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Orlando Neves

Ficcionista, poeta, dramaturgo, cronista e jornalista. Fez estudos primários em Lisboa e nas Caldas da Rainha e secundários em Lisboa, no Porto e em Guimarães. Licenciou-se em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa, em 1958. Enquanto estudante de Direito, foi director cultural da Associação Académica, de que foi eleito presidente no ano lectivo de 1957/58, colaborou na criação do Grupo Cénico da Faculdade e fundou e foi o primeiro director da revista Quadrante, órgão da Associação. Depois de cumprido o serviço militar, foi durante alguns meses subdelegado do procurador da República, cargo que deixou para se dedicar à advocacia, que logo abandonou. Ingressou nos quadros dos Emissores do Norte Reunidos, onde foi locutor, produtor e autor de programas de natureza geral e cultural, tendo introduzido programas de teatro radiofónico onde fez passar peças de autores proibidos pela Censura. Simultaneamente colaborou na delegação do Norte do Rádio Clube Português. Ainda no Porto, trabalhou como director dos serviços de Publicidade e Relações Públicas de uma grande empresa, colaborou com o Grupo de Teatro Moderno dos Fenianos e foi vice-presidente e, depois, presidente do Teatro Experimental do Porto (TEP), onde fundou e dirigiu a revista de teatro Boletim do TEP. Em 1965 volta a Lisboa e entra para o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, como documentalista e director de publicações e de onde sai no ano seguinte por se ter recusado a assinar a declaração de não-prática de actos contra o Estado Novo. Dá então início à profissão de jornalista. Entra para a redacção do jornal República, onde foi durante anos crítico de teatro e de televisão e coordenou vários suplementos entre os quais se destaca «O Assunto É Teatro», primeiro e único suplemento de um diário sobre teatro. Ao mesmo tempo fez parte da redacção da revista Vida Mundial, que abandonou em 1969 juntamente com cerca de uma dezena de jornalistas, por a direcção ter tomado a decisão de colocar a publicação ao serviço da União Nacional, por ocasião das eleições para a Assembleia Nacional. Por essa época criou a Livraria Opinião, que, organizada em quatro andares, com galeria de arte e bar, e pelos lançamentos de livros – que causaram problemas com a polícia política –, se tornou ponto de encontro de intelectuais e opositores ao regime. De 1971 a 1974, trabalhou para o Círculo de Leitores, dirigindo a revista de livros, e, meses depois, foi director literário, passando em 1973 a director literário e musical e director de produção de livros e discos. Em 1974 passou pela Portugália Editora como director literário e de produção e em 1975 fundou, com outros escritores, a Cooperativa Editorial Diabril. Foi director de Relações Públicas da efémera Companhia Nacional Popular de Teatro, dirigida por Carlos Wallenstein, no S. Luís. Regressou ao jornalismo como free-lancer, tendo colaborado como crítico de televisão, de teatro e de livros nos jornais A Luta e Expresso. Em 1980 passou a colaborar diariamente no Diário de Notícias, foi autor e apresentador do programa cultural «Manta de Retalhos», na RTP, e co-autor da primeira série do programa radiofónico «Pão com Manteiga». Entre 1984 e 1986 encenou algumas peças no Teatro Nacional D. Maria II e na Fundação Gulbenkian. Em 1992 saiu do Diário de Notícias, passando a dedicar-se exclusivamente à escrita. Dirigiu ou co-dirigiu as seguintes publicações (além das citadas): A Cidade (Porto, 1959/1960), Coordenada (Porto), Memória do Cinema (1980), Património XXI. Colaborou em jornais e revistas de todo o país e está incluído em inúmeras antologias e colectâneas. Foi também fundador e primeiro presidente do Cineclube Universitário do Porto, membro da direcção da Casa de Imprensa de Lisboa, director da Companhia (amadora) Teatral Rafael de Oliveira, vice-presidente do Clube de Jornalistas de Lisboa, presidente da Associação Património XXI, vice-presidente da Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos e presidente da Associação Cultural Sol XXI.

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José António Rondão Almeida

José António Rondão Almeida é um político português, natural da cidade de Elvas. Foi presidente da Câmara Municipal de Elvas pelo PS desde 4 de janeiro de 1993. Em outubro de 2009, José António Rondão Almeida foi eleito presidente da Câmara Municipal de Elvas pela quinta vez consecutiva com a maioria absoluta. Em 2013 deixou de ser presidente da Câmara Municipal devido à nova lei de limitações de cargo, continuando de igual forma na lista do PS candidata à Câmara Municipal de Elvas. A mesma lista na qual estava, agora encabeçada pelo seu n.º 2, o Dr. Nuno Mocinha, venceu novamente as eleições com maioria absoluta. Desde então, José António Rondão Almeida é Vereador da Câmara Municipal de Elvas.

