidnovi. Matosinhos, 2008, 126 págs. B.
Ela era bela, divorciada, escandinava, culta. Chegara a Lisboa em princípios dos anos 60 e Portugal era para ela o país mais arcaico da Europa. Ele era português, casado, político, primeiro-ministro. Apaixonaram-se e amaram-se intensamente, contrariando códigos políticos e sociais. Morreram ambos, abraçados, na explosão de uma avioneta em viagem para o Porto.
Ficção, O Último Minuto na Vida de S. é a história do último grande amor português, o de Snu Abecassis e Francisco Sá-Carneiro. Cruzando um estilo ora satírico-jocoso, ora realista e apoiando-se na realidade portuguesa entre as décadas de 60 e 70 em três ou quatro factos verdadeiros, visa retratar um Portugal que já não existe, o Portugal desaparecido nas duas décadas seguintes pela voragem dos costumes europeus.
Eduardo Lourenço e a Cultura Portuguesa de Miguel Real. Quidnovi. Matosinhos, 2008, 415 págs. B.
Com a publicação de Labirinto da Saudade, 1978 constitui-se como o ano de absoluto triunfo da visão cultural heterodoxa desencadeada em 1949 por Eduardo Lourenço, então com 26 anos. O autor tem agora 55 anos, exilou-se voluntariamente de Portugal, ensinou na Alemanha, no Brasil, em várias cidades de França e escreveu cerca de meia centena de artigos avulsos, coligidos em vários livros.
De proposta considerada fracassada pelo próprio em 1960, a visão heterodoxa, lançada inicialmente contra o domínio omnipotente das ortodoxias católica e comunista, demorou trinta persistentes e solitários anos a afirmar-se e a consolidar-se por via da criação de 1. – uma nova teoria da crítica literária, superando as metodologias biografistas de fundo psicológico, social ou estilístico; 2. – um novo desenho historiográfico das relações entre as duas mais importantes revistas culturais portuguesas da primeira metade do século XX, Orpheu e Presença; 3. – uma nova visão da poesia e do romance portugueses; 4. – uma nova definição do ser português marcado por um «irrealismo prodigioso» e uma «hipertrofia da identidade nacional»; 5. – uma crítica ferocíssima ao predomínio da razão clássica na filosofia em Portugal por via da influência de António Sérgio e da entronização cultural da «Filosofia Portuguesa» por Álvaro Ribeiro; 6. – uma nova teoria da representação, erigindo a «ausência de sentido» do ser, o «nada», e o «sentimento trágico» como motores do pensamento europeu contemporâneo.
Finalmente, em 1978, todas estas teorias pessoais avulsas se cruzam para dar origem a Labirinto da Saudade, um dos mais importantes livros sobre cultura portuguesa publicados no último quartel do século XX.
Dividido em quatro partes, «Questão Cultural», «Questão Estética», «Questão Filosófica» e «Questão Política», Eduardo Lourenço e a Cultura Portuguesa evidencia o imenso rasgão cultural produzido pela visão heterodoxa no seio da cultura portuguesa entre 1949 e 2000.
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