Fanny Owen de Agustina Bessa-Luís
Público Comunicação Social. Porto, 2002, 222 págs. E.
«Não significa tal que este livro não arda. O que acontece dentro é um desses fenómenos cuja potência afunda um continente ou levanta das cinzas uma ilha. Pois nele se realiza aquele encontro, proibido pelas leis do devir físico, entre Camilo Castelo Branco e Agustina. Este, sim, é um encontro de alto risco. Se a sua grandeza não fosse de maneira a obrigar-nos a guardar a distância, mandaria a prudência que a guardássemos.
«(…) Está claro que teriam de nascer em dois tempos diferentes, pois a coexistência arrastaria um desastre, no sentido sideral desta palavra. Ainda assim, a relação entre eles é turbulenta, visceral, excitante. Vê-se o quanto Agustina admira o homem, como o entende, como o desmascara, como se irrita quase que domesticamente com as suas fraquezas de carácter. Se existe um par na literatura é este, não a Sand e o Musset, a quem o próprio espectáculo do amor prejudicou.»
Florbela: a Vida e a Obra de Agustina Bessa-Luís.
Editora Arcádia. Lisboa, 1979, 261 págs. Mole.
Importante biografia sobre um dos mais queridos nomes da poesia portuguesa. Volume integrado na colecção «A Obra e o Homem», documentado com fotografias e uma antologia Segunda edição, conforme a primeira publicada em 1979.
Os Quatro Rios de Agustina Bessa Luís
Guimarães Editores. Lisboa, 1964, 280 págs. B.
Romance inaugural da trilogia «As Relações Humanas», cujos exemplares, nesta sua primeira edição, são bastante invulgares. Como escreveu José Régio, “Onde quer que um livro de Agustina Bessa Luís apareça em competição com outros seus contemporâneos e nossos conhecidos — todos esses outros passam (ou deveriam passar) a segundo plano”.
📕 1ª Edição.
🟡 Lombada danificada e capa com vestígios de humidade.
Primeiros Contos e Outros Contos de Agustina Bessa-Luís Relógio d’ Água Editores. Lisboa, 2020, 199 págs. B. 𓂃🖊Prefácio Mónica Baldaque
Este livro reúne dezassete contos, quinze dos quais inéditos.
«Agustina sempre gostou do conto, das histórias contadas à lareira, ou na sombra da ramada. Todos sabiam contar histórias, e a atenção dos ouvintes era captada com uma sabedoria magistral. Agustina foi ouvinte, e aprendeu. Mesmo nos seus romances, por vezes deparamo-nos com umas páginas que poderiam ser isoladas num conto. E o que sinto é que, embora uns desses contos estejam loca- lizados numa cidade, como na Coimbra dos anos 40, por exemplo; numa época, que pode ser a medieval, ou o século XIX, ou a de hoje; num contexto que já é memória, como a infância; é certo que, se despirmos os contos desses sinais, se despirmos as personagens da sua roupagem, se lhes retirarmos as máscaras, e ficar apenas a fala, o conto permanece intacto e eternamente actual.»
A Sibila de Agustina Bessa-Luís Babel. Lisboa, 2014, 291 págs. B.
No norte de Portugal, em finais do século xix, na propriedade da Vessada, há já muito tempo que são as mulheres que, perante a indolência e os sonhos de evasão que os homens alimentam, asseguram como podem a gestão da propriedade. Quina era uma adolescente franzina e inculta, que desde cedo participava nos trabalhos do campo ao lado dos trabalhadores. Com a morte do pai, com a propriedade quase em abandono, Quina passa a ter que ter uma ainda maior responsabilidade na administração da mesma. Graças ao seu esforço a todos os níveis, começa a acumular de novo a riqueza que seu pai desperdiçara, o que lhe vale a admiração da sociedade. Quina era uma pessoa lúcida, astuta e sempre em demandas, o que faz com que esta se torne conhecida por Sibila…
Vale Abrãao de Agustina Bessa-Luís.
Planeta DeAgostini. Lisboa, 2000, 304 págs. E.
