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Dário Bastos

Dário BastosDário BastosDário Bastos nasceu na Póvoa de Lanhoso no dia 1 de Março de 1903, vindo a destacar-se como poeta e contista.
Frequentou a instrução primária na escola mandada construir com o legado do Conde de Ferreira. Portugal, jovem República, vivia tempos de uma profunda crise económica que o obrigoua partir para o Brasil à procura de uma vida mais desafogada: primeiro na cidade de Belmonte, onde tomou contacto com a dura labuta da produção do Cacau, depois, em 1918, no Rio de Janeiro onde foi empregado no comércio. Começava aí uma vida de luta assumida contra a exploração do homem. Desiludido e acreditando que, afinal, poderia ser alguém no seu país, Dário Bastos regressou a Portugal em 1927. Deu então início a uma carreira (a de caixeiro-viajanete) que havia de executar a vida inteira. Em 1960, publicou o seu primeiro livro, a que deu título de “Musa Itinerante”. E não mais parou de escrever e publicar. “Humildade e Presunção” (1962), “Realidades e Fantasias” (1964), “Máscaras” (1965), “Rua” (1968), “Saltimbancos (1970), “Sou” (1971), “Ser Poeta” (1972), “Olhos” (1973) ou “Pedaços de Vida” (1980) são apenas alguns dos seus títulos. Dário Bastos faleceu no Porto a 28 de Maio de 2001.

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Rocha Saraiva

Rocha SaraivaProfessor de direito. Ministro durante a I República: da instrução pública no governo de Cunha Leal, de 16 de Dezembro de 1921 a 6 de Fevereiro de 1922; do trabalho no de António Maria da Silva, de 9 de Janeiro a 15 de Novembro de 1923. Começa como professor em Coimbra, transferindo-se para Lisboa, no ano lectivo de 1915-1916.
Começando a respetiva militância política com a participação na greve académica de 1907, adere em 1926 à União Liberal Republicana. É autor de: A Construção Jurídica do Estado, Coimbra, 1912. As Teorias sobre a Representação Política e a Nossa Constituição, 1916; «As Doutrinas Políticas Germânica e Latina e a Teoria da Personalidade Jurídica do Estado», in Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, vol. II, Lisboa, FDUL, 1917. Lições de Direito Político, coligidas de harmonia com as prelecções do Exº Sr. Dr. Rocha Saraiva ao curso do 1º ano jurídico de 1914-1915, por Augusto Oliveira e A. Duarte Silva, Coimbra, 1914. Cadeira de Direito Político, sumários das Matérias Professadas no Ano Lectivo de 1915-1916, da autoria dos Professores Ludgero Neves e Rocha Saraiva (em Lisboa). Direito Público, de Rocha Saraiva, coligido por Rómulo Rosa Mendes, Lisboa, 1925; Apontamentos de Direito Constitucional.

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Varela Silva

Varela SilvaAtor, encenador e dramaturgo português, de nome completo Alberto Varela Silva, nascido a 15 de setembro de 1929, em Lisboa, e falecido na mesma cidade a 15 de dezembro de 1995, vítima de insuficiência cardíaca. Estudou na Escola Comercial Rodrigues Sampaio onde se estreou como ator, numa representação escolar de Todo o Mundo e Ninguém (1940) de Gil Vicente. Em 1947, iniciou a carreira como amador dramático na Guilherme Cossoul, tendo sido colega de Raul Solnado, Jacinto Ramos e José Viana. Acabou por frequentar o curso do Conservatório, de onde saiu em 1952 para passar uma temporada de aprendizagem em Paris. Integrou a Companhia do Teatro Nacional Dona Maria II até à sua morte, tendo assumido por diversas vezes a função de encenador, como na célebre representação de O Fidalgo Aprendiz (1988) de D. Francisco Manuel de Melo. Marcou presença cinematográfica em produções como A Ribeira da Saudade (1963), As Ilhas Encantadas (1964), etc. Também fez televisão: participou em diversas peças de teleteatro – a mais célebre foi Topaze (1988) de Marcel Pignol, e nas novelas Vila Faia (1982), Origens (1993) e Na Paz dos Anjos (1994).

