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Manuel António Santos Lima

Manuel António Santos Lima, nasceu a 11 de julho de 1954, na Costa da Caparica. É educado no seio de uma família pobre.
Para sustento da casa o pai, em horário pós-laboral, cuidava de alguns jardins particulares e praticava agricultura de subsistência, atividades com as quais Manuel Lima desde muito cedo se familiarizou e que se refletiram no seu futuro modo de vida. Passando a sua primeira infância na Caparica, aqui assiste e participa nas lides da pesca exercida pelos seus avós, nestas praias até então pouco frequentadas. Quando tinha oito anos, os seus pais instalaram-se no sítio da Corvina, freguesia da Trafaria, local rodeado por quintas e relativamente próximo da arriba fóssil. Neste cenário rural Manuel Lima aprende o calendário agrícola e assiste às variadíssimas atividades campesinas, que vão desde o lavrar da terra à colheita dos frutos.
Dos dez aos vinte e três anos, idade com que saiu de casa dos seus pais, Manuel Lima aproveitando o tempo das férias grandes, exerceu os mais diversificados trabalhos e atividades, tendo em vista ajudar a suportar as despesas de seus estudos e assim contribuir para o baixíssimo rendimento familiar.
Aos dezoito anos entra no movimento escutista. Pelas atividades aqui dinamizadas e desenvolvidas viria a encetar um profundo conhecimento do espaço geográfico do território da Península de Setúbal, seu património natural e ambiental, o que muito contribuiu para a sua rota de vida.
Com dezoito anos, talvez por simpatia pela profissão de seu pai, e de acordo com a vontade do mesmo, ingressou no curso de Engenharia Civil.
Talvez pela sua ligação desde a infância à terra e ao mar, a sua área de estudo preferida era a das Ciências da Natureza e como tal viria a procurar dentro do mesmo Instituto Superior Técnico um curso que mais se aproximasse de tais conhecimentos. Foi desta forma que, durante um ano, frequentou com êxito algumas cadeiras de Engenharia de Minas. Sentindo tratar-se de um curso voltado para as ciências da terra, mas não para a sua vocação de ensinar – que desde cedo sentia –  optou finalmente por fazer um compasso de espera na sua vida para poder refletir e decidir melhor o seu futuro.
É nesta altura chamado para o Serviço Militar onde frequentou o curso de oficial miliciano.
Em 1976 casou com Maria Isabel Lima, natural de Corroios, terra em que o casal passou a residir desde então.
Apesar de incentivado a seguir a carreira militar, na qual ao longo de três anos promoveu voluntariamente cursos de alfabetização e de enriquecimento cultural para os seus recrutas, Manuel Lima abandonou essa hipótese e tornou-se professor do ensino oficial secundário, com habilitações suficientes e inscreve-se no curso de Geologia da Faculdade de Ciências de Lisboa, que frequenta como trabalhador-estudante. Após três anos de bacharelato, no biénio de 1983/1985 efetuou a sua profissionalização como professor onde obteve a classificação de dezoito valores. Tendo exercido a sua carreira de docente ao longo dos anos sempre em escolas da área da Península de Setúbal.
Para a sua carreira de investigador/escritor muito contribuiu a sua entrada para os serviços do Ecomuseu Municipal do Seixal, no ano de 1985, onde esteve como técnico do património natural até ao ano de 1997.
Atualmente e nos últimos quatro anos tem exercido atividade no Pelouro da Cultura da Câmara Municipal do Seixal, particularmente no domínio da Educação Ambiental.
Desde 1986 que leciona na Escola Secundária João de Barros, professor de nomeação definitiva (PQND) 10.º escalão integrado no grupo 11.º B (Biologia e Geologia)
Em 2004 concluiu a Licenciatura em Animação Sócio-Cultural no Instituto Jean Piaget.
As suas raízes, o gosto pela natureza, a pesquisa constante e a vontade de transmitir ensinamentos, muito têm contribuído para que Manuel Lima, nos últimos anos em colaboração com a Câmara Municipal do Seixal, tenha feito chegar ao público um vasto leque de publicações associadas ao património natural e histórico do concelho do Seixal.