«As suas personagens não eram bonecos vestidos de ideias que em lugar de pensarem os sentimentos eram pensadas por eles, usava nexos afectivos, não racionais, as suas obras não obedeciam a uma ordenação lógicodiscursiva, obedeciam a uma tumultuosa ordenação do caos, a inteligência não era apanágio do autor, era uma característica da escrita, no sentido em que as palavras solucionavam a tessitura de acordo com uma implacável lógica interna, não nos conduzia a parte nenhuma, mergulhava-nos em nós mesmos dando-nos a conhecer o nosso caos interior, descodificando-o e mostrando-nos a sua complexa simplicidade
(parece um paradoxo mas não é)
e construiu uma obra única de catalogação do mundo, uma aprendizagem das luzes e das trevas da qual saímos como quem desperta de um sonho, devorados pela prosa, reduzidos às cinzas de um fogo que nos devolve inteiros a nós mesmos. Aprende-se com ela como as trevas são claras e como tudo é excepcional.»
Meninos de Ouro de Agustina Bessa-Luís. Guimarães Editores. Lisboa, 1984, 315 págs. B.
«Esse homem fatal, José Matildes, é, a dado passo, definido como um Orfeu, dividido entre o resgate e a dissolução. Mas aonde regressará, e o que é que o desfaz? O caso amoroso com Marina certamente não o define no domínio moral, mas apenas no campo político. É por causa de Marina que José faz política, anda com ela ao lado como nas campanhas eleitorais, como se a conjugalidade fosse um comício. José é perspicaz, mesmo quando não se apercebe disso. Entendeu que os portugueses se desiludiram com a Revolução, que não foi apenas a libertação de um jugo mas uma promessa infundada de felicidade. Como escreve Agustina, o simbolismo afectivo da Revolução fracassou, e isso activou o velho fundo messiânico. Quem encarna esse Sebastião de gravata é José Matildes, príncipe de cortesia algo tensa, democrata sofista, jogador sem vícios. Ousado sem ser original, José detesta compromissos, cedências, afasta os aliados, seduz os adversários. Não é essencialmente um governante, nem um tribuno, é alguém que carrega uma angústia, que se sente culpado sem ter feito nada de mal, que vê os obstáculos como castigos.»
📕 5ª Edição. ✅ Livro sem marcas, assinaturas ou sublinhados.
Florbela: a Vida e a Obra de Agustina Bessa-Luís.
Editora Arcádia. Lisboa, 1979, 261 págs. B.
Importante biografia sobre um dos mais queridos nomes da poesia portuguesa. Volume integrado na colecção «A Obra e o Homem», documentado com fotografias e uma antologia Segunda edição, conforme a primeira publicada em 1979.
“Alguém, não recordo o nome, disse-me que para escrever uma biografia se tinha rodeado de retratos daquela pessoa que ia chamar. Chamar, é o termo. É usado nas sessões espíritas para evocar a presença dos mortos. Quando queremos conhecer esse que já não é deste mundo e que deixou uma lenda na sua passagem, ou…
Advinhas de Pedro e Inês de Agustina Bessa Luís. Guimarães Editores. Lisboa, 1983, 239 págs. B.
A história de Pedro e Inês recebe aqui um tratamento a situá-la na sua figura própria, que é o carácter da pessoa. A verdade é um estado de fé. Descobrir nos arquivos os sinais dos acontecimentos é menos importante do que descobrir a maturidade do tempo em que os acontecimentos se deram e, por conseguinte, a verdade.
Martha Telles: O Castelo Onde Irás e Não Voltas de Agustina Bessa-Luís.
Imprensa Nacional – Casa da Moeda. Lisboa, 1986, 92 págs. B.
Sente um desejo de reaver a ilha? As flores pálidas das hidranjas, as lagartixas pré-históricas, as japoneiras em flor, o mar abraçado ao nevoeiro ?Então Martha começa a pintar aqueles grandes quadros genealógicos. O avô general, que presidia na tribuna em dia de festa; a mãe cantora, vocalizando Mozart; os lutos, os dias de anos, as cadeiras enfeitadas de flores. Não há maneira naïve, não no estilo do aduaneiro Rousseau? É doutra maneira. Como se voltasse à infância deliberadamente e fosse o médium da sua própria história, fecunda e copiosa como é a história da infância.
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