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Victor de Sá

Historiador e professor universitário.
De formação marxista e activista das liberdades fundamentais durante o período da ditadura fascista, pautou a sua actividade de investigador com a intervenção cívica. Trabalhou no sistema de leituras domiciliárias (1942), tendo sido fundador, em Braga, de uma Biblioteca Móvel que funcionou até 1950. Interrompeu os estudos para se dedicar à actividade de livreiro naquela cidade, actividade que manteria durante mais de um quarto de século. Mais tarde frequentou, como aluno voluntário, a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Ciências Histórico-Filosóficas (1959).
Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, de 1963 a 1968, em Paris, aí se doutorou em História, na Sorbonne (1969), com a tese A Crise do Liberalismo e as Primeiras Manifestações das Ideias Socialistas em Portugal (1820-1852), editada pela Seara Nova nesse mesmo ano. O júri foi constituído pelos especialistas franceses, Albert Silbert e Pierre Vilar, entre outros, tendo-lhe sido atribuída a mais alta menção. Impedido de leccionar pelas suas actividades políticas, tendo mesmo sido preso em 1960 e em 1962, só em 1975 viria a ingressar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tendo passado depois para a Universidade do Minho.
Convidado em 1981 para colaborar, em Lisboa, com o Instituto Superior de Humanidades e Tecnologias, participou desde então na projectada Universidade Lusófona, onde também geriu um curso de mestrado em História de Portugal, e colaborou na instalação da Biblioteca Universitária que em 1996 adoptou o seu nome.
Desde 1945 participou nas Comissões da Oposição Democrática formadas no distrito de Braga, e nas eleições de 1961 foi candidato a deputado por este círculo. Em 1969, em idêntica campanha eleitoral, a sua candidatura foi rejeitada pelas autoridades da ditadura. Foi o primeiro deputado comunista por Braga, em 1979, e, em 1985, foi eleito presidente da Assembleia Municipal de Sintra, concelho onde entretanto se fixou.
Foi colaborador de diversas publicações como as revistas Seara Nova, Vértice, Fronteira, Análise Social, Revista de História (do Centro de História da Universidade do Porto, de que foi um dos principais animadores), O Instituto ou os jornais O Comércio do Porto, República, A Capital e, depois de 25 de Abril de 1974, O Jornal, entre outras.
Participou no Congresso de Filosofia de Braga (1955) e no 1º. Congresso de Etnografia e Folclore (1956) na mesma cidade. Em 1962 participou no Congresso da Comunidade Europeia de Escritores, em Florença (Itália), e em 1981 no colóquio organizado pelo Centro de Estudos de História Contemporânea Portuguesa (ISCTE).
Membro da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, da Sociedade Portuguesa de Autores, da Sociedade de Estudos do Século XVIII, da Sociedade Francesa de Lusitanismo do Ensino Superior, da Sociedade de Filosofia de Lisboa e da Associação dos Professores de História.
O Prof. Vieira de Almeida teceu considerandos encomiásticos ao trabalho de Victor de Sá para revelar o alcance do pensamento filosófico de Amorim Viana (1822-1901), até então semi-esquecido e, sem dúvida, um caso invulgar na bibliografia filosófica portuguesa. Cabe a este investigador a responsabilidade de ter chamado a atenção para esta personalidade do século XIX, injustamente esquecida pelo alarde público e literário da denominada Geração de 70.
Cedeu os seus direitos de autor para a criação de um Prémio de História Contemporânea de Portugal, que todos os anos tem sido atribuído pela Universidade do Minho.