As Elegias Chinesas

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Título: As Elegias Chinesas
Autor: Camilo Pessanha [Trad.]
Edição: Gradiva
Ano: 1999
Páginas: 70
Encadernação: Mole
Capa: Armando Lopes
Depósito Legal: 142688/99
ISBN: 972-662-699-4

 

EXCERTO
As Elegias Chinesas são oito poemas escritos na dinastia Ming (1368-1628), “descobertos” por Camilo Pessanha em Macau. Depois de as traduzir para a nossa língua com a ajuda do seu amigo e mestre no que respeitava à língua e cultura chinesas, José Vicente Jorge, macaense, o poeta publicou-as entre 13 de Setembro e 18 de Outubro de 1914 no período macaense O Progresso. Antecedeu-as de um escrito seu, a que deu o título «A Literatura Chinesa”, e juntou-lhes um conjunto de notas elucidativas, sempre com o conselho do seu amigo.


SOBRE O AUTOR

Depois de se ter formado em Direito pela Universidade de Coimbra, partiu como professor para Macau, onde permaneceu, depois como conservador do registo predial, grande parte da sua vida e onde terá convivido durante escassos anos com Wenceslau de Morais. Ocupando uma posição marginal relativamente aos movimentos, polémicas e publicações que marcaram a última década de Oitocentos, Camilo Pessanha foi compondo uma pequena mas significativa obra poética, esparsamente divulgada em pequenas revistas e jornais, e apenas coligida em 1920, pelo empenho de um amigo e admirador, João de Castro Osório. Considerada o que de melhor produziu o simbolismo português, a sua obra aponta em vários aspetos para a estética modernista, sendo, aliás, da responsabilidade de Luís de Montalvor, um dos elementos de Orpheu, a divulgação em primeira mão de um conjunto de poemas de Pessanha na revista Centauro. A poesia de Camilo Pessanha articula o equilíbrio musical do verso, a capacidade de sugestão de sentidos a partir de elementos significantes, proveniente de um simbolismo de matriz verlainiana, com a elevação da imagem à categoria de símbolo, teorizada por Baudelaire ou Mallarmé, como alicerces de uma poesia elaborada ao ponto de ocultar o seu rigor construtivo e encarada como forma intelectualizada de compreensão da relação entre o eu e a realidade. Revelado pelos modernistas, este autor deve a sua redescoberta, até certo ponto, à iluminação recíproca que estabelece com a obra de Fernando Pessoa, devendo-se o primeiro estudo exaustivo da sua obra, em 1956, à ensaísta Esther de Lemos, a que se seguiriam, nas décadas seguintes, trabalhos fundamentais sobre Clepsidra, da autoria de Urbano Tavares Rodrigues e Óscar Lopes. Segundo este último ensaísta, “Pessanha traz à poesia portuguesa toda a dinâmica até então insuspeitada do momento subjetivo no domínio da perceção, desarticulando a perspetiva puramente geométrica a que a descrição parnasiana obedece, mobilizando os modos afetivos de reação à realidade sensorial”, e alcançando, na “expressão estilística concreta”, “a dialética das perceções ou imagens e de uma subjetividade individual” (cf. Entre Fialho e Nemésio, vol. I, Lisboa, INCM, p. 136).


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