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Mário Furtado

Poeta e ficcionista, Mário Furtado, pseudónimo de Hélio Nunes Vieira, é também autor de uma monografia sobre Xabregas, antiga zona arrabaldina então de predonímio fabril, onde nasceu e passou a infância e adolescência.
Fez a instrução primária no Centro Escolar Republicano Elias Garcia e frequentou o Liceu de Gil Vicente, vendo-se no entanto obrigado, por falta de recursos, a abandonar os estudos aos treze anos de idade, empregando-se como paquete numa casa de material dentário e depois numa empresa têxtil, primeiro como caixeiro e depois como empregado de escritório. Ao mesmo tempo concluiu o Curso Geral do Comércio. Em 1961 foi mobilizado para Luanda. Entre 1963 e 1971 esteve empregado numa agência de navegação e depois foi agente comercial no ramo livreiro.
Sendo sobretudo um escritor de ambientes urbanos, Mário Furtado constrói personagens preferentemente oriundos de classes pobres e ainda da pequena e média burguesia de Lisboa e estrutura as suas ficções em torno da própria experiência de observação do mundo, com seus mais ou menos dramáticos confrontos sociais e com testemunhos de certos episódios das contradições e escândalos da ordem social e moral fascista. O culto da mulher é por seu turno objecto de muitos dos seus poemas.