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Pedro Amorim Vieira

Filósofo e matemático eminente, nascido a 21 de dezembro de 1822, em Lisboa, e falecido a 23 de dezembro de 1901, na mesma cidade, foi professor de Lógica no Liceu Nacional de Lisboa e professor catedrático de Matemática na Academia Politécnica do Porto. Foi um dos cofundadores do jornal portuense A Península, onde publicou os seus primeiros artigos filosóficos, dos quais se destacam Análise das contradições económicas de Proudhon, O poder temporal do Papa, A divindade de Jesus, todos de 1852, Da liberdade e Dos milagres, estes de 1853. Nestes artigos, Amorim Viana questiona de forma racional alguns dos dogmas do cristianismo, atitude que prossegue na década seguinte, ao longo da qual redige o ensaio Defesa do racionalismo e análise da fé, publicado em 1866, que viria a ser incluído no Index. Colaborou igualmente no jornal O Clamor Público, com artigos de comentário à vida política nacional. O seu pensamento filosófico baseia-se num racionalismo otimista que não contraria a fé, mas defende, contra os preconceitos, a liberdade e a crítica.

Amorim Viana in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-07-05 16:39:25]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$amorim-viana

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William H. Branson

Doutorado pelo Massachusetts Institute of Technology, foi professor de Economia e Assuntos Internacionais na Universidade de Princeton. Desempenhou funções como economisma no Council of Economic Advisors, e foi consultor do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos e do Federal Reserve Board. Faleceu em 2006.

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Maria Antónia Coutinho

Nasceu em Lisboa, em 1956. Licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, obteve em 1991, o grau de Mestre na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com a dissertação intitulada “Enunciação metafórica e texto. Perspectivas de análise em textos de «Os Afluentes do Silêncio» de Eugénio de Andrade. Concluiu em 2000, na mesma Faculdade, o Doutoramento em Linguística – área de especialização em Teoria do Texto. Docente, desde 1988, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, têm leccionado cadeiras de Linguística ao nível da Licenciatura e é responsável por seminários de Mestrado, na área da Teoria do Texto – em que também situa, prioritariamente, o trabalho de investigação.

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Orlando Ribeiro

Considerado o maior geógrafo português do século XX, Orlando Ribeiro nasceu em 1911, em Lisboa.
Licenciou-se em Ciências Histórico-Geográficas pela Faculdade de Letras da Universidade da capital em 1934 e logo no ano seguinte apresentou a sua tese de doutoramento, intitulada A Arrábida, Esboço Geográfico. Partindo para Paris, onde foi leitor de português na Sorbonne de 1937 a 1940, teve oportunidade de contactar com grandes figuras dos estudos geográficos franceses dessa época, entre elas Albert Demangeon e Emmanuel de Martonne. Regressado a Portugal, foi lecionar para a Universidade de Coimbra, na qualidade de professor extraordinário, e em 1943 tornou-se professor catedrático da Universidade de Lisboa. Entretanto, em tempo de guerra, Orlando Ribeiro ia prosseguindo os seus contactos com geógrafos estrangeiros, nomeadamente alemães (entre eles Hermann Lautensach), com dificuldade mas tenazmente.
Na Universidade, onde fundou o Centro de Estudos Geográficos, Orlando Ribeiro teve um papel decisivo na consolidação da Geografia como área disciplinar autónoma e na afirmação da sua importância. Nos anos 50, conseguiu organizar no nosso País um congresso da União Geográfica Internacional, sendo depois eleito vice-presidente da organização. Em 1966 fundou a revista Finisterra, um órgão científico de projeção internacional.
Teve ainda oportunidade de ensinar noutras universidades: no Rio de Janeiro, em Salamanca, no Quebeque, em Sevilha. O seu prestígio valeu-lhe a entrada em diversas academias científicas: a italiana, a de Lisboa, a de Madrid e a de Bordéus.
À data da sua morte, em 1997, Orlando Ribeiro deixou uma bibliografia vastíssima. Dos mais de trezentos títulos publicados, que incluem estudos com influência na historiografia, na etnologia e em outras áreas, destacam-se especialmente essa obra maior do panorama geográfico nacional que é Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico (1945); a desenvolvida Geografia de Portugal, escrita em colaboração com a sua mulher Suzanne Daveau e Hermann Lautensach; e os Opúsculos Geográficos.

