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  • Homem de Cabeça Rapada, O

    Homem de Cabeça Rapada, O

    Johan Daisne

    5,00 

    Homem de Cabeça Rapada de Johan Daisne.
    Publicações Europa-América. Mem Martins, 1971, 282 págs. B.

    Eis a revelação de um domínio praticamente desconhecido em Portugal, o da literatura belga de expressão neerlandesa, de que Johan Daisne é um dos mais notáveis representantes.

    “Sim, pensando bem, houve sempre qualquer coisa”, são as primeiras palavras desta confissão insólita e alucinante.

    Com efeito, entre nós e a vida interpõe-se sempre qualquer coisa. Sempre qualquer coisa entre nós e a esperança, entre nós e o sonho.

    Melhor do que nenhum outro no-lo faz sentir o protagonista deste romance, irmão dos heróis de Kafka.

    Na noite trágica, a realidade aparece-nos como que invertida, carregada de fantasmas na água sombria duma implacável memória.

    A terrível complexidade dos seres tão cegamente recusada pelos ideólogos primários, os peralvilhos do jogo político, os fanáticos das crenças e doutrinas.

    Difícil de ligar a tal ou tal género de literatura, impossível de entroncar em escolas ou correntes, eis uma obra (verdadeiramente) de excepção, uma obra esmagadora que é não só fundamental na literatura flamenga contemporânea como uma das mais raras obras-primas da literatura europeia dos nossos dias.

    Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.