A Espuma dos Dias de Boris Vian.
Ulisseia Editores. Lisboa, 1983, 222 págs. B. Clássicos do Romance Contemporâneo | 23
«Chamaram-lhe, alguns, a obra-prima do autor. E num prefácio que andou durante muito tempo colado ao seu Arranca-corações, Raymond Queneau não hesitava perante um rótulo hierarquizante e audacioso: “o mais pungente dos romances de amor contemporâneos”. Nos anos sessenta, A Espuma dos Dias circulou com estas difíceis responsabilidades.
Enfrentou-as mostrando a singularidade de um universo ainda não conhecido com tanto talento na literatura; que se comprazia a impor aos homens e aos objectos leis novas, interdependentes. De facto, os objectos que lá existiam tinham um comportamento emotivo e implacavelmente ligado aos estados de alma de quem os utilizava. O que já antes parecia sugerido por Edgar Allan Poe em A Queda da Casa Usher, assumia ali uma evidência despudorada que corria em dois sentidos, de sol e sombra, e nos informava muito mais sobre o interior das personagens do que qualquer alusão directa que o texto chegasse a fazer.»
Morte aos Feios de Boris Vian.
Relógio d’Água. Lisboa, 2002, 195 págs. B.
Acordar completamente nu, deitado num quarto desconhecido onde uma bela mulher quer à viva força fazer amor… A aventura é um tanto
insólita. Sobretudo tratando-se de Rocky Bailey, que quer permanecer virgem até aos vinte anos e tem um físico de desportista. Enfim, o género de situações que não nos ensinam a resolver na universidade.
Além disso, o quarto é numa clínica e há um homem assassinado numa cabine telefónica, fotos de terríveis operações cirúrgicas, perseguições, lutas e, para desespero de Rocky, raparigas por todo o lado.
Tais são os ingredientes deste policial de Boris Vian, escrito sob o pseudónimo de Vernon Sullivan, angustiante e irónico como outros livros do autor de «A Espuma dos Dias». E o menos que pode dizer-se
é que esta clínica, onde o Dr. Schutz selecciona
reprodutores humanos e manipula embriões, adquire uma estranha actualidade nos dias que correm.
Espuma dos Dias de Boris Vian. Editora Ulisseia. Lisboa, 1968, 272 págs. B.
«Chamaram-lhe alguns, a obra-prima do autor. E num prefácio que andou durante muito tempo colado ao seu “Arranca-Corações”, Raymond Queneau não hesitava perante o rótulo hierarquizante e audacioso: “o mais pungente dos romances de amor contemporâneos”.»
Da Apresentação de Aníbal Fernandes
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