Cómicos de Antero de Figueiredo. Livraria Bertrand. Lisboa, s.d., 251 págs. Mole.B.
Nesta nova edição, estive para mudar o título ao livro e pôr-lhe o de Êrro de Amor, porque o de Cómicos tem uma amplitude que o trabalho não comporta, visto a novela tratar sómente de um episódio de teatro (amores com uma actriz) e não de estudo de psicologia do actor e do seu meio, que é uma sociedade diferente, com almas diferentes— mundo àparte em extremo complexo e pitoresco, nas suas aparentes contradições(…)
✍🏻 Edição rubricada pelo autor.
📝 Assinatura de posse.
Problema do Crédito em Angola de Cunhal Leal. Ed. Autor. Lisboa, 1930, 86 págs. B.
As nossas possessões africanas, mas inda mais do que as outras Angola e Moçambique, foram postas, praticamente, em aperto asfixiante, coação intima, insolvência compelida, moratória longa, desagregação moral e jurídica, e liquidação forçada, angustiosa, desesperada, inadmissível, pela política financeira, bancária, monetária e cambial.
Camões e Gil Vicente de Bernardo Gonçalves Neto. Ed. Autor. 1949, 98 págs. B.
Este livro foi escrito, para o aluno do 5.º ano estudar por ele, e resultou de um punhado de lições dadas por nós, no ano lectivo de 1947-1948, como ensaio de uma ideia mais interessante.
Nele se diz qual é o nosso pecado na custosa arte de ensi nar homens menos crescidos, mas homens em todo o caso: nem já gramática que enfastie, nem a pequena doença da Filologia. Antes, (pelo menos, antes de o mais) uma boa leitura, correcta, muito expressiva e adivinhadora de caracteres humanos, a sábia interpretação do texto, a aproximação dos pensadores de uma época (a literatura comparada deleita os alunos, prende-os ao lugar e confirma as razões do professor) e a salutar aplicação a corações desejosos de coisas belas e duradoiras.
Estes Vários Aquários de Afonso de Moura Guedes. Brasília. Lisboa, 1990, 44 págs. B.
Dormi contigo, amor, em pensamento,
Numa cama de sol, de sal e vento
E gerámos um filho, uma semente,
Uma sonata, um rio transparente,
Um livro, um verso, uma oração, um rosto,
Um sorriso, uma flor, o mês de Agosto.
De Amor Louco… Todos Sofremos um Pouco de Hélder Travado. Ed. Autor. Lisboa, 1999, 197 págs. E.
E porquê, também, o Amor como tema fulcral deste livrinho despretencioso? Porque acredito muito sinceramente, como o escrevo num poema desta Colectânea, que esse profundo sentir, “essa febre alta” do desejo, em que tantas vezes se envolve a Amizade, esse sim, o mais puro e inestimável sentimento da condição humana, é de facto a força motora que move a humanidade. Amor, esclareça-se, sublimado de muitas maneiras, por bem ou por mal, para o melhor ou para o pior, muitas vezes imperceptíveis, outras profundamente contraditórias. Se em tal não acreditasse, estes versos que aqui vos deixo, não teriam razão para ver a luz do dia. E essas páginas do meu passado ficariam, para sempre, em branco…
“Com raizes profundadas, teluricamente, num cerro alcandorado do Alentejo alto, este Fragmentos de Silêncios, quais voos planados de altaneiro gavião, ao sabor de um soão escaldante de inspiração, como que se transformam, por força de algum milagre, em voos descansados de gaivota, ao sabor da travessia da que, na planície penicheira, ensaia bailados de algas…
Manhã de verão. O trem de sete horas ainda não desceu. Certamente descarrilou em Paripe, ou senão faltou energia. Ou senão alguém botou um despacho na curva de Paripe. Ninguém sabe o que aconteceu ao trem das sete. Também aqui na sede da CIT (Companhia dos Inimigos do Trabalho) ninguém está interessado em saber. Aliás, ninguém pintou por aqui. Nem Dau, que madruga todos os dias. Nem Dau. Dez horas e Toinho nem se fala. Só chegam aqui quando o sol já está bastante quente. Caminham devagar, olhando o mundo e pensando no futuro que eles aguardam.
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