Amanhã Quando Romper o Dia

Barata Dias

Indisponível

Título: Amanhã Quando Romper o Dia
Autor: Barata Dias
Edição: Gráfica Santelmo
Ano: 1946
Páginas: 266
Encadernação: Mole
Obs.: Obra censurada no ano da edição. 1ª Edição.

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SOBRE
Desde os bancos da escola primária, que Luís Torres vinha sofrendo insinuações afrontosas dos seus condiscípulos; mas agora, que cursava advocacia, por consequência mais conhecedor dos direitos que, por natureza, pertencem ao homem, era ele próprio a penitenciar-se, dando-lhes razão. Enquanto criança, os companheiros irritavam-no, e ele, irado, agredia-os, consoante as suas fôrças; não admitia que censurassem o modo de vida honesto de seus pais. Um dia, porém, quando, durante as férias grandes, se lhe proporcionou observar, com olhos de futuro homem de leis, o viver miserável da gente da sua aldeia, caiu em si, e compreendeu então os provocadores. Seu pai era proprietário de uma estância de madeiras, situada no centro de maior produção de mobílias, numa freguesia do distrito do Pôrto. Quase todos os fabricantes daqueles sítios se abasteciam ali, desde há muitos anos; disso lembra-se Luís, porque, quando era menino, os marceneiros clientes da estância ofereciam-lhe carrinhos e toda a espécie de brinquedos de madeira. Em toda a parte do país, quem conhece um pouco a indústria mobiliária, classifica de escravos esses artistas marceneiros do Norte. Por isso os meninos da escola, à mais leve discussão com o seu condiscípulo, lhe atiravam em rosto, para o vexar, com a proveniência do dinheiro com que o pai lhe custeava os estudos. Evidentemente… isto desgostava-o; e, apesar da sua franzina compleição, o nervoso levava-o, por vezes, a defender-se a murro, o que, para mal dos seus peca dos, agravava o ódio dos injuriadores. Ao sairem da escola, os atrevidos formavam grupos, e, por dá cá aquela palha, zás.


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