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António Ferro

António FerroEscritor, jornalista e político, António Joaquim Tavares Ferro nasceu em 1895, em Lisboa, e morreu em 1956. Foi casado com a escritora Fernanda de Castro e pai do ensaísta António Quadros. Frequentou o curso de Direito. Desde cedo ficou ligado ao movimento modernista, emparceirando com personalidades como Mário de Sá-Carneiro, José de Almada-Negreiros, Fernando Pessoa e Luís de Montalvor. No início da sua carreira literária publica, em 1920, Teoria da Indiferença, manifestação do modernismo futurista, composta por uma longa coleção de aforismos paradoxais. Foi o principal impulsionador da revista Orpheu (1915) e, apesar de ainda ser menor de idade, foi nomeado editor da publicação por Mário de Sá-Carneiro. Posteriormente, participou nas primeiras manifestações do modernismo brasileiro, representado por autores como Sérgio Milliet, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Ronald de Carvalho ou Manuel Bandeira, proferindo conferências (A Idade do Jazz-Band) e colaborando com o seu órgão literário, a revista Klaxon, onde publica o manifesto Nós, drama poético marcado pela irreverência.
Em 1918 partiu para Angola como oficial miliciano, afastando-se assim do mundo do jornalismo e das letras. Regressado a Portugal um ano depois, assume a chefia da redação de O Jornal, na altura órgão oficioso dos partidários do presidente Sidónio Pais. Nos anos seguintes passaria ainda pelos periódicos O Século, Diário de Lisboa e Diário de Notícias, tendo sido responsável pela edição, além de Orpheu, de publicações periódicas como Alma Nova (1912) e Bandarra (1934).
Percorrendo a Europa e a América, notabilizou-se com uma série de entrevistas e crónicas sobre personagens marcantes do cinema, da literatura ou da política do período entre as duas grandes guerras (Gabriel d’Annunzio, Clemenceau, Jean Cocteau, Mussolini, Primo de Rivera, Unamuno, Ortega Y Gasset, Salazar). Nomeado diretor do recém-criado Secretariado da Propaganda Nacional, anima uma “Política do Espírito”, em cuja reflexão se harmoniza o sebastianismo, o espiritualismo, o nacionalismo cultural, a fidelidade à vanguarda modernista, o folclorismo, promovendo uma série de ações: criação do bailado português, fundação de um teatro do povo, valorização da arte popular, fundação de museus, organização de exposições, promoção do turismo, criação de prémios literários, proteção do cinema e dos estudos musicais. Estas manifestações culturais, mau grado a colaboração de artistas, escritores e intelectuais de reconhecido mérito, ressentiram-se de evidentes limitações ideológicas e éticas, uma vez que o Secretariado era um instrumento de propaganda do Estado Novo.
Em 1949, retirou-se da atividade política e foi nomeado representante diplomático na Suíça e em Itália, sucessivamente, dedicando-se a uma atividade poética de cunho emotivo e subjetivo, filiada num tipo de lírica tradicional.