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Alfredo Bensaúde

Alfredo BensaúdeEngenheiro e pedagogo português, Alfredo Bensaúde nasceu a 4 de março de 1856, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.
Fez os seus estudos superiores na Alemanha onde realizou o curso de engenheiro de minas e, em 1881, doutorou-se em Mineralogia, na Universidade de Göttingen
Ao regressar a Portugal, integrou os Serviços Geológicos e, em 1884, foi lecionar Mineralogia e Geologia para o Instituto Industrial e Comercial de Lisboa. Em 1911, o Ministro do Fomento Brito Camacho convidao Alfredo Bensaúde para o cargo de organizador e de diretor, do Instituto Superior Técnico no qual se manteve até 1920. Em 1922, após a morte do pai, regressou a São Miguel para administrar a empresa da família. Faleceu a 1 de janeiro de 1941, em Ponta Delgada.

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Joaquim Rodrigues dos Santos Júnior

Joaquim Rodrigues dos Santos JúniorNascido em Barcelos em 1901, licenciou-se em Ciências Histórico-Naturais pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto em 1923 e em Medicina, pela respectiva Faculdade da mesma Universidade em 1932. Só fez clínica por curto espaço de tempo já que decidiu dedicar-se por inteiro quer ao ensino quer à investigação. Publicou muitas dezenas de trabalhos e vários livros, nomeadamente versando a Antropologia, a Etnografia, a Pré-História e a Zoologia. Alguns deles tiveram como palco a Maia, com destaque para a descoberta e as primeiras referências nacionais e internacionais à Pedra Partida de Ardegães. Foi fundador da Sociedade Portuguesa de Ornitologia e o grande pioneiro da anilhagem científica de aves do nosso país. O seu esforço contribuiu decisivamente para o estudo e protecção das aves em Portugal.

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Virgílio Martinho

Tradutor, ficcionista e dramaturgo português nascido em 1928, em Lisboa, e falecido a 4 de dezembro de 1994, na mesma cidade. Fez parte do grupo de autores e artistas abjecionistas (ao lado de Luís Pacheco, Manuel de Lima, Mário Cesariny, entre outros) do grupo reunido entre 1956-59 no Café Gelo, grupo associado a uma segunda geração surrealista. Embora o seu texto de estreia – Festa Pública – registe marcadamente a influência do surrealismo-abjeccionismo, a sua obra evoluirá no sentido da conjugação da rutura surrealista com o empenhamento social. Tendo iniciado a sua carreira como ficcionista, dedicou-se sobretudo à dramaturgia, quer com peças da sua autoria, quer com adaptações de textos alheios, destacando-se, na sua carreira teatral, a encenação de peças satíricas e alegóricas como Filopópulos, O Grande Cidadão ou 1383.

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Fernando Amado | Alberto Rui

Fernando AmadoFernando Amado – dramaturgo e homem de teatro voluntariamente circunscrito à área experimental, fundou em 1946 a Casa da Comédia, cuja actividade se iniciou com a sua peça-manifesto A Caixa de Pandora, uma das raras, de entre as muitas que escreveu, a subir à cena. A primeira, que data dos seus 17 anos, O Homem Fatal, repercute, sob a influência de Almada Negreiros, de quem foi amigo e companheiro, ecos da estética futurista; publicou depois, em 1926, um ambicioso poema dramático de inspiração fáustica, O Pescador, do qual um crítico disse que «escondia numa nuvem de símbolos todas as lutas do pensamento na hora que passa». Dez anos depois retomou a escrita dramatúrgica com O Retrato de César, a que se seguiram várias peças em 1 acto, das quais a mais significativa, O Iconoclasta ou O Pretendente Imaginário, se representou em 1955 sob o pseudónimo Alberto Rui; dela escreveu David Mourão-Ferreira que constitui «o ponto mais alto da sua dramaturgia simultaneamente poética e abrupta, simbólica e desconcertante, seduzida pelo mistério que paira sobre certas situações e atenta a determinados esquemas psicológicos».

