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Alexandre Cabral

De seu verdadeiro nome José dos Santos Cabral, frequentou o Instituto Profissional dos Pupilos do Exército, mas por vontade própria empregou-se aos quinze anos, exercendo várias profissões, chegando mesmo a emigrar para o ex-Congo Belga. Regressado a Portugal passados alguns anos, foi redactor de uma agência noticiosa e esteve ligado à indústria farmacêutica e à publicidade, ao mesmo tempo que frequentava a Faculdade de Letras de Lisboa, onde se licenciou em Ciências Histórico-Filosóficas. Ligado à corrente literária neo-realista, em cuja estética se enquadram naturalmente os seus romances, novelas e contos, acabou por se especializar como grande e profundo conhecedor da obra de Camilo Castelo Branco, a quem dedicou, na anotação, fixação de textos e recolha de vastíssima correspondência e polémicas literárias, dezenas e dezenas de anos de permanente estudo e investigação. Na verdade, a sua atenta dedicação como estudioso e investigador da obra camiliana culminou na elaboração de um importante Dicionário de Camilo, que o impõe como dos maiores e mais competentes especialistas da vastíssima obra do autor de Novelas do Minho. Além de regular colaboração em revistas e jornais, fez parte dos corpos directivos de importantes instituições ligadas à política ou à cultura, tendo sido elemento preponderante na formação da Sociedade Portuguesa de Escritores, a cuja primeira direcção pertenceu, presidida por Aquilino Ribeiro. Dedicou-se também a constante actividade de tradutor literário, sendo de destacar o trabalho feito na divulgação em português de obras, entre outros, de Roger Martin du Gard, Anatole France, Claude Roy, Jaroslav Hasek, Mikail Sadoveanu. Prefaciou ainda obras de vários escritores portugueses e tem colaboração dispersa em livros de homenagem ou de intervenção política e cultural, com depoimentos literários de relevante importância. Nos seus primeiros romances usou o pseudónimo Z. Larbak.