Orlando Ribeiro in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-07-04 18:06:04]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$orlando-ribeiro

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Gustave Flaubert

Romancista francês, Gustave Flaubert nasceu a 12 de Dezembro de 1821, em Rouen, França, e morreu a 8 de Maio de 1880, em Croisset. Filho de um cirurgião que trabalhava no Hospital de Rouen, fez os estudos secundários na sua terra natal e matriculou-se em Direito na Sorbonne. Em 1844, os primeiros sintomas de doença nervosa que o haviam de afligir toda a vida levaram-no a abandonar o curso. O pai procurou contrariar as suas tendências literárias, mas depois da morte deste, em 1846, Flaubert regressa a Rouen e instala-se em Croisset, nos arredores da cidade. Herda do pai uma razoável fortuna que lhe possibilita entregar-se livremente à arte. É aqui que passa o resto da vida, salvo raras estadias em Paris e algumas viagens por França, Itália e Norte de África.
A sua incursão na literatura começou na escola e data de 1837, ao redigir num jornal de estudantes, Art et Progrès, e depois a revista Le Colibri. Formou uma estreita amizade com o jovem filósofo Alfred Le Poittevin, que o iria influenciar bastante com o seu pessimismo. De Novembro de 1849 a Abril de 1851, visitou com o amigo escritor Maxime du Camp a Grécia, a Itália, a Síria, a Turquia, o Egipto e a Palestina. Destas viagens surge o livro A bord de la Cange. Quando já tinha adiantada a redacção de La Tentation de Saint Antoine, interrompeu-a para escrever o seu grande romance Madame Bovary, que em 1857 foi publicado em folhetins na Revue de Paris. Esta obra, que lhe custou cinco anos de trabalho, iria também levá-lo à barra do tribunal, em 1858, por atentado contra os bons costumes. Apesar do escândalo, a crítica consagra a obra pela novidade, perfeição e equilíbrio, e as tendências realistas. Em 1862, quatro anos depois da sua viagem a Cartago, Flaubert escreve Salammbô, revelando grandes faculdades criadoras. Em 1869 foi publicada l’Éducation Sentimentale, obra de análise psicológica que não foi bem apreciada e deixou o escritor muito desiludido. Só em 1874 é que publicaria la Tentation de saint Antoine, que foi proibida. Nesta obra trabalhou Flaubert aproximadamente trinta anos. Em 1877 publica um volume de contos, Trois Contes.
Com a morte de Gustave Flaubert foram publicados, Bouvard et Pécuchet (1881), obra inacabada, Par les champs et par les grèves (1885) e quatro volumes da Correspondance(1887-93). Além destes livros há ainda que mencionar um Dictionnaire des Idées Reçues, inacabado, e, a sua copiosíssima correspondência reunida após sucessivas edições em treze volumes (1933-59), que contém indicações preciosas sobre a sua teoria do romance. Embora Flaubert não caia no cientismo naturalista de Zola, para ele todos os factos são importantes. Observa, analisa e extrai dos materiais recolhidos uma síntese dos aspetos da vida que pretende tratar, mesmo quando para se evadir da realidade presente os situa no passado, como é o caso da obra Salammbô.
A obra de Flaubert representa o expoente máximo do romance realista em França e terá influenciado o escritor português Eça de Queirós.

