A Crise da Consciência Pequeno-Burguesa

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Título: A Crise da Consciência Pequeno-Burguesa
Autor: Augusto da Costa Dias
Edição: Estampa
Ano: 1977
Páginas: 361
Encadernação: Mole
Capa: Henrique Ruivo

 

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SINOPSE
Em nota à primeira edição deste ensaio referi, laconicamente, que ele dava início a «uma série consagrada do estudo das ideologias no século XIX». Poderia ter acrescentado que esse início não era o dos fenómenos que designei por “crise da consciência pequeno-burguesa”. Na realidade, o neogarrettismo situa-se numa fase muito posterior à do ponto de partida historicamente exacto; em Oitocentos é mesmo o seu ponto termina; e não pretende descer tão longe, ao iluminismo, preparação doutrinal da Revolução, era nesta, em 1820 que estava em meus desígnios investigar as primeiras manifestações de uma enfermidade dolorosa que em nossos dias se encaminha para o desfecho.


SOBRE O AUTOR

Historiador, sociólogo da cultura e director editorial. Tendo iniciado os estudos secundários em Coimbra, estudos que teve de interromper por motivo de doença, completou em 1954 a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas, na Universidade de Lisboa, acumulando a sua actividade escolar com empregos temporários de corretor de seguros, agente comercial ou angariador de publicidade. Tendo tentado, logo após a licenciatura, seguir a carreira de professor liceal, viu essa sua pretensão travada pelo regime salazarista, o que o não impediu de, em colaboração com outros professores em igual situação, criar uma sala de estudos para adultos com o nome de «André de Resende». Criador e fomentador de cultura, como muito bem lhe chama Alexandre Cabral, Augusto da Costa Dias lançou-se, de par com as suas investigações sócio-literárias incidindo especialmente sobre o século XIX, em três aventuras cujos frutos são clamorosamente visíveis através da lista quase total dos prosadores, poetas e ensaístas, hoje consagrados, e aparecidos, jovens colaboradores de suplementos nos finais da década de 50 e, estreantes em livro, no decorrer da década de 60. Lista que contém todos os que passaram, primeiro, pelo DL-Juvenil por si dirigido, de colaboração com a mulher, Maria Helena da Costa Dias, e com Mário Castrim, Tossan e Figueiredo Sobral, depois pelo República-Juvenil, também por si dirigido, e, na década de sessenta, estreando-se ou confirmando-se como tradutores, poetas, prosadores e ensaístas nas várias colecções que criou e dirigiu na Portugália Editora, tais a «Colecção Portugália», de ensaio, e as colecções «Poetas de Hoje», «Novos Romancistas», «Novos Contistas», «Novos Poetas» e «Novos Ensaístas». Homem de partido, desde sempre ligado ao PCP, nunca confundiu naquele seu labor de fomentador de cultura a «qualidade da obra» com as «opiniões políticas» do autor. Daí a heterogeneidade das ideologias dos autores que editou, mas também, quiçá, o «silêncio feroz» (ainda nas palavras de Alexandre Cabral) de que foi – e é – vítima. Com colaboração dispersa pela Seara Nova, a cuja redacção e corpos directivos pertenceu e onde utilizou os pseudónimos de Ângelo Bravo e João da Ega, pelos jornais Diário de Lisboa e República, e pela revista Vértice, além de outras, Augusto da Costa Dias centrou uma boa parte dos seus magistrais e incontornáveis ensaios no estudo de obras que publicou e com eles introduziu, tais como as de Trindade Coelho (1961), Almeida Garrett (1963 e 1968), Basílio Teles (1968 e 1969) e Soeiro Pereira Gomes (1975). No caso concreto de Almeida Garrett, deve registar-se que, quando preparava a edição das Viagens da Minha Terra, segundo o exemplar, emendado pela mão do autor, existente na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, Costa Dias foi impedido de entrar naquele estabelecimento por iniciativa de um dos seus doutos e considerados catedráticos, sendo o restante do trabalho já em curso realizado com a substituição do autor, nas pesquisas, por sua esposa que, para o efeito, usava o nome de solteira. Para além da obra ensaística publicada em livros apenas seus, Costa Dias colaborou ainda com ensaios importantes na História Universal Ilustrada (Lisboa, 1964-1965) e na História da Literatura Portuguesa, dirigida por Óscar Lopes e inserida na História Ilustrada das Grandes Literaturas (Lisboa, 1964), e escreveu o ensaio «Non Può Essere Ibero un Popolo Che ne Opprime Altro», para introduzir o álbum de águas fortes Portogallo 1973 (Roma, 1973). A publicação sob a orientação do autor da riquíssima obra ensaística dispersa foi interrompida aquando da sua trágica morte, ocorrida após uma prolongada doença que, no dizer de José Gomes Ferreira, «quase o reduziu a um braço ligado a um cérebro».


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