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Delfim Santos

Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas, em 1931, na Faculdade de Letras do Porto, onde foi aluno de Leonardo Coimbra e teve por companheiros José Marinho, Álvaro Ribeiro e Sant’Anna Dionísio. Foi professor de liceu em Coimbra e em Lisboa. Com uma bolsa da Junta de Investigação Nacional, estudou em Viena, em Berlim, em Londres e em Cambridge, familiarizando-se com a Filosofia das Ciências e a Metafísica do Conhecimento. Em 1937 foi para Berlim, onde foi leitor na Universidade e no Institut für Portugal und Brasilien. Doutorou-se na Universidade de Coimbra em 1940 com a tese Conhecimento e Realidade, ocupando, nesse mesmo ano, o lugar de leitor em Oxford. Voltou então para Berlim, onde se manteve até 1942. A partir de 1943 passou a leccionar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tornando-se professor extraordinário em 1948 – ano em que obteve nova bolsa para a especialização em orientação vocacional e profissional, nos EUA – e catedrático de Ciências Pedagógicas em 1950. Foi também professor de Psicologia e Sociologia do Instituto de Altos Estudos Militares, entre 1955 e 1962, e director do Centro de Investigação Pedagógica da Fundação Calouste Gulbenkian (1963-1966) que, de 1971 a 1977, procedeu à publicação das suas Obras Completas divididas em três volumes: da Filosofia, do Homem e da Cultura. Ao longo da sua actividade docente proferiu conferências e participou em numerosos congressos nacionais e estrangeiros. Sócio da Academia das Ciências de Lisboa.

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Orlando Neves

Ficcionista, poeta, dramaturgo, cronista e jornalista. Fez estudos primários em Lisboa e nas Caldas da Rainha e secundários em Lisboa, no Porto e em Guimarães. Licenciou-se em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa, em 1958. Enquanto estudante de Direito, foi director cultural da Associação Académica, de que foi eleito presidente no ano lectivo de 1957/58, colaborou na criação do Grupo Cénico da Faculdade e fundou e foi o primeiro director da revista Quadrante, órgão da Associação. Depois de cumprido o serviço militar, foi durante alguns meses subdelegado do procurador da República, cargo que deixou para se dedicar à advocacia, que logo abandonou. Ingressou nos quadros dos Emissores do Norte Reunidos, onde foi locutor, produtor e autor de programas de natureza geral e cultural, tendo introduzido programas de teatro radiofónico onde fez passar peças de autores proibidos pela Censura. Simultaneamente colaborou na delegação do Norte do Rádio Clube Português. Ainda no Porto, trabalhou como director dos serviços de Publicidade e Relações Públicas de uma grande empresa, colaborou com o Grupo de Teatro Moderno dos Fenianos e foi vice-presidente e, depois, presidente do Teatro Experimental do Porto (TEP), onde fundou e dirigiu a revista de teatro Boletim do TEP. Em 1965 volta a Lisboa e entra para o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, como documentalista e director de publicações e de onde sai no ano seguinte por se ter recusado a assinar a declaração de não-prática de actos contra o Estado Novo. Dá então início à profissão de jornalista. Entra para a redacção do jornal República, onde foi durante anos crítico de teatro e de televisão e coordenou vários suplementos entre os quais se destaca «O Assunto É Teatro», primeiro e único suplemento de um diário sobre teatro. Ao mesmo tempo fez parte da redacção da revista Vida Mundial, que abandonou em 1969 juntamente com cerca de uma dezena de jornalistas, por a direcção ter tomado a decisão de colocar a publicação ao serviço da União Nacional, por ocasião das eleições para a Assembleia Nacional. Por essa época criou a Livraria Opinião, que, organizada em quatro andares, com galeria de arte e bar, e pelos lançamentos de livros – que causaram problemas com a polícia política –, se tornou ponto de encontro de intelectuais e opositores ao regime. De 1971 a 1974, trabalhou para o Círculo de Leitores, dirigindo a revista de livros, e, meses depois, foi director literário, passando em 1973 a director literário e musical e director de produção de livros e discos. Em 1974 passou pela Portugália Editora como director literário e de produção e em 1975 fundou, com outros escritores, a Cooperativa Editorial Diabril. Foi director de Relações Públicas da efémera Companhia Nacional Popular de Teatro, dirigida por Carlos Wallenstein, no S. Luís. Regressou ao jornalismo como free-lancer, tendo colaborado como crítico de televisão, de teatro e de livros nos jornais A Luta e Expresso. Em 1980 passou a colaborar diariamente no Diário de Notícias, foi autor e apresentador do programa cultural «Manta de Retalhos», na RTP, e co-autor da primeira série do programa radiofónico «Pão com Manteiga». Entre 1984 e 1986 encenou algumas peças no Teatro Nacional D. Maria II e na Fundação Gulbenkian. Em 1992 saiu do Diário de Notícias, passando a dedicar-se exclusivamente à escrita. Dirigiu ou co-dirigiu as seguintes publicações (além das citadas): A Cidade (Porto, 1959/1960), Coordenada (Porto), Memória do Cinema (1980), Património XXI. Colaborou em jornais e revistas de todo o país e está incluído em inúmeras antologias e colectâneas. Foi também fundador e primeiro presidente do Cineclube Universitário do Porto, membro da direcção da Casa de Imprensa de Lisboa, director da Companhia (amadora) Teatral Rafael de Oliveira, vice-presidente do Clube de Jornalistas de Lisboa, presidente da Associação Património XXI, vice-presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos e presidente da Associação Cultural Sol XXI.