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Maria Helena da Rocha Pereira

Maria Helena da Rocha Pereira, natural do Porto, licenciou-se e doutorou-se em Estudos Clássicos na Universidade de Coimbra, da qual é hoje professora catedrática jubilada.
Especializou-se na Universidade de Oxford. Publicou mais de trezentos livros e artigos, em Portugal e no estrangeiro. Entre esses, tanto figuram edições críticas, como a de Pausânias (Leipzig, Teubner, 3 vols., 2.ª ed., (1989-1990), como os Estudos de História da Cultura Clássica (Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, vol. I, Cultura Grega, 12.ª ed., 2012; vol. II, Cultura Romana, 3.ª ed., 2002) ou trabalhos sobre a presença dos clássicos em autores portugueses, que vão desde António Ferreira, Camões e Andrade Caminha aos setecentistas (Árcades, Alcipe, Bocage), a Augusto Gil, a Fernando Pessoa e aos contemporâneos (como Miguel Torga, José Gomes Ferreira, Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade).
Maria Helena da Rocha Pereira foi a mais conceituada especialista portuguesa em Estudos Clássicos e foi galardoada em 2010 com o Prémio Vida Literária APE.
Faleceu em abril de 2017.

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Irene Borges-Duarte

Irene Borges-Duarte é professora associada e investigadora do Instituto de Filosofia Prática na Universidade de Évora. Presidente da Associação Portuguesa de Filosofia Fenomenológica (desde 2011). Membro da Heidegger-Gesellschaft e da Sociedad Iberoamericana de Estudios Heideggerianos. Coordenadora do projeto de tradução e investigação «Heidegger em Português».

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Amália Mendes

Amália Mendes é investigadora Auxiliar no Centro de Linguística da Universidade de Lisboa (CLUL), desde 2002. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, Português-Francês em 1989, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL). Tem trabalhado desde 1989 em vários projectos de investigação no grupo de Linguística de Corpus do CLUL e leccinou várias cadeiras de Linguística na Universidade Católica Portuguesa, de 1992 a 1995. Apresentou à FLUL, em 1995, a sua tese de Mestrado intitulada Análise Sintática dos Verbos Psicológicos do Português, tendo para tal beneficiado de uma Bolsa de Mestrado da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica. Foi bolseira de Doutoramento da Fundação para Ciência e a Tecnologia. Após o doutoramento, foi bolseira da Comissão Fulbright na Rice University, Texas de Janeiro a Julho de 2001.

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Loureiro dos Santos

O General Loureiro dos Santos nasceu em Vilela do Douro — Paços, concelho de Sabrosa (Vila Real), em 2 de Setembro de 1936. Conta com um notável currículo tanto académico quanto militar. Frequentou, entre outros, os cursos de Artilharia da Escola do Exército e de Comando e Estado-Maior do Exército Brasileiro (onde fez um doutoramento em Ciências Militares) e leccionou no IAEM, no IAEFA e no ISCSP. Desempenhou também as funções de Vice-Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, de Ministro da Defesa Nacional dos IV e V Governos Constitucionais e de Chefe de Estado-Maior do Exército. É sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa e conferencista e autor de obras e de artigos na imprensa especializada sobre Estratégia, Segurança e Defesa.
Na Europa-América publicou Reflexões Sobre Estratégia I (2000), Segurança e Defesa na Viragem do Milénio — Reflexões Sobre Estratégia II (2001), A Idade Imperial — Reflexões Sobre Estratégia III (2003) e E Depois do Iraque? (2003), escrito em conjunto com Luísa Meireles, Convulsões — Reflexões Sobre Estratégia IV, O Império Debaixo de Fogo — Reflexões Sobre Estratégia V (2006), A Ameaça Global (2008), As Guerras que Já Aí Estão e as Que Nos Esperam: Se os Políticos Não Mudarem – Reflexões sobre Estratégia VI (2009).