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Fernando de Almeida

Prof. Doutor D. Fernando de Almeida, de seu nome completo Fernando António de Almeida e Silva Saldanha, era natural do concelho do Fundão, onde nasceu a 28 de Novembro de 1903, tendo falecido em Lisboa a 29 de Janeiro de 1979. Oriundo de nobre família, o Dom que usava, antecedendo o seu nome, foi, ao longo da sua vida fecunda, também legitimado, pelos múltiplos “dons” da sua alma generosa que são os que, verdadeiramente, interessam. Foi eleito académico correspondente da Academia Portuguesa da História a 28 de Março de 1958 e Académico de Número a 18 de Junho de 1971 sucedendo, na cadeira nO. 20, ao Prof. Doutor Manuel Heleno, seu antecessor também na cátedra de Arqueologia da Faculdade de Letras de Lisboa. Nesta Academia apresentou sete comunicações, número modesto, mas compensado pelo evidente interesse e qualidade das mesmas, publicadas nos Anais. Quando faleceu, desempenhava o cargo de Primeiro Vice-Presidente, para o qual fora eleito a 17 de Fevereiro de 1978, numa altura em que já se encontrava enfermo. Mas, não se eximiu às responsabilidades do cargo: assim se aquilatava a forte têmpera da sua personalidade.

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Maurice Sandoz

Nascido em Basileia, na Suíça, em 1892, o escritor, que viria a participar no movimento surrealista e a tornar-se um autor de culto no domínio da literatura fantástica, era filho do fundador da farmacêutica Sandoz, empresa que é ainda hoje um dos gigantes do sector, e cujo longo historial inclui a descoberta fortuita do LSD em 1938. petrechado com uma exigente formação científica e um doutoramento em química, o próprio Maurice começou por dedicar-se à investigação laboratorial antes de se entregar mais exclusivamente às suas inclinações artísticas, vocação que aliás já corria na família: o pintor suíço Émile-François David era seu tio e o seu irmão mais velho, Édouard-Marcel Sandoz, foi um escultor ligado aos movimentos da Arte Nova e da Art Déco que se especializou na figuração de animais.
Impedido de prosseguir a sua carreira de investigador devido a problemas oftalmológicos, dedicou-se a reunir uma vasta colecção de obras de arte, pedras preciosas, relógios antigos e, sobretudo, autómatos mecânicos fabricados nos séculos XVIII e XIX, hoje conservados no museu de Locle, berço da indústria relojoeira suíça. Ao mesmo tempo iniciava uma discreta carreira musical, compondo obras influenciadas por Debussy e Fauré. Uma suite sinfónica que dedicou a Serge Diaghilev foi apresentada em Montreux, em 1913, sob a direcção do maestro Ernest Ansermet.
Enquanto escritor, publicou poesia e drama, mas é hoje sobretudo lembrado pelos seus contos, e em particular pelas Recordações Fantásticas que abrem este novo volume da Livro B, histórias que se apresentam como recordações pessoais e familiares do autor e que muitas vezes fornecem, como as de G. K. Chesterton, uma explicação racional para fenómenos aparentemente sobrenaturais –​ com a diferença de que, em Sandoz, a realidade é sempre ainda mais improvável e delirante do que a fantasia que vem dissipar.
Com uma enorme fortuna à sua disposição – doava grandes somas para fins sociais e culturais –, as suas obras eram geralmente publicadas em restritas edições de luxo, como sucedeu com a primeira edição das Recordações Fantásticas, de 1936, valorizada com desenhos do seu amigo Salvador Dalí, que este volume da Livro B reproduz. Dalí ilustrou também outras obras suas, como O Labirinto (1941), Das Haus Ohne Fenster [A Casa Sem Janelas], de 1948, ou O Limite (1954).
Grande viajante e dotado poliglota (escrevia em cinco línguas, incluindo português), Sandoz andou por África e pelo Extremo-Oriente, escreveu livros de viagens sobre o México e o Brasil, viveu algum tempo em Nova Iorque, radicou-se durante vários anos em Itália, onde tinha casa em Roma e dm Nápoles, mas também passou uma temporada em Lisboa, em meados dos anos 50, provavelmente no chamado Edifício Sandoz, no n.º 4 da Rua São Caetano, uma das moradas que indicava para recepção de correio.
É provável que não seja coincidência o facto de as três únicas edições anteriores de Sandoz em Portugal datarem justamente desse período. De 1955 a 1957 saíram, ao ritmo de um volume por ano, em cuidadas edições ilustradas com desenhos de Dalí e distribuídas pela Editorial Organizações, Recordações Fantásticas e Três Histórias Singulares, O Labirinto e O Limite.