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José António Rondão Almeida

José António Rondão Almeida é um político português, natural da cidade de Elvas. Foi presidente da Câmara Municipal de Elvas pelo PS desde 4 de janeiro de 1993. Em outubro de 2009, José António Rondão Almeida foi eleito presidente da Câmara Municipal de Elvas pela quinta vez consecutiva com a maioria absoluta. Em 2013 deixou de ser presidente da Câmara Municipal devido à nova lei de limitações de cargo, continuando de igual forma na lista do PS candidata à Câmara Municipal de Elvas. A mesma lista na qual estava, agora encabeçada pelo seu n.º 2, o Dr. Nuno Mocinha, venceu novamente as eleições com maioria absoluta. Desde então, José António Rondão Almeida é Vereador da Câmara Municipal de Elvas.

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Fernando de Almeida

Prof. Doutor D. Fernando de Almeida, de seu nome completo Fernando António de Almeida e Silva Saldanha, era natural do concelho do Fundão, onde nasceu a 28 de Novembro de 1903, tendo falecido em Lisboa a 29 de Janeiro de 1979. Oriundo de nobre família, o Dom que usava, antecedendo o seu nome, foi, ao longo da sua vida fecunda, também legitimado, pelos múltiplos “dons” da sua alma generosa que são os que, verdadeiramente, interessam. Foi eleito académico correspondente da Academia Portuguesa da História a 28 de Março de 1958 e Académico de Número a 18 de Junho de 1971 sucedendo, na cadeira nO. 20, ao Prof. Doutor Manuel Heleno, seu antecessor também na cátedra de Arqueologia da Faculdade de Letras de Lisboa. Nesta Academia apresentou sete comunicações, número modesto, mas compensado pelo evidente interesse e qualidade das mesmas, publicadas nos Anais. Quando faleceu, desempenhava o cargo de Primeiro Vice-Presidente, para o qual fora eleito a 17 de Fevereiro de 1978, numa altura em que já se encontrava enfermo. Mas, não se eximiu às responsabilidades do cargo: assim se aquilatava a forte têmpera da sua personalidade.

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Maurice Sandoz

Nascido em Basileia, na Suíça, em 1892, o escritor, que viria a participar no movimento surrealista e a tornar-se um autor de culto no domínio da literatura fantástica, era filho do fundador da farmacêutica Sandoz, empresa que é ainda hoje um dos gigantes do sector, e cujo longo historial inclui a descoberta fortuita do LSD em 1938. petrechado com uma exigente formação científica e um doutoramento em química, o próprio Maurice começou por dedicar-se à investigação laboratorial antes de se entregar mais exclusivamente às suas inclinações artísticas, vocação que aliás já corria na família: o pintor suíço Émile-François David era seu tio e o seu irmão mais velho, Édouard-Marcel Sandoz, foi um escultor ligado aos movimentos da Arte Nova e da Art Déco que se especializou na figuração de animais.
Impedido de prosseguir a sua carreira de investigador devido a problemas oftalmológicos, dedicou-se a reunir uma vasta colecção de obras de arte, pedras preciosas, relógios antigos e, sobretudo, autómatos mecânicos fabricados nos séculos XVIII e XIX, hoje conservados no museu de Locle, berço da indústria relojoeira suíça. Ao mesmo tempo iniciava uma discreta carreira musical, compondo obras influenciadas por Debussy e Fauré. Uma suite sinfónica que dedicou a Serge Diaghilev foi apresentada em Montreux, em 1913, sob a direcção do maestro Ernest Ansermet.
Enquanto escritor, publicou poesia e drama, mas é hoje sobretudo lembrado pelos seus contos, e em particular pelas Recordações Fantásticas que abrem este novo volume da Livro B, histórias que se apresentam como recordações pessoais e familiares do autor e que muitas vezes fornecem, como as de G. K. Chesterton, uma explicação racional para fenómenos aparentemente sobrenaturais –​ com a diferença de que, em Sandoz, a realidade é sempre ainda mais improvável e delirante do que a fantasia que vem dissipar.
Com uma enorme fortuna à sua disposição – doava grandes somas para fins sociais e culturais –, as suas obras eram geralmente publicadas em restritas edições de luxo, como sucedeu com a primeira edição das Recordações Fantásticas, de 1936, valorizada com desenhos do seu amigo Salvador Dalí, que este volume da Livro B reproduz. Dalí ilustrou também outras obras suas, como O Labirinto (1941), Das Haus Ohne Fenster [A Casa Sem Janelas], de 1948, ou O Limite (1954).
Grande viajante e dotado poliglota (escrevia em cinco línguas, incluindo português), Sandoz andou por África e pelo Extremo-Oriente, escreveu livros de viagens sobre o México e o Brasil, viveu algum tempo em Nova Iorque, radicou-se durante vários anos em Itália, onde tinha casa em Roma e dm Nápoles, mas também passou uma temporada em Lisboa, em meados dos anos 50, provavelmente no chamado Edifício Sandoz, no n.º 4 da Rua São Caetano, uma das moradas que indicava para recepção de correio.
É provável que não seja coincidência o facto de as três únicas edições anteriores de Sandoz em Portugal datarem justamente desse período. De 1955 a 1957 saíram, ao ritmo de um volume por ano, em cuidadas edições ilustradas com desenhos de Dalí e distribuídas pela Editorial Organizações, Recordações Fantásticas e Três Histórias Singulares, O Labirinto e O Limite.