Com este volume propõe-se o Museu Monográfico de Conímbriga ajudar o visitante a guardar memória dos objectos que viu e dos ensinamentos que colheu. São vários os modos de apresentar uma colecção arqueológica em exposição permanente. A opção que fizemos teve em conta um triplice objectivo: mostrar sem fatigar, tornar os objectos eloquentes; despertar no visitante o respeito pelo testemunho arqueológico
Lisboa Manuelina (1495-1521) de Simonetta Luz Afonso [Coord.]. Instituto Português dos Museus. Lisboa, s.d., 72 págs. B.
Partindo da esplèndida Custódia de Belém, onde em apurada iconografia deixou D. Manuel bem vincadas as ressonâncias bíblicas do seu reinado, este guia propõe um percurso singular pelos vestígios da Lisboa de quinhentos. É antes de tudo a cidade da expansão, onde se acumulavam porém os sinais de uma ocupação muito anterior, cidade marcada então pela empresa régia e pelo magnificiente gosto de um monarca.
Nos Jerónimos sobretudo, uma fábrica triunfal paradoxalmente tão próxima da arquitectura mínima da Custódia, ficou plasmada a riqueza das Índias e fixado o providencialismo da ideologia real, depois continuados nos rendilhados da Misericórdia, nas inovações defensivas da Torre de Belém ou no luxuriante exotismo do Paço de Sintra. São trajectos que transcedem assim os limites estritos de Lisboa, reencontrando o sentido de itinerância da côrte manuelina, e que revelam as acções sistemáticas de um mecenato esclarecido, tão apto na escolha dos grandes partidos arquitectónicos, na encomenda dos retábulos que adornavam as igrejas ou das preciosas alfaias que davam o tom ao espectáculo incessante da piedade da época.
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