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Alberto Serpa

Frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (1923-1926), regressando ao Porto sem se licenciar. Aí foi algum tempo empregado de comércio, após o que seguiu a carreira de profissional de seguros. Em 1936, esteve preso por não gostar do doutor Salazar. Está o seu nome directamente ligado a revistas como a Presença e, ao lado de Vitorino Nemésio, a Revista de Portugal, de que foi secretário. A sua poesia é marcada por uma discreta sensibilidade, por um sentido de recolhimento e intimismo. No entanto, ela pode ganhar outros tons: é, por exemplo, o que decorre de um empenhamento ou experiência moral em face de certas circunstâncias como as que se referem à segunda Guerra Mundial: «não saia da tua boca um eco dos cantos heróicos / que vão lá por fora a chamar os homens para a morte!» Um aspecto importante a considerar na poesia de Alberto de Serpa decorre do modo como ela recupera o versilibrismo que fora desenvolvido pelo nosso modernismo, ganhando, por vezes, os seus poemas uma estrutura versicular. É autor de uma novela, Saudades do Mar (1923). Nesses anos 20 publicou dois livros de poesia que, todavia, não incluiu no volume onde se recolhe a sua obra: A Poesia de Alberto de Serpa, 1981.