Viagens de Gulliver é o tipo abreviado pelo qual se tornou mundialmente famosa a obra de Swift viagens a várias Nações Remotas Deste Mundo, feitas por Lemuel Gulliver, a princípio Médico e depois Capitão de Vários Navios, editada em 1726.

Publicada na época de maturidade do seu autor, As Viagens de Gulliver são das atitudes mais cruéis e ferozes a humanidade em geral, e a sociedade inglesa em que Swift se inseria, em particular.

Jonathan Swift nasceu em Dublin, na Irlanda, em 1667, de pais ingleses.  Estuda na Universidade de Dublin durante sete anos e vai depois para Inglaterra, onde consegue entrar ao serviço de Sir William Temple, um influente diplomata e ex-membro do Parlamento que vivia retirado em Moor Park, a cerca de setenta quilómetros de Londres. Swift terá aí exercido um pouco as funções de Secretário, e ainda de perceptor de uma jovem pupila de Sir William, de nome Esther Johnson, que ele viria a celebrizar mais tarde sobre o nome de Stella, e a quem o ligou profunda paixão. Continua os seus estudos de teologia e, em 1700, depois da morte de Sir William, deixa a Inglaterra e vai para a Irlanda.  Aí escreve, um ano depois, o seu primeiro panfleto político: Discurso Sobre as Lutas e Discussões entre Novos e Comuns em Atenas e Roma.

Conselheiro ouvido por todos os governos, Swift vai fazendo estadas cada vez mais prolongadas em Londres, embora tenha sido nomeado deão da catedral de São Patrício, em Dublin. De 1711 a 1714 Swift está no auge da sua celebridade: tem influência política, colabora no Examiner, escreve Diário para Estela, Proposta para Corrigir a Língua Inglesa, e um longo panfleto em que apoia os esforços do governo para que se faça a paz com a França. E já famoso o seu espírito independente e a audácia para com os grandes e poderosos.

No entanto a sua boa Estrela começa a empalidecer a partir de 1714: a morte da rainha Ana provoca mudanças de governo, e sobem ao poder os que mais declaradamente se tem afirmado como inimigos de, acusando, como ele próprio escreve,  “de ter demasiado da sátira nas veias”… É então que ele escolhe o exílio quase definitivo em Dublin. As viagens a Inglaterra tornaram-se cada vez mais raras ponto a última é em 1727: a partir de então e até à sua morte (em 1745) nunca mais saiu da Irlanda.

Swift nunca gostou da Irlanda. Nunca gostou da terra onde vivia ponto e por essa razão escreveu várias obras a protestar contra o estado de coisas que por lá presenciava, contra a maneira de viver das classes mais baixas que não tinham qualquer espécie de recursos e eram votadas ao abandono pelo poder central ponto uma dessas obras, proposta para a utilização universal dos produtos irlandeses chegou a ter influência junto do governo inglês da altura, fazendo olhar de maneira diferente para a Irlanda ponto durante a sua vida, 2 Mulheres lhe despertaram a afeição. Mulheres que ele celebrizou com os nomes de Stella e Vanessa ponto de qualquer modo foi Stella a quem esteve sempre mais ligado (alguns biógrafos afirmam mesmo que ele terá chegado a casar secretamente com ela) e, quando da sua morte, em 1728, Swift sofreu um choque de que nunca viria a recompor-se. Em 1738 foi-lhe detectado um tumor cerebral, e começou a ter sintomas de perturbações mentais que o deixavam na mais profunda apatia ponto em 1742 é a demência declarada – até a sua morte, em 1745.

E, por ironia do destino, este homem que nunca gostou da Irlanda e sempre se sentiu inglês, tornou-se, na sua morte, um patriota irlandês, com popularidade nacional, sentindo-se a população grata por tudo quanto ele tinha escrito sobre ela, e por tudo o que esses escritos tinham conseguido trazer na prática. É interessante ler um pouco da descrição do dia da sua morte da Swift contada por Sheridan, um dos seus biógrafos:

“No dia 19 de Outubro de 1745 toda a cidade de Dublin se dirigiu a sua casa, pondo luto como só os irlandeses sabem fazer no quarto do morto, arrancaram lhe tantas madeixas de cabelo e todos os mostraram tão desejosos de levar uma recordação que, a menos de 1 hora, a venerável cabeça Swift ficou completamente desguarnecida da sua cabeleira prateada, não lhe restando nem um só cabelo.”

Viagens de Gulliver foram publicados em outubro de 1726, e o seu texto original divide-se em 4 partes: “Viagem a Lilliput”, “Viagem a Brobdignac”, “Viagem a Laputa, Balnibarbi, Glubbdubdrib e Japão”, e “Viageam ao País dos Honyhnhnms”. E para o espanto de todos – e decerto do próprio autor – ele torna-se, de imediato, um livro que agrada aos adultos e às crianças! Como escreve o poeta Pope numa carta a Swift, o livro encontra-se em toda a parte, “desde o gabinete de ministros até a nursery”…

é evidente que as crianças e os jovens contentam se normalmente com as 3 primeiras partes do livro, geralmente modificadas, geralmente adaptadas, geralmente encurtadas – e vão deixando para trás a última parte (e a mais terrível!) da obra. Viver entre os gigantes ou entre os anões têm ainda qualquer coisa dos contos de fadas, e a sátira esvai se um pouco mais ponto mas viver entre os cavalos (é o que se passa no país dos Honyhnhnms) e preferiu os a raça humana é uma história demasiado cruel para ser apresentada aos mais novos… Daí que normalmente essa quarta parte do livro seja esquecida em muitas edições, ou consideravelmente “ abrandada em muitas adaptações. Aqui, como dizia o próprio Swift, “a humanidade faz uma triste figura”…

Alice Vieira in Viagens de Gulliver de Jonathan Swift, Adaptação de João de Barros. Círculo de Leitores, 1988.

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