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António de Almeida Santos

Advogado e político. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra (1950), fez na mesma Universidade o curso complementar de Ciências Jurídicas (1950-1952). Cantor de fados e solista do Orfeão da sua Universidade, acompanhou este numa viagem a Angola e a Moçambique, colónia onde, na sua qualidade de orador oficial da digressão, interpelou, em plena sessão de recepção nos Paços do Concelho de Lourenço Marques, o próprio governador-geral que, tendo respondido num improviso politicamente comprometedor, se viu forçado a mandar naquela mesma noite homens da sua confiança às redacções dos dois diários da cidade para emendarem o discurso que, assim, foi oficialmente publicado numa versão diferente da realmente produzida. Este incidente, que surgiu no contexto de algumas manifestações racistas então ocorridas – o Orfeão integrava estudantes moçambicanos mestiços que, por exemplo, não assistiram ao baile de gala realizado naqueles mesmos Paços do Concelho –, deu azo a Almeida Santos para a sua estreia em livro (Coimbra em África, 1950, 2ª. ed., 1952), onde o seu discurso de Lourenço Marques e a resposta do governador-geral figuravam tal qual sucederam, motivo suficiente para que o volume tivesse sido proibido naquela Colónia. Em 1953, voltou a Moçambique, agora para se fixar com banca de advogado, banca que manteria até 1974, dando ali início, logo no ano seguinte, 1954, com uma conferência sobre o direito de autor nas colónias, a uma constante actividade de intervenção cívica e política e de co-liderança da oposição tradicional da Colónia. Contista, a página de «Artes e Letras» do diário Notícias de Lourenço Marques, então dirigida por Ilídio Rocha, tenta em 1956 dar publicidade aos seus textos, no que foi logo ao primeiro impedida pela censura. Será num livro editado em Lisboa que, três anos mais tarde, essa produção ficcionista de qualidade acabará por ser reunida, pelo que a sua actividade de escritor, na Colónia, se resumirá, depois, a textos jurídicos ou de intervenção polémica. Está representado na antologia Poetas e Contistas Africanos, de João Alves das Neves (São Paulo, 1963). Em 1974, regressa a Portugal, passando a dedicar-se, desde então, à política activa no seio do Partido Socialista. Várias vezes ministro desde o primeiro governo provisório, desempenha actualmente o cargo de presidente da Assembleia da República. Como cantor, tem alguns discos gravados com fados e canções de Coimbra.