O Papalagui de Tuiavii
Antígona Editores. Lisboa, 1996, 74 págs. B. Il. 👨🏻🎨 Ilustrações de Joost Swarte
Tuiavii nunca teve intenção de publicar esses discursos na Europa, nem sequer de os mandar imprimir; destinavam-se unicamente aos seus compatriotas polinésios. Se eu, apesar disso, transmito aos leitores europeus os discursos desse indígena, sem que ele o saiba e certamente contra sua vontade, é porque estou convencido de que nos vale a pena, a nós, homens brancos e esclarecidos, ter conhecimento do modo como um indivíduo ainda intimamente ligado à natureza nos vê a nós e à nossa cultura. Através dos seus olhos descobrimos a nossa própria imagem, e isso com uma simplicidade que já perdemos. Os leitores particularmente fanáticos da nossa civilização irão decerto achar a sua maneira ver ingénua, e até mesmo pueril, ou parva; no entanto, mais do que uma frase de Tuiavii deixará pensativo o leitor mais modesto, pois a sabedoria de Tuiavii não emana de um saber erudito, mas é mais uma inocência de fonte divina.»
A Morte Melancolólica do Rapaz Ostra & Outras Histórias de Tim Burton.
Antígona Editores. Lisboa, 2007, 119 págs. B. Il.
Depois do sucesso no cinema, o realizador Tim Burton apresenta-nos A Morte Melancólica do Rapaz Ostra, que reúne 23 histórias para miúdos e graúdos, em que as personagens são heróis especiais, sem super- -poderes, meros sobreviventes num mundo sem amor. Construídas com um humor sinistro, estas histórias são profusamente ilustradas por belíssimas gravuras que retratam de forma exempla
Quinta dos Animais de George Orwell. Antígona. Lisboa, 2008, 156 págs. B.
À primeira vista, este livro situa-se na linhagem dos contos de Esopo, de La Fontaine e de outros que nos encantaram a infância. Tal como os seus predecessores, Orwell escreveu uma fábula, uma história personificada por animais. Mas há nesta fábula algo de inquietante. Classicamente, atribuir aos animais os defeitos e os ridículos dos humanos, se servia para censurar a sociedade, servia igualmente para nos tranquilizar, pois ficavam colocados à distância, «no tempo em que os animais falavam», os vícios de todos nós e as sua funestas consequências. Em A Quinta dos Animais o enredo inverte-se. É a fábula merecida por uma época – a nossa época – em que são os homens e as mulheres a comporta-se como animais.
Os Cantos de Maldoror: Poesias I & II de Conde de Lautréamont.
Antígona. Lisboa, 2009, 334 págs. B.
Uma edição completa, que inclui uma novíssima tradução de Os Cantos de Maldoror, pela mão sensível do poeta Manuel de Freitas, e também as Poesias I e II.Compreende igualmente um pertinente prefácio de Silvina Rodrigues Lopes. Terminados em 1869, Os Cantos de Maldoror, do Conde de Lautréamont, pseudónimo de Isidore Ducasse (1846-1870), não seriam colocados à disposição do público tão cedo, por receio do editor. Foram mais tarde recuperados do esquecimento pelos surrealistas; estes proporcionaram ao autor a celebridade de que hoje goza como clássico absoluto, tendo influenciado muitos dos grandes escritores da actualidade. São páginas de horror corrosivo, que agarram o leitor, não o largam até à última página, e depois perduram na memória para sempre.
A Revolução Espanhola ocupa um lugar-charneira na obra de George Orwell. A génese dos seus livro mais celebrados, Mil Novecentos e Oitenta e Quatro e A Quinta dos Animais remonta à Catalunha, onde o escritor pela primeira vez apreendeu em profundidade, no decurso da contra-revolução, a prática sinistra da falsificação histórica cientemente organizada.
Diário para Eliza de Laurence Sterne. Antígona Editores. Lisboa, 2000, 185 págs. B.
Esta edição reúne três textos de Laurence Sterne (1713-1718): Diário para Eliza, Um Romance Político e Fragmento Rabelaisiano. O Diário para Eliza, dirigido a Elizabeth Draper (1744-1778), foi escrito entre Abril e Agosto de 1767, quando Sterne compunha a Viagem Sentimental (1768). Apesar de o manuscrito do diário ser conhecido desde meados do século XIX, manteve-se inédito até 1904. Um Romance Político foi publicado originalmente em 1759, e o Fragmento Rabelaisiano, que veio a lume apenas postumamente, teria sido escrito nesse mesmo ano. Estes dois textos anunciam, na virulência satírica e no sarcasmo paródico, a obra magna de Sterne, A Vida e Opiniões de Tristram Shandy (1759-1767).
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