Adrian Ludlow, escritor reputado e autor de um livro que fez grande sucesso, procura agora a obscuridade, vivendo numa pequena casa por detrás do aeroporto de Gatwick. Quando Sam Sharp, seu amigo dos tempos da faculdade e agora um famoso guionista, lhe dá conta de como fora maltratado num jornal de Domingo por Fanny Tarrant — uma entrevistadora da nova geração de jornalistas implacáveis — decidem juntos urdir uma vingança.
Mas, para isso, Adrian terá que pôr em risco a sua privacidade, e essa é uma viagem sem regresso…
«Durante as primeiras semanas e embora contrariado, o pessoal mais consciencioso pesava os livros nas balanças da cozinha e das casas-de-banho e efectuava longas somas em bocados de papel.»
Até Onde Se Pode Ir de David Lodge. Edições ASA. Porto, 2006, 266 págs. B.
Os encontros e desencontros de um grupo de católicos ingleses, desde os seus tempos de universidade, no início da década de 50, até ao final dos anos 70, servem de cenário a esta sátira – simultaneamente divertida e amarga – que consegue a proeza de descrever as questões morais vividas pela grande maioria dos cristãos.
Dennis, Michael, Ruth, Polly, entre outros, são confrontados com as inevitáveis atribulações da vida: do casamento ao adultério, passando pela doença e a perda, e, como uma sombra, o Concílio Vaticano II e a encíclica papal Humanae Vitae contra a concepção. Ou seja, de um lado, a tradicionalista Igreja Católica, e, no extremo oposto, o canto da sereia da sociedade permissiva. E com a invenção da pílula e a extinção do Inferno, será difícil a este grupo de amigos manter intacta a sua virgindade espiritual e não desapontar Cristo.
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