É Sempre Tarde Demais… de Marcos Farrajota. Bedeteca de Lisboa. Lisboa, 1998, 16 págs. Mole.
De resto, É SEMPRE TARDE DE MAIS… trata-se de uma história roubada ao seu fanzine, aquele que promete fazer até ao fim da vida. (Ou será que a puta da vida é um fanzine?) Em tom melancólico-depressivo, tão caro aos desesperos fim de século, assume como estilo uma espontaneidade algures entre o traço virgem e a vontade persistente para gritar NO FUTURE. Sempre com laivos autobiográficos, ou não fosse Marcos um autor nos anos noventa
Quem é Este Homem de André Lemos. Bedeteca. Lisboa, 1999, 28 págs. Mole.
A resposta à pergunta QUEM ESTE HOMEM? dificilmente será encon-trada nestas páginas. Estranhos animais e parentes afastados são convocados para, num longo poema gráfico e absurdo feito de frases lapidares e imagens rasgadas, tentar encontrar um sentido para a vida deste homem que, afinal, pertencia ao peixe que a vaca fez desa-parecer por seu desejo. A galeria de horrores domésticos só explica o sem sentido da pescaria.
Apontamentos de Raphael Bordallo Pinheiro sobre a Picaresca Viagem do Imperador de Rasilb pela Europa de Raphael Bordallo Pinheiro. Bedeteca. Lisboa, 1996. B.
Esqueçamos as cronologias onde se espartilham as vidas dos artistas. Esqueçamos os enquadramentos históricos que podem ajudar a perceber as personagens. Esqueçamos, finalmente e por um só instante, os argumentos dirimidos por quem sabe e que dão estes Apontamentos como a primeira das histórias aos quadradinhos narrada por um talento português. Deixemos tudo para trás e entremos, com a surpresa na mala de mão, nesta viagem do Imperador que só tem dezasseis mil e duzentos réis para ver o mundo». Logo a viagem deixa de ser desse Imperador de chinelos. Um estilo aparentemente – e só na aparência! – solto e descuidado puxa-nos pelos olhos para uma girandola vertiginosa. Como se não bastasse o ritmo com que dispara farpas de inesperada agressividade a academias, o?a-vontade com que faz estilhaçar em gargalhadas os temas de alta política ou as pequenas observações de quotidiano, ou um texto cheio de sabor e engenho com que nos mantém em vibração, tudo é servido por uma genial mestria gráfica que se mantém hoje, aqui e agora, vivaz. Pois. Em 1872, um Raphael Bordallo Pinheiro de dimensão ainda completamente por reconhecer concedia-se a libertinagem de forçar todos os meios para cumprir o seu fim de dizer um mundo novo: usar os paréntesis numa história em imagens, mudar de estilo, imitar desenhos infantis, inventar sinais icónicos, quebrar regras de leitura. ou imprimir cadências tão diferentes que ora conta uma discussão inútil em seis cenas ora percorre numa só quatro países e várias regiões. A estes podiam facilmente somar-se outros exemplos para provar que estamos perante um caso maior de uma grande arte narrativa. Bordallo, como ninguém, define com o seu prazer de contar, a sua pressa em opinar, a sua estética nervosa as linhas com que se cose uma linguagem. Moderna, porque não lhe chegam palavras e imagens em separado para lançar tão explosivas emoções. – João Paulo Cotrim
Lisboa 24H00 de David Soares. Bedeteca. Lisboa, 2000, 27 págs. Mole.
David Soares é autor dos romances Batalha, uma história que discorre sobre o fenómeno religioso a partir do ponto de vista dos animais, O Evangelho do Enforcado, que conta a história dos painéis de São Vicente de Fora, Lisboa Triunfante, uma história mágica sobre a capital portuguesa, e A Conspiração dos Antepassados, sobre o encontro do poeta Fernando Pessoa com o mago inglês Aleister Crowley. Publicou quatro livros de contos, dez livros de banda desenhada, dois livros de ensaio e dois discos de spoken word.
Na sua carreira como autor de banda desenhada (publicado em França), foi premiado com quatro troféus para Melhor Argumentista Nacional e uma bolsa de criação literária, atribuída pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas e pelo Ministério da Cultura.
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