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Wenceslau de Moraes

Wenceslau de MoraesWenceslau José de Sousa Moraes nasceu a 30 de maio de 1854, em Lisboa, e faleceu a 1 de julho de 1929, no Japão. Em 1873 terminou o curso preparatório da Marinha na Escola Naval em Lisboa.
Autor que tem tido ampla divulgação no Japão, merecendo um reconhecimento que, entre outras iniciativas, é atestado pela fundação de um Museu Wenceslau de Moraes e pela edificação de dois monumentos em sua homenagem em duas das cidades onde permaneceu, Tokushima e Kobe. Fascinado pela vida e cultura nipónicas, a sua obra, integrando em grande parte o género de literatura de viagens, apresenta a estética de um escritor que vê no solo nipónico um reverso idealizado da civilização ocidental, passando para uma prosa refinada e impressiva a descoberta apaixonada da vida oriental.
Destacam-se as obras Dai-Nippon (1897), Relance da História do Japão (1924) e Relance da Alma Japonesa (1926).

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Mário João Coutinho dos Santos

Doutorado em Gestão Industrial, especialidade de Finanças, pela Universidade de Aveiro, Pós-Graduado em Gestão e Finanças pela Harvard Business School e em Finanças pela Stanford Graduate School Business e Licenciado em Finanças pelo Instituto Superior de Economia da Universidade Técnica de Lisboa.
Leccionou como Professor Convidado, entre outras, na Faculdade de Economia da Universidade do Porto, no Departamento de Economia, Gestão e Engenharia da Universidade de Aveiro, e na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de S. Paulo, Brasil.
Tem desenvolvido investigação em diversas áreas das finanças empresariais e em intermediação financeira.
Desempenhou funções de direção e gestão executiva de empresas em Portugal e no estrangeiro. Desenvolve atividade de consultoria nos domínios, nomeadamente, da avaliação e reestruturação de empresas, estrutura e custo do capital, financiamento de empresas e projetos de infraestruturas, regulação económica e economia e gestão de sistemas de transporte público.

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José Manuel Mendes

José Manuel MendesPoeta, romancista, ensaísta e crítico literário português, natural de Luanda. Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Foi professor do ensino secundário e deputado pelo PCP. Advogado de profissão, foi nomeado presidente da Associação Portuguesa de Escritores. Colaborou em diversos jornais e revistas: Cadernos de Literatura, A Capital, Colóquio/Letras, Diário de Lisboa, Diário de Notícias, Expresso, Jornal de Letras, República, Seara Nova, Vértice, etc., tendo sido director da revista O Escritor, órgão da APE. Estreou-se literariamente com a colectânea de poemas Salgema (1969), afirmando-se, desde logo, como um poeta ideologicamente comprometido e seguidor da estética e ideologia neo-realistas. O empenhamento na criação de uma poesia de combate é reforçado no seu livro seguinte, A Esperança Agredida (1973). Na poesia, destacam-se ainda a antologia Rosto Descontínuo (1992) e Presságios do Sul (1993). As suas obras de ensaio e crítica literária, onde se destaca Por uma Literatura de Combate (1975), revelam um carácter interventivo, presente também nas obras de ficção, nomeadamente no romance Ombro, Arma! (1978), um dos mais importantes romances sobre a guerra colonial. Da sua obra fazem ainda parte o romance O Despir da Névoa (1984), o livro de contos O Homem do Corvo (1988), as crónicas de Os Relógios e o Vento (1995) e, novamente, as breves narrativas de O Rio Apagado (1997).