Glória de Sangue

Nuno de Montemor

10,00 

Título: Glória de Sangue
Autor: Nuno de Montemor
Edição: União Gráfica
Ano: 1946
Páginas: 393
Encadernação: Mole

EXCERTO
Na Guarda e pela serra fora, em certos dias escuros de Inverno, a bruma é densa, vasta e profunda, e se o frio da tarde a não congela, à flor da roupa, encharca, até à pele, dando aos vultos embuçados, que nela se movem, o aspecto estranho de mergulhadores, a passarem, pesadamente de escafandro, no fundo do mar.
Nessas horas, o vento é trama elástica a tecer a neblina grossa, que se cola, resiste e molda aos corpos molhados, a retardar-lhes os movimentos, na luz turva e vibrante de um dia submarino.
Quando a ventania é brava e se caminha contra ela, os homens curvam-se, cansados, para a frente, os músculos do peito e dos braços retesam-se, e só assim o passo rompe, tardo, incerto e curto.
Se, porém, o caminhante segue ao sabor do vento, a névoa é torrente de rio furioso, e os vultos impelidos pelas costas, correm destravados, desnorteiam, caem e levantam-se, quando se não arrastam como folhas velhas ao sopro do furacão.


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