O Barão Trepador de Italo Calvino. Portugália Editora. Lisboa, s.d., 297 págs. B.
Cosimo, um jovem nobre italiano do século XVIII, revolta-se contra a autoridade paterna, trepando para cima das árvores, e aí vai permanecer durante o resto da sua vida. Adapta-se eficazmente a uma existência arbórea – caça, semeia e colhe, joga vários jogos com amigos com os pés na terra, combate incêndios florestais, resolve problemas de engenharia e até consegue manter casos amorosos. Do seu poleiro nas árvores, Cosimo vê passar os tempos de Voltaire e assiste à chegada do novo século.
Visconde Cortado ao Meio de Italo Calvino. Portugália Editora. Lisboa, s.d., 105 págs. B.
Na guerra entre a Áustria e a Turquia de 1716, o visconde Medardo de Terralba é atingido no peito por uma bala de um canhão turco, e o que regressa a casa é apenas uma metade sua.
Este início cruel desencadeia uma fábula cadenciada como um bailado, na qual em redor do meio-visconde se movimentam e afadigam indivíduos mais reduzidos a metade do que ele: o doutor Trelawney, cuja ciência negligencia os seres humanos, o carpinteiro Pedro Prego, que constrói engenhos admiráveis tentando não pensar que são forcas, o moralismo abstrato dos refugiados huguenotes, o hedonismo decadente do asilo de leprosos.
Uma história fantástica que é também uma reflexão alegórica da condição do homem contemporâneo, sempre «alienado», mutilado, incapaz de alcançar a integridade, a completude. As invenções de Calvino são sempre abertas a muitos significados, apesar de poderem ser apreciadas por si só. Exemplo claro disso é a trilogia fantástica Os Nossos Antepassados, que este Visconde Cortado ao Meio inicia; seguem-se-lhe O Barão Trepador e O Cavaleiro Inexistente.
A Nuvem de Smog e A Formiga Argentina são duas narrativas distintas, mas unidas por uma afinidade estrutural e moral.
A Nuvem de Smog oscila entre conto, ensaio sociológico e diário íntimo, refletindo a opressão do mundo moderno. O smog, essa névoa densa e tóxica, torna-se metáfora do ambiente urbano sufocante e das inquietações humanas.
Já A Formiga Argentina, escrito alguns anos antes, apresenta um “mal de vivre” oriundo da natureza: uma praga de formigas que assola a Riviera, trazendo consigo um novo tipo de inquietação.
Duas obras que, cada uma à sua maneira, revelam a fragilidade humana perante forças que escapam ao seu controlo.
Durante dois anos vivi no Incio dc bosqucs e palácios encantados, com o prol)lcma dc cotno ver mclhov cara a cara a bcla desconhecida que sc dcita todas as noitcs ao lado do cavaleiro, ou com a inccrtcza se devia usar o manto que torna invisível ou a patinha de formiga, a pena de águia…
Será possível encontrarmos um sentido nas coisas, no mundo à nossa volta? E dentro de nós próprios? O Sr Palomar está muito longe de ter alguma certeza quanto a tudo isso. Todavia continua à procura. Narrativa fascinante – autêntico testamento literário de um dos maiores escritores da segunda metade do século XX -, esta obra…
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