Quando os Lobos Julgam a Justiça Uiva

Aquilino Ribeiro

Indisponível

Título: Quando os Lobos Julgam a Justiça Uiva
Autor: Aquilino Ribeiro
Edição: Liberdade e Cultura
Ano: 1960 [?]
Páginas: 112
Encadernação: Mole
Obs.: Raro.

Categoria: Etiqueta:

SOBRE
“O nosso conhecido mêdo de enfrentar a verdade (o mêdo de um povo que para tal foi educado, desde séculos antes de ter sido salazariado), o falso optismo do ‘talvez não seja tanto assim’, que é a reacção dos que ainda querem salvar uma mísera comodidadezinha, pouco acima do nível da fome e paga à fôrça de abdicações morais e espirituais — eis o terreno no qual a ditadura não teve dificuldade em firmar os alicerces do seu monstruoso culto de coisa-nenhuma, o auto-endeusamento da violência que só ama a si mesma. Porque um povo que fecha os olhos de dentro ao que os olhos virados para fora lhe estão mostrando a cada instante, é um povo pronto a abdicar da sua vontade nos altares da tirania (…) Aqui está Aquilino Ribeiro, na idade em que se convencionou que as pessoas só estão boas para a reforma, pondo a heróicamente a nú, nas páginas de Quando os Lobos Uivam, a verdadeira face do Estado Novo, revelando como êle ‘resolve’ os problemas nacionais, como o povo é para a sua máquina implacável um pormenor sem importância — e mostrando como se faz a sua ‘justiça’. E agora, arrastado para o banco dos réus, não cedendo um palmo perante o cêrco dos cães de fila da ditadura, não se deixando abater, e, pelo contrário, forjando novas armas do auto-retrato da sua infâmia que o regime lhe ofereceu para acusá-lo, eis o grande escritor em tôda a juventude do seu espírito e da sua dignidade de homem e de escritor, recusando-se a dormir à sombra dos louros, num exemplo admirável de inabalável firmeza. O contraste entre os ‘raciocínios’ tortuosos de juízes indignos e a nobre clareza da defesa, entre a hipocrisia, o ódio vesgo, a má-fé das ‘razões’ alegadas contra Aquilino Ribeiro, e a sua desassombrada resposta, é um vivo retrato datriste figura do mesquinho mundo, da mentalidade celular do regime perante a figura do Portugal verdadeiro (…)”. — do excepcional prefácio de Adolfo Casais Monteiro.

Processo que decorreu (durante vinte meses) na sequência da apreensão do livro (1959), Quando os Lobos Uivam (1958), tendo a preparação da defesa sido feita pelo próprio Aquilino, na altura com 73 anos, o advogado Dr. Heliodoro Caldeira e Manuel Mendes, amigo de Aquilino.

No ano da apreensão deste romance, é publicado no Brasil Quando os Lobos Uivam a Justiça Uiva, obra, obviamente, também ela apreendida.

O processo viria a ser arquivado possivelmente por o regime temer as repercussões nacionais e internacionais da perseguição movida contra o escritor.


SOBRE O AUTOR

Aquilino Gomes Ribeiro (1885-1963). Ficcionista, autor dramático, cronista e ensaísta português. Ex-seminarista, dedicou-se ao jornalismo, tendo colaborado, entre outras publicações, com o Jornal do Comércio, O Século, A Pátria, Ilustração Portuguesa, Diário de Lisboa, República, e pertencido ao grupo que, em 1921, fundou Seara Nova.Ligou-se ao movimento republicano e interveio ativamente na revolução, chegando mesmo a ser preso. Fugiu para Paris, frequentou a Sorbonne e escreveu o seu primeiro livro, intitulado Jardim das Tormentas (1913). A vastíssima obra de Aquilino Ribeiro abrange domínios variados que vão do romance, da novela e do conto às memórias, aos estudos etnográfico e histórico, à biografia, à polémica ou à literatura infantil.  Da sua bibliografia destacam-se as obras: Terras do Demo (1919), O Malhadinhas (primeira versão em 1922), Andam Faunos pelos Bosques (1926), O Romance da Raposa (1929), Cinco Réis de Gente (1948), A Casa Grande de Romarigães (1957) e Quando os Lobos Uivam (1959).


OBRAS DO AUTOR


RELACIONADOS


Voltar