Publicado em

Fernando Lopes Graça

Compositor, pianista, musicólogo, professor, crítico, publicista, conferencista e jornalista. Entrou para o Conservatório Nacional em 1924, tendo-se formado em 1929, ano em que se estreia com Variações sobre um Tema Popular Português, composição para piano, num concerto organizado pela Associação Académica do Conservatório, de que fazia parte. Em Tomar, fundou o jornal político-regionalista Acção. Em 1930 lança, com Pedro Prado, a sua primeira revista musical, Da Música, iniciando no ano seguinte a sua colaboração com a revista Seara Nova, na qualidade de crítico musical. Em 1932 parte para Coimbra como professor, contratado pela Academia de Música, aí permanecendo até 1936. Será em Coimbra que toma contacto com o grupo da Presença. Desloca-se então para Paris, onde prossegue os seus estudos de musicologia (1937-39). Em 1941 é convidado para dirigir a secção musical da Emissora Nacional, cargo que nunca chegou a ocupar. Como professor, distingue-se a sua actuação na Academia dos Amadores de Música, que dirigiu de 1944 a 1950. Neste ano lança, com Luís de Freitas Branco, a Gazeta Musical que no ano seguinte, passa a designar-se Gazeta Musical e de Todas as Artes, contando com a colaboração de João Cochofel e que se publicou até 1957. Colaborou também no jornal O Diabo como cronista teatral. A sua obra musical, marcadamente moderna e inovadora, parte de temas da música popular e da tradição folclórica, apoiando-se também em textos literários, como aconteceu com o ciclo de melodias «As Mãos e os Frutos», sobre poemas de Eugénio de Andrade, e, no caso da História Trágico-Marítima, em versos de Miguel Torga. A sua extensa produção musical divide-se entre música dramática, orquestral, concertante, de câmara, para piano, canções e coros.