Mishima ou a Visão do Vazio de Marguerite Yourcenar Relógio d’ Água. Lisboa, s.d., 99 págs. B. Colecção: À Volta da Literatura
A 25 de novembro de 1970, o mais reconhecido romancista japonês do pós-guerra, Yukio Mishima, chocou o mundo ao cometer seppuko, famoso ritual de suicídio japonês, por norma reservado à classe guerreira.
Neste livro, Marguerite Yourcenar, atenta leitora de Mishima e estudiosa dos papéis culturais da ficção, desvenda a vida e a política do autor: a sua afeição pela cultura ocidental, a sua família e a sua homossexualidade, os seus escritos e a sua morte, que cuidadosamente premeditou.
Obra ao Negro é a história de uma dissolução: a da ordem de valores que a Idade Média chegou a admitir como incontestáveis, mas que, mercê de quase imperceptíveis alterações, acabaram por perder o seu sentido, abrindo-se à metamorfose.
Uma personagem, Zenão, concentra em si o desejo de mudança, a vontade de alcançar, num mundo conturbado por conflitos vários, a liberdade de pensar e conceber.
E só um grande escritor poderia acompanhar, de forma simultaneamente tão minuciosa e bela, os contornos dessa personalidade, ao longo do doloroso caminho que a leva a enfrentar e a assumir a própria morte. Acaso se verificará então, nesse decisivo instante, uma das máximas possibilidades da Grande Obra alquímica, o opus nigrum, a tentativa de calcinar as formas para permitir a de Marguerite Yourcenar.
Como a Água que Corre de Marguerite Yourcenar. DIFEL. Lisboa, s.d., 230 págs. B.
Neste livro foram reunidas três novelas de Marguerite Yourcenar.
Anna, Soror… é um escrito de juventude (1925) e o seu tema é uma relação incestuosa entre irmão e irmã na Nápoles do século xvi.
Um Homem Obscuro foi escrito entre 1979 e 1981 e fala-nos da vida e morte de Natanael, um homem da Holanda do século xvii, que lança sobre o mundo um olhar desprevenido.
O protagonista de Uma Bela Manhã (igualmente composto entre 1979 e 1981) é Lázaro, o filho de Natanael, que muito novo se junta a um bando de comediantes shakespearianos, por conhecer de cor as falas das personagens do teatro isabelino.
Como a Água Que Corre, chamou Marguerite Yourcenar ao conjunto de três novelas, que compõem este livro. Como “a água do rio”, explicou, “ou por vezes da torrente, ora lamacenta, ora límpida, que a vida é”. São três as novelas que o compõem. Anna Soror, escrita em 1925 (tinha a autora 22 anos), publicada com…
Contos Orientais de Marguerite Yourcenar. Publicações Dom Quixote. Lisboa, 1986, 145 págs. B.
Invulgares, oníricos, com elementos que vão do sobrenatural ao mito e àlenda, estes contos vão beber a inspiração ao Oriente para daí abrirem as suas asas e conseguirem o que apenas a grande literatura consegue: abarcar o mundo, tocar a universalidade. Um pintor assombrado pelas imagens que cria, um herói traído, uma mãe que cuida do filho recém-nascido após a sua própria morte, uma deusa infeliz…Com uma linguagem sublime capaz de desvelar os mais secretos significados, Yourcenar aponta directamente ao âmago da natureza humana e a noções tão fundamentais como a vida e a morte.
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