Pesadelo Climatizado de Henry Miller. Editorial Estampa. Lisboa, 1971, 265 págs. B.
Após dez anos de desterro na Europa, Henry Miller regressa aos Estados Unidos para embarcar numa viagem de redescoberta das raízes e da alma do seu país. Pesadelo em Ar Condicionado (1945) é o relato dessa odisseia: sobre as ruínas do sonho americano, erguem-se indústrias hipócritas e cidades aberrantes, mecas de negócios, ganâncias e bugigangas, mortos-vivos enterrados em crédito e preconceitos, gente de cifrões nos olhos divorciada da terra que pisa e explora. E mesmo assim, nas brechas deste vazio estético e espiritual, despontam homens e mulheres que, como o autor, aguardam o desmoronar de um sistema doente, alienante, votado ao fracasso. Numa prosa desconcertantemente clarividente, da janela aberta do seu automóvel, Henry Miller faz o implacável retrato de um país que ainda hoje reconhecemos: um país de grandes esperanças, promessas traídas e insanáveis contradições.
Pesadelo Climatizado de Henry Miller Editorial Estampa. Lisboa, 1971, 265 págs. B.
Após dez anos de desterro na Europa, Henry Miller regressa aos Estados Unidos para embarcar numa viagem de redescoberta das raízes e da alma do seu país. Pesadelo em Ar Condicionado (1945) é o relato dessa odisseia: sobre as ruínas do sonho americano, erguem-se indústrias hipócritas e cidades aberrantes, mecas de negócios, ganâncias e bugigangas, mortos-vivos enterrados em crédito e preconceitos, gente de cifrões nos olhos divorciada da terra que pisa e explora. E mesmo assim, nas brechas deste vazio estético e espiritual, despontam homens e mulheres que, como o autor, aguardam o desmoronar de um sistema doente, alienante, votado ao fracasso. Numa prosa desconcertantemente clarividente, da janela aberta do seu automóvel, Henry Miller faz o implacável retrato de um país que ainda hoje reconhecemos: um país de grandes esperanças, promessas traídas e insanáveis contradições.
Terá sido numa quinta-feira à noite. Ele, a caminho dos trinta e três anos, funcionário numa empresa telegráfica e friamente casado, conheceu-a no salão de baile. De um momento para o outro, estava arrebatado de paixão e com a certeza de que uma nova vida se abria à sua frente: bastava que tivesse coragem para…
Num quente domingo do Verão de 1940, Milton Luboviski e Larry Edmunds foram surpreendidos na sua livraria de Los Angeles por um visitante inesperado. E como, desconhecendo-o, lhe não quisessem abrir a porta, o homem acabou por escrever o nome num papel e colá-lo contra o vidro. Chamava-se Henry Miller.
É assim que começa a história de Opus Pistorum a obra do moleiros ou a obra do Miller (o vocábulo latino pistor significa moleiro, que em inglês se diz miller). Não a história que o livro conta, mas a história do manuscrito e das suas incertas vicissitudes. Foi dois anos depois daquele encontro que Miller propós a Luboviski escrever-lhe qualquer coisa que ele pudes-se vender. Firmaram então um contrato, a um dólar por página, para a elaboração de um romance pornográfico.
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