O Capitão e o Inimigo de Graham Greene
Publicações Europa-América. Mem Martins, 1989, 186 págs. B. Colecção: Século XX | 305
Tenho agora vinte e dois anos e, contudo, o único aniversário que distingo claramente de todos os outros é o dos doze, porque foi naquele dia húmido e enevoado de Setembro que conheci o Capitão. Ainda me lembro das pedras molhadas sob os meus sapatos de ginástica no pátio do colégio e de como as folhas mortas tornavam escorregadio o claustro junto da capela quando corria imprudentemente para fugir aos meus inimigos entre uma aula e a seguinte. Escorreguei e fiz uma paragem brusca enquanto os meus perseguidores se afastavam assobiando, porque no meio do pátio se encontrava o nosso temível director, conversando com um homem alto que usava um chapéu de coco, um espectáculo raro já nessa altura, que o fazia parecer-se com um actor – impressão esta não muito errada, porque nunca mais o vi de chapéu de coco.
Fim da Aventura de Graham Greene. Estúdios Cor. Lisboa, 1958, 288 págs. B.
A ligação amorosa do romancista Maurice Bendrix com Sarah começara em Londres, durante o Blitz.
Um dia, inexplicavelmente e sem aviso, Sarah interrompeu a relação.
Parecia impossível que houvesse um rival no coração de Sarah. Mesmo assim, dois anos depois, levado por um ciúme e uma dor obsessivos, Bendrix contrata Parkis, um detective privado, para seguir Sarah e descobrir a verdade.
Este misterioso relato de uma aventura de amor e do seu místico fim, narrado por Greene de forma magistral, foi levado ao cinema por Neil Jordan, com Ralph Fiennes, Julianne Moore e Stephen Rea nos principais papéis.
O Poder e a Glória de Graham Greene. Livros do Brasil. Lisboa, s.d., 340 págs. B.
Este romance – o mais lido no século XX, em língua inglesa – é fruto de uma viagem que Graham Greene fez às terras de Tabasco para conhecer a perseguição religiosa que teve lugar nos anos vinte, no México.
O livro descreve as peripécias e os dramas do único sacerdote católico que continuava a exercer, clandestinamente, o seu ministério. Perseguido pela polícia, carregava consigo as cicatrizes do tempo: os gestos denunciavam um passado diferente e um temor em relação ao futuro. Não era nem herói nem santo, vivia como fugitivo, cheio de medos, com a consciência de ser um pecador, com o remorso de ter uma filha e, embora debilitado pela bebida, dizia zombeteiramente que com um pouco de conhaque era capaz de desafiar o demónio.
Um romance comovente em que, para este padre perseguido e fraco, a fé é uma certeza que não se deixa determinar pelas misérias.
Nó do Problema de Graham Greene.
Editora Ulisseia. Lisboa, 1956, 318 págs. B.
Em O Nó do Problema, Graham Greene mergulha nas profundezas da consciência humana através de Scobie, um agente da polícia que serve num estado da África Ocidental durante a guerra. Honesto até ao limite e incapaz de ser corrompido, Scobie vive dividido entre o dever e a compaixão. Quando o amor surge de forma inesperada, vê-se preso num dilema moral que o leva a trair os seus próprios princípios. Entre a fé, a culpa e o desejo, Greene constrói um retrato intenso de um homem que, ao tentar fazer o bem, desencadeia a sua própria destruição.
Teatro de Graham Greene Editora Arcádia. Lisboa, s.d., 231 págs. B.
Incluí: O Viveiro e O Amante Benévolo.
Graham Greene (1904-1991), escritor inglês, foi jornalista, crítico de cinema, correspondente de guerra e trabalhou para os serviços secretos. Católico convertido em 1926, destacou-se com The Man Within. Alternou romances sérios e de entretenimento, escreveu argumentos como The Third Man (1949) e obras marcadas por viagens e experiências políticas, como The Power and the Glory (1940) e The Quiet American (1955). É autor de clássicos como The End of the Affair e The Human Factor.
Contos de Graham Greene. Livraria Agir Editora. Rio de Janeiro, 1959, 350 págs. Mole.
Os contos de Graham Greene cor-rem paralelos à sua obra de romancista. Fazem pequeno volume, assim como a sua obra teatral que consta apenas de duas peças. Foram primeiro publicados em 1935, em número de dez, sob o título de The Basement Room (A Sala do Porão) que é, aliás, o conto inicial do presente volume e do qual foi tirado o argumento para o filme The Fallen Idol. Em 1947, Estes mesmos contos acrescidos de mais nove formaram o volume das Nineteen Stories, dezassete dos quais foram retomados em Twenty-One Stories, publicado em 1954.
Cônsul Honorário de Graham Greene.
