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António Aleixo

Poeta popular algarvio, António Aleixo, que era quase analfabeto, começou por ser tecelão, em Loulé, e depois pastor e cauteleiro. Foi ainda, por pouco tempo, guarda da PSP em Faro, com o que, evidentemente, o seu temperamento não se harmonizava. Daqueles ofícios e, durante dois anos, do exercício da profissão de servente de pedreiro em França, foi subsistindo. Os seus versos começaram por se popularizar oralmente, já que o poeta os cantava, ele próprio, em feiras, até que um professor do Liceu de Faro – o Dr. Joaquim Magalhães – começou a coligi-los e a promover a respectiva edição. A produção de António Aleixo, reunida postumamente em antologia, em 1969, no volume intitulado Este Livro Que Vos Deixo…, integra-se na mais pura tradição dos nossos poetas e cantadores populares: a construção simples e concisa dos versos, conseguida através de uma escolha da palavra exacta, confere ao humor que lhe é subjacente a expressão aguda, subtil e eficaz de uma especial sensibilidade às contradições sociais. Se uma amargura lhe atravessa o tom predominantemente sentencioso das quadras inspiradas «na escola impiedosa da vida», a ironia nunca as deixa resvalar em qualquer forma de sentimentalismo fácil antes lhes acentua a capacidade de anotação certeira de conceitos que, sendo espontâneo produto de uma vivência pessoal sofrida, nem por isso são expressos com menos correcção. As mesmas características identificam o teatro de António Aleixo, que compreende três autos à maneira vicentina. Morreu tuberculoso, deixando incompleto o Auto do Ti Jaquim.