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  • Revolucionários e Querubins de José Martins Garcia

    Revolucionários e Querubins

    José Martins Garcia

    10,00 

    Revolucionários e Querubins de José Martins Garcia.
    Edições Afrodite. Lisboa, 1977, 219 págs. B.

    «Numa sociedade revolucionariamente ruidosa, é ao silêncio que os querubins estão destinados. Os verdadeiros querubins apodrecem na solidão. Depois de um entusiasmo genuíno com a possibilidade de virem a transformar o mundo, soçobram quando se apercebem da «real insignificância do seu respirar». Os ensinamentos que nos deixam advertem-nos para o risco de se acreditar na liberdade política. Esta não passará jamais de uma «ocasional faísca […] sucessivamente anulada pela cegueira dos átomos». O sábio sabe que não pode falar de liberdade sem colocar a sua vida em risco. Assim se comporta o escritor: rodeado de detritos, ciente da podridão nauseabunda que infesta a vida social, enfrenta diariamente a morte, mas usa o resto das suas forças para a desarmar, armando-se, de seguida, com «o amor possível» com que enche folhas e as vê dispersas numa caligrafia instável. Diferente do revolucionário e do querubim, ele persiste na afirmação da liberdade pela escrita.

    Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.

  • Morrer Devagar de José Martins Garcia

    Morrer Devagar

    José Martins Garcia

    7,00 

    Morrer Devagar de José Martins Garcia.
    Editora Arcádia. Lisboa, 1979, 142 págs. B.

    «Morrer Devagar é um livro de bolinha vermelha para pessoas mais sensíveis ou rabugentas e que já tenham perdido a memória ou para quem não aprecie a ironia, o eufemismo e o sarcasmo. E pecado mortal para beatas de sacristia pequena. Há alguma crueldade na visão da realidade que enforma este livro, há, naturalmente, um fundo real que dá motivo a cada conto, algumas pessoas da ilha ainda poderão fazer leituras de aproximação à matéria narrada, mas a universalidade do viver isolado e ignorante, a valorização do sofrimento sem grande expectativa de se viver dignamente, a ganância e o estratagema, nem que seja com almas do outro mundo, e a penúria, o escárnio e o maldizer a que as pessoas são sujeitas e sujeitam as outras, as crendices e os fanatismos vários, a emigração de sempre, o amor, as infidelidades, a vida airada e os esquentamentos, as cenas de pancadaria com que acabavam todas as festas, o aproveitamento das fraquezas alheias, tirando a já extinta guerra colonial, tudo é picaroto, açoriano, português, universal, actual e as personagens as representantes escolhidas da humanidade que se manifestava na época a que a narrativa se reporta.

    É a condição humana observada pela acutilante crítica de JMG levada ao extremo de um e em um lugar pequeno, uma freguesia rural semi-analfabeta de muitas visões e perspectivas, marcada por certa decadência e de um espírito retrógrado, tanto religioso como social, em que os valores se medem ao ritmo dos desatinos das personagens.»

    Manuel Tomás (José Martins Garcia, O Mito e a Realidade, primeiras palavras para a presente edição de Morrer Devagar).

    📕 1ª Edição.
    📝 Assinatura de posse.