Vinte Anos de Coimbra

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Título: Vinte Anos de Coimbra
Autor: D. Manuel Gonçalves Cerejeira
Edição: Gama
Ano: 1943
Páginas: 233
Encadernação: Mole

 

 

EXCERTO
Há vinte e cinco anos – feitos em 30 de janeiro último – num ambiente de grande intimidade, por não permitirem as circunstâncias políticas do tempo e o esplendor tradicional, foi admitido doutor em Letras, na Sala do Senado da Universidade de Coimbra, o jovem professor, Manuel Gonçalves Cerejeira, cujos «excepcionais méritos», segundo a palavra justa e autorizada do sábio mestre Dr. António de Vasconcelos, no discurso de recepção, haviam sido largamente comprovados «não só nos curos de três Faculdades, por onde transito e onde recebeu sempre as mais altas distinções, reservadas aos mais talentosos alunos, mas também na regência de cadeiras de que tem sido interinamente encarregado», e ainda «nas provas públicas que acaba de prestar».


SOBRE O AUTOR

Manuel Gonçalves Cerejeira (1888-1976), sacerdote e docente universitário, terminou a sua formação académica em Coimbra em plena República (1916), da qual era adversário implacável dado o peso que nela tinham, a seu ver, a Maçonaria e o anticlericalismo. Enveredará, por esse motivo, pela ação política de contestação ao poder republicano, para o que reanima o Centro Académico de Democracia Cristã, onde encontra como colaborador Oliveira Salazar, ao mesmo tempo que, na imprensa católica, defende as suas opiniões antirrepublicanas. Parte da sua obra historiográfica é igualmente imbuída de um espírito de cruzada ideológica: contrariando teses positivistas e racionalistas caras aos republicanos, defende (entre outras) a tese de que a civilização ocidental tudo deve ao Cristianismo e procura dissociar a Inquisição da histórica decadência nacional. Instituído o Estado Novo sob a direção do seu amigo, colega e correligionário António de Oliveira Salazar, o sacerdote, que entretanto ascende a Cardeal Patriarca de Lisboa (1929) é um dos artífices da longa aproximação e colaboração entre a Igreja e o Estado, lutando para recuperar o espaço de manobra perdido pela instituição religiosa durante o período republicano e para inverter a tendência para a fuga de devoção criada pelo anticlericalismo militante republicano. Será também Cerejeira o interlocutor privilegiado entre o Governo de Portugal e a Santa Sé quando esta manifesta afastamento em relação a teses oficiais portuguesas em política colonial, particularmente quando o Papa recebe em audiência representantes de movimentos da guerrilha guineense, angolana e moçambicana.