Medeia

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Título: Medeia
Autor: Sophia de Mello Breyner Andresen
Edição: Caminho
Ano: 2006
Páginas: 76
Encadernação: Mole
Capa: José Serrão
Depósito Legal: 241724/06
ISBN: 972-21-1797-1

 

 

SINOPSE
Uma obra fundadora que surpreende, para além do seu valor literário e poético, pela intemporalidade, trazida até nós na tradução inconfundível de Sophia de Mello Breyner Andresen.

Medeia foi representada no ano de 431 a.C. Apesar da força que ainda hoje nos transmite, Eurípides conseguiu com esta tragédia, considerada por muitos críticos a sua melhor obra, apenas o terceiro lugar. Euforion obteve o primeiro prémio e Sófocles o segundo. Como noutras ocasiões, o público escandalizou-se perante as paixões humanas dos heróis de Eurípides.
A trama da obra insere-se no ciclo mítico dos Argonautas, que, comandados por Jasão, partem para os confins do mar Negro em busca do velo de ouro. Medeia, filha do rei da Cólquida, enamora-se loucamente por Jasão e contribui de forma decisiva para o êxito da empresa do seu amado. Ligada no mito à magia e a práticas pouco civilizadas, Medeia actua sem vacilar a favor dos interesses de Jasão e assume inclusivamente o assassinato e o despedaçamento do seu próprio irmão. De regresso a Iolco, Medeia aniquila Pélias, que tinha usurpado o trono a Jasão; em consequência disso, o casal refugia-se em Corinto. É nesta cidade que se situa a trama da tragédia.


SOBRE O AUTOR

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu a 6 de novembro 1919 no Porto, onde passou a infância. Em 1939-1940 estudou Filologia Clássica na Universidade de Lisboa. Publicou os primeiros versos em 1940, nos Cadernos de Poesia. Na sequência do seu casamento com o jornalista, político e advogado Francisco Sousa Tavares, em 1946, passou a viver em Lisboa. Foi mãe de cinco filhos, para quem começou a escrever contos infantis. Além da literatura infantil, Sophia escreveu também contos, artigos, ensaios e teatro. Traduziu Eurípedes, Shakespeare, Claudel, Dante e, para o francês, alguns poetas portugueses.

Em termos cívicos, a escritora caracterizou-se por uma atitude interventiva, tendo denunciado ativamente o regime salazarista e os seus seguidores. Apoiou a candidatura do general Humberto Delgado e fez parte dos movimentos católicos contra o antigo regime, tendo sido um dos subscritores da “Carta dos 101 Católicos” contra a guerra colonial e o apoio da Igreja Católica à política de Salazar. Foi ainda fundadora e membro da Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos. Após o 25 de Abril, foi eleita para a Assembleia Constituinte, em 1975, pelo círculo do Porto, numa lista do Partido Socialista. Foi também público o seu apoio à independência de Timor-Leste, consagrada em 2002.

A sua obra está traduzida em várias línguas e foi várias vezes premiada, tendo recebido, entre outros, o Prémio Camões 1999, o Prémio Poesia Max Jacob 2001 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana – a primeira vez que um português venceu este prestigiado galardão. Com uma linguagem poética quase transparente e íntima, ao mesmo tempo ancorada nos antigos mitos clássicos, Sophia evoca nos seus versos os objetos, as coisas, os seres, os tempos, os mares, os dias.
Faleceu a 2 de julho de 2004, em Lisboa. Dez anos depois, em 2014, foram-lhe concedidas honras de Estado e os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão Nacional.