Comeres de Lisboa

Assim, o português lisboeta cozinhava, com prazer, a vaca (por vezes, inteira, a girar no espeto, para os grandes festins de ar-livre), assada ou cozida; a perdiz; os peixes de mar ou de rio, bem frescos, como o salmão, a pescada (a que chamavam peixota), o sável, a lampreia, vinda, seca, das frias águas nortenhas, que subia cada ano, para o ritual da desova; muito marisco; a galinha mourisca, receita herdada do antigo senhor do burgo; e o pão, de trigo, de milho, de cevada, que acompanhava tudo isto, alvo, em grossas buchas, ou, boroa, a esfarelar-se, quer nos caldos pesados de legumes e de cheiros, quer nos molhos oleosos. Quem criasse porco, dele podia abastecer-se o ano inteiro, conservando-o na salgadeira de pedra. Fruta, apanhava-a às mancheias, nos pomares que circundavam as muralhas severas, defensoras dos habitantes: mercadores e artífices, soldados e gente da corte. A delicadeza das mãos femininas cuidavam, com desvelos de mimo, da bolaria e doçaria, muito regada com mel. E amassavam, com vigor, a massa do biscoito para a provisão dos navegantes.

Assim, o português lisboeta cozinhava, com prazer, a vaca (por vezes, inteira, a girar no espeto, para os grandes festins de ar-livre), assada ou cozida; a perdiz; os peixes de mar ou de rio, bem frescos, como o salmão, a pescada (a que chamavam peixota), o sável, a lampreia, vinda, seca, das frias águas nortenhas, que subia cada ano, para o ritual da desova; muito marisco; a galinha mourisca, receita herdada do antigo senhor do burgo; e o pão, de trigo, de milho, de cevada, que acompanhava tudo isto, alvo, em grossas buchas, ou, boroa, a esfarelar-se, quer nos caldos pesados de legumes e de cheiros, quer nos molhos oleosos. Quem criasse porco, dele podia abastecer-se o ano inteiro, conservando-o na salgadeira de pedra. Fruta, apanhava-a às mancheias, nos pomares que circundavam as muralhas severas, defensoras dos habitantes: mercadores e artífices, soldados e gente da corte. A delicadeza das mãos femininas cuidavam, com desvelos de mimo, da bolaria e doçaria, muito regada com mel. E amassavam, com vigor, a massa do biscoito para a provisão dos navegantes.

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informação do livro

Título: Comeres de Lisboa
Autor: António Manuel Couto Viana
Edição: Vega
Ano: 1998
Páginas: 159
Encadernação: Mole
Capa: J. Machado Dias
Depósito Legal: 126434/98
ISBN: 972-699-570-1

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Assim, o português lisboeta cozinhava, com prazer, a vaca (por vezes, inteira, a girar no espeto, para os grandes festins de ar-livre), assada ou cozida; a perdiz; os peixes de mar ou de rio, bem frescos, como o salmão, a pescada (a que chamavam peixota), o sável, a lampreia, vinda, seca, das frias águas nortenhas, que subia cada ano, para o ritual da desova; muito marisco; a galinha mourisca, receita herdada do antigo senhor do burgo; e o pão, de trigo, de milho, de cevada, que acompanhava tudo isto, alvo, em grossas buchas, ou, boroa, a esfarelar-se, quer nos caldos pesados de legumes e de cheiros, quer nos molhos oleosos. Quem criasse porco, dele podia abastecer-se o ano inteiro, conservando-o na salgadeira de pedra. Fruta, apanhava-a às mancheias, nos pomares que circundavam as muralhas severas, defensoras dos habitantes: mercadores e artífices, soldados e gente da corte. A delicadeza das mãos femininas cuidavam, com desvelos de mimo, da bolaria e doçaria, muito regada com mel. E amassavam, com vigor, a massa do biscoito para a provisão dos navegantes.

Peso 305 g

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