O Ângulo Raso

Fernanda Botelho

10,00 

Título: O Ângulo Raso
Autor: Fernanda Botelho
Edição: Bertrand
Ano: s.d.
Páginas: 335
Encadernação: Mole
Obs.: 1ª Edição.

SOBRE
O Ângulo Raso, até mesmo através da linuagem – descarnada umas vezes (sobretudo nos trechos analíticos) e outras vezes quase luxuriante (na criação de atmosferas, de situações, de personagens)-, documenta bem este duplo movimento. A própria Lisboa, em cujo claro-escuro labirinto a acção se desenvolve, começa por ser apenas um lugar geométricos; e, depois, sobre ele, é que insensivelmente se vai tecendo a outra. Lisbon, a Lisboa particular e in transmissível desta pessoalíssima narrativa. Por outro lado, sendo um romance de geração ou melhor: o romance de um grupo, não se trata de um «roman-à-clé», e muito menos de uma transposição autobiográfica. As personagens desenhadas com maior nitidez são, aliás, as personagens masculinas; e as heroínas do romance-Lúcia Lima, Cláudia, Maria Angélica – permacem, quase sempre, num segundo plano, que é de onde surgem, todavia, os golpes mais ines perados e menos previsíveis as reacções. Verdadeiro romance, no sentido tradicional, pela destacada superfície que o tema do amor aí ocupa, O Angulo Raso é também, sob as várias perspectivas da modernidade do género, um romance perfeita mente estruturado, multifacetado na intriga,-mas de unidade rigorosa no motivo central que a coordena. Obra de inteligência e de invenção, dominada e libérrima, não apresenta – ao contrário de tantos romances contemporâneos quaisquer compromissos com a dissertação, o panfleto, a apologia, nem com os inúmeros ardis da reportagem fotográfica. Mas o mais surpreendente, ou mais escândalo só, será, decerto, a desenvolta e crudelíssima bonomia do estilo: e não faltará quem descortine laivos de indiferentismo, ou mesmo uma atitude cínica perante a vida, onde apenas se patenteia, pelo contrário, a grande honestidade de quem se resigna a ver o mundo com os próprios olhos, e a recriá-lo com a própria imaginação.


SOBRE O AUTOR

Fernanda Botelho

(1926-2007)

Romancista e poetisa nascida em 1926, no Porto, e falecida a 11 de dezembro de 2007, em Lisboa. Iniciou o seu percurso literário como poetisa, sendo membro fundador da revista literária Távola Redonda nos anos 50. Viria, no entanto, a consagrar-se no domínio do romance, ao publicar Ângulo Raso (1957) e A Gata e a Fábula (1960, Prémio Camilo Castelo Branco), onde desenvolveu um estilo muito pessoal com uma grande carga de originalidade.


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