Livraria Bertrand. Amadora, 1973, 385 págs. Mole.
Graham Greene considerava-o como o seu melhor romance e simultaneamente o que lhe mais custou a escrever. A obra tem como cenário uma cidade da Argentina, mas o pano de fundo é ocupado pela ditadura do general Alfredo Stroessner, que governou o Paraguai durante 35 anos. Um grupo de guerrilheiros paraguaios decide raptar um embaixador americano para exigir como resgate a libertação de presos políticos. Mas quem acaba por ser raptado por engano é Charley Fortnum, um cônsul honorário britânico e bêbado diplomado, sem o mínimo valor de troca em termos políticos. O Governo britânico não está interessado em salvar o seu cônsul, criando uma situação extremamente grave para Fortnum. Tal como todos os livros de Greene, O Cônsul Honorário é um romance de acção, de espionagem e, acima de tudo, um drama moral. O seu enredo engenhoso e o seu humor subtil inspiraram, em 1983, um filme com Michael Caine no magnífico papel de cônsul.
Capitão e o Inimigo de Graham Greene. Círculo de Leitores. Lisboa, 1990, 182 págs. Dura.
“Tenho agora vinte e dois anos e, contudo, o único aniversário que distingo claramente de todos os outros é o dos doze, porque foi naquele dia húmido e enevoado de Setembro que conheci o Capitão. Ainda me lembro das pedras molhadas sob os meus sapatos de ginástica no pátio do colégio e de como as folhas mortas tornavam escorregadio o claustro junto da capela quando corria imprudentemente para fugir aos meus inimigos entre uma aula e a seguinte. Escorreguei e fiz uma paragem brusca enquanto os meus perseguidores se afastavam assobiando, porque no meio do pátio se encontrava o nosso temível director, conversando com um homem alto que usava um chapéu de coco, um espectáculo raro já nessa altura, que o fazia parecer-se com um actor – impressão esta não muito errada, porque nunca mais o vi de chapéu de coco.”
Agente Secreto de Graham Greene. Empresa Nacional de Publicidade. Lisboa, s.d., 336 págs. Mole.
D., um ex-professor de Literatura Medieval, foi enviado a Inglaterra com a incumbência de adquirir carvão… a qualquer preço. Falhar significaria a derrota… a derrota para um governo continental com uma guerra civil entre as mãos. Escrito em cerca de seis semanas durante o ano de 1938, O Agente Secreto é uma brilhante antevisão dos dramas que iriam assolar a Europa e o mundo nos anos subsequentes.
O Mundo dos Ricos de Graham Greene. Publicações Europa América. Mem Martins, 1980, 145 págs. B. Colecção: Século XX | 177
A riqueza e a pobreza, o mundo dos ricos e o mundo dos pobres, têm inspirado algumas das melhores obras da literatura moderna. As contradições que encerram os contrastes que os marcam têm sido bastamente explorados em todos os tons e dir-se-ia pouco mais haver para extrair de tão versado tema. E eis que Graham Greene resolve fazer deles assunto deste livro para levar mais longe a análise e se debruçar com mais profundidade sobre certas contradições implicitas e pouco notadas naqueles mundos. Contradições que o romancista resume pela boca de um dos personagens quando afirma: «[…] não há gente mais gananciosa do que os ricos. Os ricos não têm orgulho, a não ser nos seus bens. As únicas pessoas com quem é preciso ter cuidado são os pobres.»
Fim da Aventura de Graham Greene. Edições ASA. Lisboa, 2000, 264 págs. B.
A relação amorosa do romancista Maurice Bendrix com Sarah Miles inicia-se nos tempos turbulentos do Blitz, em Londres. Mas, um dia, sem explicação, Sarah termina abruptamente a ligação entre ambos. Parecia impossível que pudesse existir um rival no coração de Sarah, mas mesmo assim, dois anos depois, levado por um ciúme e uma dor obsessivos, Bendrix contrata um detetive privado, Parkis, para a seguir e descobrir a verdade.
Esta absorvente e misteriosa história de uma aventura amorosa e do seu místico fim, contada de forma magistral por Graham Greene, foi adaptada ao cinema por Neil Jordan, com Ralph Fiennes, Julianne Moore e Stephen Rea nos principais papéis.
Forma-se um estranho grupo nos vagões do Expresso do Oriente: um médico atemorizado por um grande segredo, uma dançarina de cabaré em luta pela sobrevivência, um comerciante preparando-se para as subtilezas, cifras e contratos que o aguardam em Istambul. Mas o perigo ronda os corredores do comboio. Há um assassino em fuga e uma jornalista perseguindo uma reportagem e o que eles querem da viagem coloca em risco o destino de todos.
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