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Miguel de Oliveira

Mons. Miguel Augusto de Oliveira nasceu a 15 de Dezembro de 1897, no lugar da Corga do Norte, freguesia de Válega, no concelho de Ovar, sendo o primogénito dos sete filhos de Jacinto de Oliveira e de Rosa Maria de Jesus.
Fez a instrução primária na freguesia natal com o prol. Domingos de Matos e Silva, obtendo distinção nos exames de 1.º e de 2.º grau, em 1907 e 1908. Tendo feito alguns exames como externo, entrou para o Seminário dos Carvalhos, a 16 de Janeiro de 1911.
Frequentou o Curso Teológico do Seminário do Porto, de 1914 a 1917, obtendo distinção cm todos os anos e disciplinas. Enquanto esperava pela idade canónica para a ordenação sacerdotal, leccionou no Colégio Feirense no ano lectivo de 1917-1918, e no Colégio Ovarense, no de 1918-1919.
Nestes dois anos, foi convidado a frequentar a Universidade Gregoriana, de Roma, respectivarnente, pelo Vigário Capitular, Cónego Teófilo Salomão Coelho Vieira de Seabra e pelo bispo D. António Barbosa Leão. Tendo pedido e obtido dispensa de ir para aquela Universidade, o prelado nomeou-o professor do Seminário de Preparatórios, que funcionava no Paço Episcopal da Torre da Marca.
Sendo ainda diácono, entrou em exercício a 3 de Fevereiro de 1920, leccionando ali, e depois no Seminário de Vilar, as disciplinas de Português, Francês e História.
Ordenado presbítero, na Sé do Porto, por D. António Barbosa Leão, a 18 de Julho de 1920. celebrou a Missa Nova na igreja de Válega logo no dia 25, (esta do Sagrado Coração de Jesus, pregando o seu antigo professor P. Manuel Pinheiro de Sousa.
No fim do ano lectivo do 1925, fez uma viagem à Palestina e, ao regressar, foi convidado para Chefe da redacção das «Novidades», cargo de que tomou posse a 22 de Outubro desse ano, tendo, por isso, de deixar o Seminário do Porto. Uma longa série de crónicas publicarias nas «Novidades», sob o título «Impressões do Oriente», a descrever a viagem à Palestina, despertou tanto interesse que, em 1927, se efectuou uma excursão de um numeroso grupo à Terra Santa, incorporado numa peregrinação francesa. Mons. Miguel de Oliveira acompanhou o grupo, visitando então a França, Egipto, Palestina, Síria, Líbano, Turquia, Grécia, Itália e algumas ilhas do Mediterrâneo.
Em 1932, deixou o lugar de Chefe de redacçâo das «Novidades» para ficar como censor literário da secção editorial da União Gráfica, a que votou o melhor da sua actividade. Continuou, porém, como redactor do jornal, dedicando-se, ao mesmo tempo, a colaborar noutras publicações e a escrever notáveis trabalhos históricos.
Ao celebrar as bodas de prata sacerdotais, em Julho de 1945, o Chefe de Estado condecorou-o com o grau de Oficial da Ordem Militar de Santiago da Espada.
A 4 de Julho de 1951, foi eleito sócio correspondente da Academia Portuguesa de História e passou a académico de número a 27 de Abril de 1958, sucedendo na cadeira nº 16 ao Coronel Henrique de Campos Ferreira de Lima, cujo elogio fez nesta data. Em resposta, o Dr. Manuel Múrias fez o elogio do novo académico.
A 1 de Junho de 1951, Pio XII nomeou-o seu prelado doméstico com o título de Monsenhor.
Não obstante o seu precário estado de saúde se ir agravando nos últimos anos, manteve sempre a costumada jovialidade e só deixou de trabalhar quando os sofrimentos o obrigaram a recolher ao leito, poucos dias antes da morte. Sobreveio esta às 22,30 horas do dia 28 de Fevereiro de 1968, pouco depois de lhe terem sido administrados os últimos sacramentos pelo Rev.º Snr. P. Saraiva, prior de S. José da Anunciada e seu íntimo amigo.
A sua morte foi muito sentida em todo o país, sobretudo no meio eclesiástico, onde era muito estimado pelo seu carácter, vasta cultura e acrisoladas virtudes sacerdotais.

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José Rodrigues de Paiva

JOSE RODRIGUES DE PAIVA nasceu em Coimbra, Portugal, a 30 de ou­tubro de 1945. Radicado no Recife desde 1951, diplomou-se em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco cm 1969. Com a dissertação intitulada “Mudança”: Romance-Linilte realizou um amplo e profundo estudo crítico sobre o conjunto da obra romanesca de Vcrgílio Ferreira, obtendo, com esse ensaio, cm 1981. o titulo de Mestre em Teoria da Literatura, na Universidade Federal de Pernambuco. No Departamento de Letras da mesma Universidade leciona a disciplina Literatura Portuguesa e preside a Associação de Estudos Portugueses Jordão Emerenciano. No Gabinete Português de Leitura de Per­nambuco. de que é diretor cultural, criou e dirige a revista de cultura Encon­tro, editada pela instituição. Tem vários livros publicados nos gêneros conto, poesia e crítica literária. O presente volume dá continuidade à publicação, cm livro, da sua produção ensaística, reunindo vários textos inéditos e outros apa­recidos em suplementos literários e revistas especializadas portuguesas e bra­sileiras.